2 - Cat Soup - Come in, thank you
Santos da Casa
Todos os dias às 19h, o mais antigo programa de rádio pela música portuguesa
está na RUC em 107.9FM ou em emissao.ruc.pt
material para audição/divulgação, donativos, reclamações e outros para:
Fausto Barros da Silva - Apartado 4053 - 3031-901 COIMBRA
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
PROGRAMA DE 28/08/26
2 - Cat Soup - Come in, thank you
RUSSO APRESENTA "R2"
“R2” traz uma energia mais leve, espontânea e divertida para o universo do álbum. Inspirada nobouyon, a faixa é rápida, percussiva e dinâmica, criando uma sensação de movimento constante e de liberdade.
Dentro da narrativa de “O Último Fecha a Porta”,“R2” representa um momento de libertação — deixar de tentar controlar tudo e simplesmente viver aquilo que está a acontecer. O conceito prolonga-se no visual, onde R2 é o nome do jogo e Russo é o personagem, através de uma estética inspirada nos videojogos de PS2 e numa narrativa que culmina na sua passagem para o México.“R2” é um momento de escape dentro da história de Russo: mais leve, mais energético e, acima de tudo, livre.
MALEDICTUS COM SINGLE NOVO
No próximo dia 4 de setembro, os MALEDICTUS vão lançar «Madam Death», o seu terceiro e novo single extraído de «Lazarvs», o álbum de estreia com data de saída marcada para 13 de novembro.
Trata-se de um tema de metal intenso, emotivo e épico, que será acompanhado por um impressionante videoclipe.
Os MALEDICTUS são uma banda portuguesa de metal formada em Lisboa, reunindo músicos experientes com uma visão partilhada de música pesada sombria, poderosa e atmosférica.
Construída sobre uma base de riffs agressivos, melodias assombrosas e vocais movidos pela emoção, a banda funde elementos do heavy metal moderno com influências mais obscuras e melódicas.
Desde a sua formação, os MALEDICTUS têm-se focado na criação de música que reflete tanto o lado mais sombrio como o mais emocional do género metal.
Inspirando-se em atos de metal clássicos e contemporâneos, a banda visa criar um som que pareça simultaneamente familiar e distinto, apelando aos fãs de metal poderoso e atmosférico. Os MALEDICTUS continuam a desenvolver novo material e a estabelecer a sua presença na cena metal portuguesa e não só.
"Nós somos Maledictus… amaldiçoados por nada, movidos por tudo. O monstro desperta."
Formação dos Maledictus:
· Rez — Voz
· Ben Stockwell — Guitarra
· Butch Cid — Baixo
· Peter Crushes — Bateria
MALEDICTUS online:
• Facebook - http://facebook.com/themaledictusband
• Instagram - https://www.instagram.com/themaledictusband
• YouTube - https://www.youtube.com/@TheMaledictusband
• Linktr.ee - https://linktr.ee/themaledictusband
NA ZDB EM SETEMBRO
QUINTA 10 SETEMBRO / 21H
Fatboi Sharif ← Pedro, o Mau
A excitação do desconhecido e perigoso pode ser real. Quando se mistura com psicadélicos, terror e surrealismo, a fórmula torna-se infalível e entusiasmante nas mãos certas. Para Fatboi Sharif, rapper de Nova Jérsia que se estreou (ainda miúdo) na escrita criativa com um poema sobre o Holocausto, não há nada como tirar o tapete e criar abstracções a partir de retalhos que inquietam. O segredo está sempre na forma como se dispõe e usa os elementos.
Criador do coletivo artístico Colónia Calúnia, conta com inúmeras edições em nome próprio e coletivo, sob os alter-egos VULTO. e Pedro, o Mau, numa carreira disruptiva, repleta de lançamentos colaborativos, ora caóticos, ora melódicos, demonstrando uma plasticidade invejável e adaptada ao contexto, sem nunca perder a impressão digital que o caracteriza. Focado no desenvolvimento da música independente portuguesa, tem vindo a apresentar, editar e produzir artistas emergentes das mais variadas vertentes musicais em território nacional.
SEXTA 11 SETEMBRO / 22H
GB apresenta Herzsprung ← bonança
A pop de GB é experimental, nunca hermética, próxima da doçura de um Arthur Russell, contudo, melosa de uma forma muito própria. Apesar da ideia de experimental e de algum arrojo, a música é muito familiar. Pode-se associar a um dom grupal ou a uma consciência cultural: e pensar nisto como uma cena musical ou algo intrinsecamente ligado a uma escola, neste caso, o Rhythmic Music Conservatory de Copenhaga. Apresentará em Lisboa o seu último trabalho, Herzsprung.
bonança começou a ganhar forma em 2018, num quarto em Massamá, quando Ricardo Barroso decide tentar materializar as ideias musicais que lhe vêm à cabeça. Tendo a mensagem como alicerce, bonança navega de modo despreocupado pelos géneros musicais, que vão desde post-rock ao bedroom pop, do IDM ao pop-punk.
