sábado, 4 de novembro de 2006

Stowaways - “Huntclub” (Transformadores)


Os Stowaways estão de volta. Longe estão os dias da vitória no Termómetro Unplugged e do CD partilhado com Alla Polacca. O que continua no entanto presente em “Huntclub” é o amor da banda de Matosinhos pela pop.
Neste “Huntclub” a banda apresenta 16 temas onde a pop de fino recorte se deixa envolver por paisagens nunca antes pisadas. Para que se perceba melhor o que se escreve, bastará dizer que a banda vai buscar fôlego a onde anteriormente os Belle Chase Hotel bebiam para criar.
A maior de todas as inspirações vem de um grupo de nome Divine Comedy, e por arrasto de uns The Walker Brothers, que nos anos 60 quebraram corações.
Depois, temos em alguns temas, belíssimos coros que remetem o nosso pensar para grandes musicais.
De Itália, projectadas na tela as imagens de Fellini, ajudam a criar sons.
O cabaret francês, é sugerido por um acordeão manipulado aqui e ali por João Covita.
E claro, a bossa nova do Brasil outra vez a deixar marcas num disco de Stowaways.
“Huntclub” é um registo impregnado de muitos instrumentais, que bem poderiam vestir muitos filmes mudos, em especial os do génio Charlot.
Estamos assim perante um disco que será com certeza banda sonora ideal de muito club nocturno. Salas onde se trocam olhares e se tacteiam plumas, por entre golos de whisky. O cigarro na mão das damas está na ponta de uma enorme boquilha.
Este é um disco inspirador, criador de muitas imagens. Os Stowaways trazem até nós um conjunto de canções que hoje, não encontram paralelo por estes lados.
Fazem um disco sem medo. Sem medo de que o possam acusar de cheirar a naftalina. Pois bem, este CD cheira a violetas.
Os Stowaways criam canções de beleza rara. Fazem um disco que apetece ouvir a todas as horas.
Solta-se a pop das suas amarras. Agora ela pode voar livre de preconceitos. Porque afinal a pop não sabe envelhecer. E enquanto houver gente que a sabe tratar com este carinho, temos a certeza plena de o que o mundo vai continuar a assistir ao nascimento de grandes discos.
Estes vai fazer parte da lista… da nossa vida.

Nuno Ávila

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