SÁBADO 12 SETEMBRO / 22H
Tomé Silva apresenta Na Sobreda ← Tapete Mágico
Ao longo dos últimos anos, Tomé Silva tem-se feito apresentar de diversas formas, que vai de um deslumbre por música de dança ou pelo fascínio por ritmos que alienam. Agora há Na Sobreda, novo álbum em nome próprio, de manifesto superior por um deslumbre pelo inesperado. Calmo e ligeiro na aparência, astuto e complexo nos arranjos e, sobretudo, nas ideias que junta sem custo em diferentes momentos das canções.
Tapete Mágico é uma fita magnética estendida de Almada a Mem Martins.
SEXTA 18 SETEMBRO / 22H
Nate Wooley ← Nate Wooley & João Almeida
Improvisador, compositor, escritor e trompetista de virtudes infinitas, Nate Wooley tem sido ao longo deste século um dos mais afamados, inconformistas e, até mesmo, visionários artistas a operar numa cartografia irrestrita que, partindo do território já de si amplo jazz e da improvisação, se tem espraiado por paragens desligadas desse cordão umbilical, como a composição moderna, drone ou noise. Sempre com a mesma verve e sede exploratória, avançando a tradição do experimentalismo norte-americano para os dias de hoje.
Wooley regressa ao palco da ZDB para uma aparição a solo e num formato que lhe tem assentado bem ao longo desta trajectória: o duo. Junta-se nesta noite, em pé de igualdade e após um contacto em 2024, postulado em Reuma, a João Almeida. Figura ainda jovem e já com marca indelével no panorama do jazz e da improvisação do agora.
John T. Gast Live ← Marie Dior
Canal aberto para uma infinita transfiguração, John T. Gast tem sido uma sombra constante na ala vanguardista da eletrónica londrina. Empilhando cartadas muito próprias em torno do pós-punk, hip hop, techno, dub, industrial, ambient e tantos outros cenários sonoros, a sua obra revela uma consistência brilhante. Não é todos os dias que este mago sai do bunker, especialmente para estas paragens. Neste regresso a Lisboa, encontramo-lo num momento particularmente cintilante. Ainda em processo de descodificação e deslumbramento perante Infant, tudo indica que este será um concerto de que se falará durante algum tempo.
Diana Correia é uma compositora e artista sonora que vive entre Berlim e Lisboa. Trabalhando principalmente sob o nome artístico de Marie Dior, a sua extensa prática investiga a distorção de tons puros, relacionando-os com corpos e materiais em processo de deterioração transformacional. O seu trabalho aborda questões de agência e mutabilidade através de uma perspetiva que ela própria descreve como transsexual e transgressiva.
SEXTA 25 | SÁBADO 26 SETEMBRO / 20H
Festival Ano Q 2026
A Rádio Quântica apresenta a 6ª edição do seu festival comunitário sem fins lucrativos, Ano Q.
Em dois dias, num espaço histórico de Lisboa (Galeria Zé dos Bois), este evento celebra algumas das iterações sonoras mais intrigantes da cena portuguesa, com artistas emergentes e artistas de comunidades tipicamente marginalizadas ao lado de artistas pioneiros mas sub-representados.
FESTIVAL F REVELA A PROGRAMAÇÃO DOS TRÊS DIAS COM 67 CONCERTOS, TERTÚLIAS, EXPOSIÇÕES E MUITAS OUTRAS ATIVIDADES DISTRIBUÍDAS POR TODA A VILA ADENTRO
A menos de uma semana do arranque, o Festival F revela a programação completa da 11.ª edição, que decorre entre 03 e 05 de setembro, na Vila Adentro, em Faro. São 67 concertos distribuídos por sete palcos, num percurso que ocupa ruas, praças e largos do centro histórico e volta a transformar a cidade num palco vivo durante três dias.
O cartaz desta edição reúne alguns dos nomes mais marcantes da música portuguesa, projetos em plena afirmação e artistas que fazem agora as suas primeiras aparições no festival. Slow J, Carminho e Orquestra do Algarve, Bárbara Tinoco, Wet Bed Gang, The Gift, Clã, Moonspell, Nelson Freitas, Tz da Coronel, Papillon, HMB, D.A.M.A, Branko, Chico da Tina, ÁTOA, Ricardo Ribeiro e Orquestra de Jazz do Algarve, Maninho, Mind da Gap e Danni Gato encabeçam uma programação que atravessa a pop, o hip hop, o fado, o rock, a eletrónica e o jazz, e que confirma a identidade que o Festival F construiu ao longo de mais de uma década.
Entre os momentos mais aguardados estão dois encontros pensados especialmente para Faro. No dia 04, Ricardo Ribeiro atua acompanhado pela Orquestra de Jazz do Algarve e, no dia 05, Carminho apresenta um concerto com a Orquestra do Algarve. Dois programas que aproximam duas das maiores vozes do fado a formações profundamente ligadas à região.
A presença de Tz da Coronel, no dia 04, volta a reforçar a ligação histórica entre Portugal e o Brasil, enquanto Nelson Freitas, na mesma noite, traz a Faro um dos nomes de referência da música cabo-verdiana contemporânea. A esta abertura junta-se uma forte representação regional, com cerca de 30% do cartaz composto por artistas algarvios, uma presença que resulta do mérito e da vitalidade da criação musical que nasce na região.
O regresso do Palco Fábrica reforça, nesta edição, os espaços dedicados à descoberta, ao lado dos palcos Museu, Arco e Músicos. Nomes como Lana Gasparøtti, Femme Falafel, Mães Solteiras, SOTTO, Pelados, INHUMAN, Mirage People, Daniel Kemish, Latte, akur, Espama Trincana, IBSXJAUR, Puntzchick ou Untitled juntam-se a um circuito onde cabem também PAUS, Irina Barros, ALCOOL CLUB, Lucas Ortet, ARAGÃO, Bizarra Locomotiva, Camaleão Azul e King Bigs, e onde as noites se prolongam até de madrugada.
Para lá dos concertos, a programação continua pelas ruas da Vila Adentro. Durante os três dias, o festival abre espaço à conversa com três tertúlias dedicadas a diferentes temas da música. A 03 de setembro, o ponto de partida é a Música no Feminino. No dia seguinte, Manuela Azevedo, Fernando Ribeiro e Martim Sousa Tavares juntam-se numa mesa que cruza o pop, o metal e a música erudita e no dia 05 de setembro, o Hip Hop Nacional está no centro da discussão.
A estas propostas juntam-se o Artists & Fleas, na Rua Galp, o Fagar Kids F, no Largo de São Francisco, as exposições no Museu Municipal de Faro e na Galeria Municipal Trem "Manuel Baptista", a exposição da ALFA e a mostra da fotógrafa Kathryn Barnard na Galeria Arco, o videomapping apresentado pela Fuse - design lab no Palco Fábrica, a zona de street food do Largo Afonso III e as arruadas, a dança, a poesia e o Grupo Coral Ossónoba, que percorrem o recinto entre concertos
Durante três dias, o Festival F volta assim a convidar o público a descobrir Faro para lá dos palcos. Entre ruas históricas, muralhas e edifícios emblemáticos da Vila Adentro, a música cruza-se com o património e a proximidade entre artistas e público cria uma experiência única. A Ria Formosa, que abraça toda a cidade, completa um convite para viver Faro em toda a sua riqueza cultural, histórica e natural.
Organizado pela Câmara Municipal de Faro, Ambifaro e Teatro das Figuras, o Festival F continua a crescer e a reforçar a sua missão: valorizar a criação artística, apoiar novos talentos e contribuir para o desenvolvimento cultural e social da cidade de Faro, do Algarve e do país.
Bilhetes e programação em festivalf.pt.
03 de setembro
Bárbara Tinoco, Wet Bed Gang, D.A.M.A, HMB, Chico da Tina, ÁTOA, PAUS, Rafael Toral, Jasmim, Irina Barros, Afonso Rodrigues, Ana Tereza, João Tiago Neto, Lana Gasparøtti, Femme Falafel, Mães Solteiras, ALCOOL CLUB, SOTTO, Curadoria Real Punch com Billy Fresh, Reverse e Vil & ZH, Gijoe + Gaiatos Capote, Bica e Vasco Trindade Trio.
04 de setembro
The Gift, Moonspell, Clã, Nelson Freitas, Tz da Coronel, Ricardo Ribeiro e Orquestra de Jazz do Algarve, Bizarra Locomotiva, ARAGÃO, Pelados, INHUMAN, Lucas Ortet, Joana Almeirante, Diana Vilarinho, Rita Cortezão, Daniel Kemish, Mirage People, MUST BE BLUE, SB03, L.A.R, João Melgueira, Algarve Jazz Collective e DANZ, em DJ set.
05 de setembro
Slow J, Carminho e Orquestra do Algarve, Branko, Papillon, Mind da Gap, Maninho, Danni Gato, Camaleão Azul, Elisa, Peculiar, TRAVO, Peixe, King Bigs, Herlander, Micáh, Latte, Gonçalo Mendes, Espama Trincana, IBSXJAUR, akur, Puntzchick, Sofia Rodrigues e Untitled.
Silent Party by Citroën
Nos três dias, no Palco Castelo, o público escolhe entre dois DJ através dos auscultadores disponibilizados pelo festival. Uma pista onde cada pessoa dança ao seu próprio som e onde, para quem está de fora, o silêncio também faz parte da experiência.
PROGRAMAÇÃO PARALELA
Tertúlias — Durante os três dias, o Festival F abre espaço à conversa. A 03 de setembro, o ponto de partida é a Música no Feminino. A 04, Manuela Azevedo, Fernando Ribeiro e Martim Sousa Tavares juntam-se numa mesa que cruza o pop, o metal e a música erudita, no mesmo dia em que os Clã e os Moonspell sobem aos palcos do festival. A 05, o Hip Hop Nacional está no centro da discussão.
Artists & Fleas — Na Rua Galp, o Artists & Fleas reúne criadores, artistas e pequenos produtores independentes. Artesanato, design, ilustração, moda, joalharia, cosmética natural e outros projetos autorais encontram aqui um espaço de encontro com o público, numa plataforma que procura criar comunidade em torno da criatividade e dar visibilidade a projetos independentes, muitos deles ligados ao Algarve.
Fagar Kids F — No Largo de São Francisco, junto ao Palco Ria, é o espaço dedicado às crianças entre os 6 e os 10 anos. Entre as 20h00 e as 24h00, os mais novos participam em diferentes atividades e experiências lúdico-pedagógicas, reforçando uma programação pensada para ser vivida por várias gerações ao mesmo tempo.
Exposições — O Museu Municipal de Faro, antigo Convento de Nossa Senhora da Assunção, recebe "Olhar a Paisagem: A partir das coleções do MNAA" e "Arte Portuguesa Século XIX-XX: Coleção Miguel Duarte". Na Galeria Municipal Trem "Manuel Baptista" pode ver-se "Manuel Baptista: Arquivos (in)visíveis".
Fotografia — A ALFA, Associação Livre de Fotógrafos do Algarve, apresenta uma exposição de fotografia e promove, na Galeria Arco, junto ao Palco Arco, uma mostra da fotógrafa norte-americana Kathryn Barnard.
Videomapping — No Palco Fábrica, a Fuse - design lab apresenta projeções que cruzam imagem, luz e som, levando a criação visual para o espaço público e acrescentando uma nova dimensão ao percurso pelo centro histórico.
Artes performativas — Entre concertos, a programação continua pelas ruas. O Grupo Coral Ossónoba, a dança da Urban Expression, a Poesia e Companhia e as arruadas de Al Fanfare e Funkarmonica levam diferentes linguagens à Vila Adentro e fazem do caminho entre palcos parte do programa.
Street food — No Largo Afonso III, a zona de street food tem música ao longo dos três dias, com um DJ a acompanhar o espaço e a criar mais um ponto de encontro dentro do recinto.
SEMPRALESTA NAS PLATAFORMAS DIGITAIS
Depois de uma paragem emblemática na estação interestelar das baladas, os SemprAleste retomam a rota do Planeta Rock.
"Alguém Como Tu" é uma janela para a imaginação, com sons que vestem personagens e letras que entrelaçam cometas. Celebram-se desencontros, ponderam-se reencontros, refazem-se passados com memórias do futuro, quando, afinal, a nave espacial é o sofá da sala, e os sonhos cabem todos dentro do rectângulo mágico e dos livros de quadradinhos, onde vivem os que voam sem sair do lugar.
Um mistério luminoso, feito para existir muito depois de a música terminar.
XICO GAIATO LANÇA DISCO DE ESTREIA
No próximo 10 de setembro, Xico Gaiato lança "A Cada Passo Que Dou", o seu álbum de estreia editado pela Omnichord.
Depois de revelar, este ano, os singles "Voltas e Voltas" e "Na Raiz", Francisco Barata apresenta finalmente o disco na íntegra, que nasce na Beira Interior para construir um universo profundamente ligado ao território, à memória e à identidade.
Além da edição digital, "A Cada Passo Que Dou" contará também com uma edição especial em vinil e CD, pensada para ganhar lugar nas estantes, nos gira-discos e nas casas de quem quiser levar estas canções consigo.
A cada passo que dou
"A Cada Passo Que Dou" é composto por 14 canções onde Francisco Barata parte dos sons que marcaram a sua infância na Beira Interior para os reinterpretar através da eletrónica e da pop, onde abre um novo lugar para a exploração da música tradicional.
Parte do disco foi gravada em residência artística nas Donas, aldeia onde cresceu a sua mãe, e é aí que ganham forma muitos dos sons que atravessam o álbum, dos bombos ao pífaro. Uma das canções, com a participação de Rossana, nasceu também durante uma sessão criativa realizada no Cabeço do Pião, junto às antigas Minas da Panasqueira.
O álbum dialoga entre passado e presente, revisitando lugares, histórias e sonoridades para construir uma identidade profundamente enraizada no território. Ao longo das canções, Xico Gaiato convida o público a construir o seu próprio imaginário, a explorar temas como a aceitação da identidade, a dúvida e a procura de um lugar no mundo.
Sem nunca perder de vista o lugar de onde parte, "A Cada Passo Que Dou" afirma-se como um disco que olha para o território, a memória e a identidade com a mesma vontade de questionar, emocionar e abrir novos caminhos.
O álbum será apresentado ao vivo pela primeira vez no Auditório da Moagem, no Fundão, no próprio dia 10 de setembro, cidade onde o projeto nasceu.
Seguem-se os concertos no Teatrão, em Coimbra, a 16 de setembro, na Casa da Criatividade, em São João da Madeira, a 17 de setembro, na Casa Capitão, em Lisboa, a 2 de Outubro e nos Maus Hábitos, no Porto, a 9 de outubro.
SINGLES
“Voltas e Voltas” foi o primeiro single deste disco e uma das canções mais antigas. Escrita durante a chegada de Xico a Lisboa para estudar, a canção nasce de um período marcado pela desorientação, pela ausência de referências e pelo confronto com o desconhecido.
“Na Raiz”, foi criado e gravado em 2025. Da união entre Xico Gaiato e Bia Maria, duas vozes profundamente ligadas ao território nasce uma canção que olha para as comunidades que resistem, permanecem e se reconstroem. Cantam um futuro mais unido, coletivo, rural e justo.
ANA RITA TEM NOVO SINGLE
“Início, meio e fim” é um pop português sobre reencontrarmo-nos e termos coragem para escrever a nossa própria história. Nasceu em Londres, cidade com que sonhava desde criança e onde Ana Rita realizou o sonho de estudar música. Escreveu-a junto à janela do seu quarto, entre a mudança, a saudade e a liberdade. É um grito de crescimento, identidade e recomeço feita para todos os que ainda se permitem sonhar.
Estará disponível no dia 4 de setembro em todas as plataformas digitais.
Ana Rita é uma cantora e compositora portuguesa que encontrou na música, desde muito cedo, uma forma de sonhar, sentir e contar histórias. Aos 12 anos criou o seu primeiro canal de YouTube, onde começou a partilhar covers e a dar os primeiros passos do seu caminho artístico.
Encontra no pop a sua principal linguagem, explorando temas como o amor, a mudança e os sonhos. Em 2024, participou no The Voice Portugal, experiência que marcou uma nova etapa no seu percurso. Desde então, tem vindo a afirmar-se tanto na composição como nos palcos, tendo já partilhado palco com Diogo Piçarra e atuado nas Festas de São João e na Festa na Praça do Continente , ambas em Braga.
A passagem por Londres trouxe novas experiências e inspiração para a sua escrita, dando origem a algumas das suas canções mais pessoais. Assim nasce “Início, meio e fim”, uma canção sobre recomeços e a coragem de continuar a acreditar nos próprios sonhos.
Partilhamos esta novidade nas vossas páginas e plataformas digitais. Ficamos inteiramente à disposição para enviar fotografias de alta resolução ou agendar uma entrevista (presencial ou online) com a Ana Rita, de forma a aprofundar a história por trás deste lançamento.
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
PROGRAMA DE 27/08/26
2 - Malva - Antes de mais
4 - Carlos Peninha - Cinco legendas para uma fotografia
HEAVY/OCEAN COM NOVIDADES
5 anos após o lançamento original de "H/O", os HEAVY/OCEAN anunciam uma edição especial em vinil. Esta edição comemorativa assinala cinco anos de um dos momentos mais marcantes na carreira da banda.
Originalmente lançado a 20 de agosto de 2021, "H/O", representa a concretização da evolução da banda, desde as suas origens enquanto projeto de garagem, até à afirmação de uma identidade musical mais sólida, madura e profissional.
Para assinalar este aniversário, "H/O", é agora disponibilizado numa edição especial limitada em vinil 12", 140g, disponível em 2 versões, pensadas especialmente para colecionadores - crystal e splatter.
A edição estará disponível a partir de 20 de agosto de 2026, através da própria banda e mais tarde em algumas lojas, estando limitada a 50 cópias de cada variante.
Esta edição permite que o álbum alcance um público mais vasto, chegando também a novos ouvintes que ainda não conhecem a banda, proporcionando a oportunidade de descobrir este trabalho.
SOBRE O ÁLBUM
Lançado em 2021, "H/O", é o culminar de uma longa e agitada viagem que foi inspirada em vivências do quotidiano da banda, e que espelha igualmente o amor e dedicação que têm pela música.
A interpretação do álbum fica aberta a cada ouvinte, sem procurar impor uma leitura ou um significado específico. Cada música pode ser sentida de forma diferente, permitindo que cada pessoa construa a sua própria relação com o disco e lhe atribua um significado pessoal.
O álbum inclui temas como "Numb", do qual foi feito um videoclipe, "Ten Ton Heart" em formato visualizer.
Uma edição para assinalar os 5 anos
Mais do que uma simples reedição, esta edição pretende celebrar o percurso de um álbum que continua a fazer parte da identidade dos HEAVY/OCEAN.
A ideia inicial sempre foi lançar o álbum em vinil, o sonho foi sempre esse. Entretanto, a vida meteu-se pelo meio, e a banda acabou por lançar o álbum (streaming e cd's) em plena pandemia, e sem planos concretos para uma versão em vinil.
Com a aproximação do 5º aniversário do lançamento, proporcionou-se uma ótima oportunidade para fechar este ciclo e assinalar o início de um novo capítulo na história de HEAVY/OCEAN.
A nova edição apresenta vinil de 12", 140gm - crystal e splatter - com uma nova masterização, prensado na Audiowax.
Gravação, Produção, Masterização
Gravado e misturado por André Matos no Raising Legends Studios entre 2019 e 2020
Produzido por HEAVY/OCEAN e André Matos
Masterização álbum digital: Dominik Pumpa (DPK Studios)
Masterização vinil: Carlos Nascimento
Artwork e design: Ricardo Vasconcelos
Design adicional: Nuno Queirós
Atualmente os HEAVY/OCEAN encontram-se a gravar o sucessor de "H/O".
CARA DE ESPELHO AO VIVO: MONTIJO E FESTA DO AVANTE!
Jorge Buco29 AGO | MONTIJO
LARGO DA IGREJA DE SANTO ISIDRO DE PEGÕES
22h00 | Entrada gratuita
05 SET | FESTA DO AVANTE!
AUDITÓRIO 1.º DE MAIO
21h15
Dois concertos nos quais o coletivo promete levar ao público a sua particular fusão entre tradição e contemporaneidade, cruzando a música popular portuguesa com uma leitura crítica e irreverente do presente.
Cara de Espelho estrearam-se em 2024 com o álbum homónimo e rapidamente se afirmaram como uma das bandas mais inovadoras e promissoras do panorama musical português. A sonoridade única, que cruza tradição e experimentação, valeu-lhes a presença nas principais listas dos melhores discos do ano de 2024, atuações em festivais como FNAC Live, Festival MED, FMM Sines, Bons Sons e MEO Kalorama, bem como duas nomeações para os Iberian Festival Awards, o prémio de Melhor Banda nos Futurawards e o Prémio PLAY para Melhor Reinterpretação da Música Tradicional.
Formada por Carlos Guerreiro, Luís J Martins, Maria Antónia Mendes, Nuno Prata, Pedro da Silva Martins e Sérgio Nascimento, a banda apresenta agora “B”, um disco que consolida o seu posicionamento artístico e confirma Cara de Espelho como um projeto onde a canção continua a ser espaço de observação, ironia e pensamento.
GUIA INDIE MUSIC FEST 2026: HORÁRIOS, PALCOS E SHUTTLES
O Indie Music Fest 2026 arranca a 3 de Setembro. Ao longo de três dias, o festival apresenta, na Floresta Mágica da Quinta do Cabo, em Baltar, Paredes, 40 atuações. Este ano, pela primeira vez, com artistas internacionais no cartaz. O primeiro dia é de entrada gratuita. Eis tudo o que precisa de saber sobre o regresso do Indie Music Fest.
A edição de 2026 arranca a 3 de setembro com um dia de entrada gratuita dedicado ao projeto Indie Talents. Depois de encerradas as candidaturas, sete artistas emergentes foram selecionados para atuar e disputar um prémio de 500 euros, bem como a gravação de um tema nos Stone Sound Studios. A noite faz-se de talento nacional e ao cartaz juntam-se artistas convidados, como os Warout, uma das bandas emergentes do thrash metal português.
Palco Super Bock
18h01: DJ Pitchy
20h30: The Carpets
21h45: Silly Boy Blue
23h01: Youth Yard
00h15: Warout
01h10: Mariska
Palco Beffer
20h01: Luís Contrário
21h15: JUG
22h30: Marta Lima
23h45: Sem Tarola
Ao segundo dia de Indie Music Fest, pela primeira vez na sua história, há artistas internacionais na programação. São três os palcos em funcionamento. Destaque especial para duas estreias absolutas em solo português: os belgas Lézard, numa altura em que conquistam cada vez mais fãs pelas suas atuações explosivas e os Soma Please, dupla luso-britânica que traz ao festival os seus sintetizadores etéreos e ritmos pulsantes. Também os belgas Lander & Adriaan, duo que cruza jazz com música de dança underground dos anos 90 e que se tem afirmado como um dos projetos mais entusiasmantes da nova cena eletrónica europeia, sobem a palco. Os portugueses Beatriz Pessoa, Nunca Mates o Mandarim, Femme Falafel e Xtinto, celebram a missão primordial do Indie Music Fest de dar voz à música independente portuguesa.
Palco RTP Antena 3
18h01: Beatriz Pessoa
19h50: Nunca Mates o Mandarim
21h40: Femme Falafel
23h40: Xtinto
01h20: Lander & Adriaan
Palco Super Bock
15h01: DJ Moni
17h30: Monstro
19h10: Celso
21h01: Bardino
23h01: Soma Please
00h30: Lézard
02h20: Tiago Carvalho
Palco Beffer
17h01: Samuel Mor
18h40: Trouble Trouble
20h30: Evols
22h20: Puro L
O terceiro e último dia do Indie Music Fest é encerrado pelos londrinos Sports Team, nomeados para um Mercury Prize, uma das bandas mais irreverentes da nova geração do indie rock britânico. A programação reforça igualmente a presença da música portuguesa com o regresso dos PAUS, numa das datas da digressão de despedida da banda, e de Capital da Bulgária, projeto de Sofia Reis, que ganhou notoriedade com o EP “Pequeno-Almoço”, o álbum “contei e deixei que tu me julgasses” e a participação no Festival da Canção. Também nesse dia o talento nacional dos Expresso Transatlântico, Them Flying Monkeys, Vaiapraia, entre outros.
Palco RTP Antena 3
18h01: Ela Jaguar
19h50: Elias
21h40: Expresso Transatlântico
23h40: PAUS
01h10: Sports Team
Palco Super Bock
15h01: DJZYN
17h30: Santos Carneiro
19h10: Capital da Bulgária
21h01: Rapaz Ego
23h01: Them Flying Monkeys
00h30: Vaiapraia
02h20: Gusta-Vo + Dani
04:01: DJ Tendency
Palco Beffer
17h01: The Green Bin
18h40: Ben & G
20h30: Jepards
22h20: IBSXJAUR
Além da programação musical, o Indie Music Fest aposta mais uma vez numa experiência alargada, com zonas de lazer como a Piscina e o Fúria Wakerange - para a prática de wakeboard; aulas gratuitas de skate e BMX, no novo Skate Park de Paredes, uma atividade de crosstraining e parede de escalada com mega slide, e ainda, no regresso do Mercado Indie (disponível no mesmo horário do recinto: 3 de setembro das 18h00 às 00h00 e 4 e 5 de setembro das 16h00 às 02h00) e do espaço Mini-Indie, que este ano apresenta um showcooking com o Chefe Roobs, dias 4 e 5, às 16h00.
A organização disponibiliza novamente este ano shuttles gratuitos entre a estação ferroviária de Paredes e o recinto. Os festivaleiros terão ao seu dispor vários horários para este transfer, evitando assim deslocar-se em viatura própria. Haverá também transporte disponível entre o recinto do festival e a Piscina e o Fúria Wakerage. Para mais informações sobre os horários disponíveis, por favor consultar o site do festival.
Os passes gerais, com acesso ao camping, encontram-se disponíveis por 35 euros e podem ser adquiridos online ou na bilheteira do recinto, aberta dias 1 e 2 de setembro das 10h00 às 00h00, dia 3 das 10h00 às 02h00 e dias 4 a 5 das 10h00 às 3h00. O primeiro dia do festival é de entrada gratuita.
FALA POVO FALA ANUNCIAM DISCO
Os Fala Povo Fala preparam-se para editar “Punks Populares”, o primeiro álbum do projeto português que cruza tradição popular, canção de autor e uma atitude crua próxima do punk. O disco será lançado no dia 17 de setembro e apresentado ao vivo nessa mesma data na Casa Capitão, em Lisboa, num concerto que sucede à passagem do grupo pela Festa do Avante!, onde atua a 5 de setembro.
Formados por Senhor Vulcão, Jacaréu e A Culpa do Joni, três cantautores com percursos individuais distintos, os Fala Povo Fala encontram no projeto um território comum para trabalhar a palavra, a música e as raízes portuguesas a partir de uma perspetiva contemporânea. Mais do que a soma dos trabalhos individuais dos seus elementos, o coletivo desenvolveu uma linguagem própria onde tradição e presente se confrontam e complementam.
“Punks Populares” traduz essa identidade desde o título. A designação parte de uma expressão utilizada para caracterizar o grupo e que os próprios acabaram por reconhecer como representativa de uma parte importante da sua música: uma combinação entre elementos profundamente ligados à tradição portuguesa e uma atitude mais direta, crua e punk, presente tanto na interpretação como em algumas das letras.
Essa relação com a música tradicional encontra-se também na própria construção sonora do álbum. Cerca de 90% das bases foram gravadas exclusivamente com instrumentos acústicos, entre cordofones e bombo, procurando preservar uma dimensão orgânica que contrasta com a postura mais imediata e pouco artificiosa que caracteriza os Fala Povo Fala em palco.
O povo, o campo e a tradição surgem como referências centrais de um trabalho que observa igualmente as transformações sociais e culturais das últimas gerações. Entre o universo dos avós e a aceleração da contemporaneidade, os Fala Povo Fala exploram essa mudança através de canções onde convivem comentário social, ironia, amor e partilha.
Depois de terem apresentado “O Povo Já Não Tem”, o coletivo revelará com o álbum um novo single, “Travessa”, que acompanha a edição de “Punks Populares” a 17 de setembro.
Antes do lançamento, os Fala Povo Fala passam pela edição de 2026 da Festa do Avante!, com concerto marcado para 5 de setembro. A atuação antecede a apresentação oficial do disco, que acontece doze dias depois, a 17 de setembro, na Casa Capitão, em Lisboa.
A dimensão coletiva ocupa também um lugar central nos concertos dos Fala Povo Fala, entendidos pelo próprio grupo como “celebrações”. Música e palavra partilham o mesmo espaço e a poesia integra a própria estrutura das atuações através do “Banco do Povo”, momento em que poetas convidados tomam a palavra antes de o lugar ficar disponível para intervenções do próprio público.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
REVIVER A ALDEIA PORQUE O QUE É NACIONAL É BOM
Por isso, voltar a pisar aquele chão causou-nos arrepios na espinha. Como foi bom reviver cada um daqueles recantos, e encontrar aquelas gentes. Para quem vive na confusão da cidade todo ano, respirar aquele ar é terapêutico.
Voltar a mergulhar nos sons nacionais, faz-nos perceber que a música portuguesa está de boa saúde e que um festival como o Bons Sons faz todo o sentido.
Foram quatro dias intensos, este ano sem tempo de ver tudo, mas quase. Em 2026 chegou um palco novo de nome Rosa Ramalho, em homenagem à ceramista de Barcelos, que ficava ali mesmo ao lado, numas hortas, e que batia ligeiramente com o que acontecia noutro local. Mesmo o que se passava no auditório, não dava hipótese de ver, pois tinha a sua existência em cima de outras acontecimentos e obrigava a uma escolha.
Tirando isso foram quatro dias intensos de concertos inesquecíveis, que como é lógico, fomos gostando de maneira diferente.
E a ajudar à festa, todo o ambiente de fraternidade ali vivido. por quem chega e por quem está e ajuda a montar e leva até ao ponto final os Bons Sons, fazendo de Cem Soldos uma paragem obrigatória em agosto.
20 anos já lá vão, venham mais 20 para nos voltarmos a reencontrar, sempre que o calendário assim o ditar.
Entre 6 e 9 de agosto foram mais de três dezenas os concertos em que pusemos a vista em cima. Fica a narração sincera de quem vos escreve, de coração aberto e alma cheia.
Dia 6 de agosto
Dia 6 começou no palco A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPAGDP), com o trio Serigosa. Duas meninas espanholas e uma portuguesa recriaram com mestria sons ibéricos. Respiramos por instastes muito do que a cultura desta península que não é só nossa nos tem para ofertar. Sons por vezes misturados com instrumentos mais clássicos como o violoncelo. Foi gracioso.
Um pouco mais acima no palco Giacometti. Líquen, que ali estava por ter vencido uma das edições do Termómetro, agraciou todos com um som doce que tanto é pop, como depois pode ser tradicional. Constança Ochoa mistura tudo isto e muito mais de forma requintada e agarra o público, que aquela hora da tarde (15h30) já suava em bica.
Continuando a subir até em frente à Igreja, paramos no palco Amália para escutar Claiana. Voz, baixo e eletrónicas trazem ritmos africanos, bem dançáveis, obrigando todos a bater o pé. Concerto frenético e bem balanceado.
Depois, um passeio de quase 20 minutos até uma das hortas que alberga o palco Rosa Ramalho. À nossa espera. Tiago Castro, mais conhecido por Acid Acid. Momento relaxante, onde sons inspirados por algum krautrock, nos fazem voar até ao espaço. Foi leve e muito bom.
Pela primeira vez no palco Lopes Graça, fomos levados até ao mundo dos Miss Universo. Formados por André Ruivo e Afonso Branco (neto de José Mário Branco), fizeram da palavra de ordem uma bela arma, durante este concerto, acabando quase a homenagear José Mário Branco em FMI. Ofertaram a todos um som que tanto foi rock, como por vezes quase canção de autor e outras até mesmo tradicional. Foi um concerto certeiro, sem grandes sobressaltos, que sem nos causar muitas borbulhas, nos deixou mesmo assim com um sorriso nos lábios
Depois, enorme viagem até ao palco António Variações para escutar o punk aguçado dos Mães Solteiras, a banda que tem nas suas fileiras as “estrelas” Ricardo Martins na bateria, André Henriques na guitarra, Gaza no baixo e Quim Albergaria na voz. Foi altura de partir a loiça, gritar palavras de ordem e incitar todos ao moche. E assim foi, levantou-se pó do chão numa atuação de punho no ar, que mexeu com todos os presentes.
Voltando ao palco Lopes Graça, encontramos os vizinhos Quinta do Bill, banda que anda na estrada desde finais dos anos 80. Com muitos êxitos na mala, conseguiram agarrar de forma sábia a audiência, que vai vibrando ao som da banda. Foram momentos bem passados ao som da folk dos Quinta do Bill, ou se quisermos mesmo do som mais medieval que nos oferecem, essencialmente nos temas instrumentais.
Era quase uma da manhã quando Xullaji subiu ao palco António Variações, trazendo na manga muitas palavras de ordem, fossem, elas cantadas ou ditas, de punho erguido. Senhor que já vimos noutras paragens, com outros nomes, brindou todos com um hip hop certeiro, como ditam as boas regras. Teve momentos mais rimados e outros que devido a alguns instrumentos em palco soaram mais soul. Foi um belo fim de primeiro dia.
Já não houve força para ir espreitar Pedro da Linha no palco Aguardela. A cama chamava pelo corpo, e este era apenas o fim do princípio.
Dia 7 de agosto
No sítio de MPAGDP tudo começou com Sons do Lagar e Coro da Cura juntos. Os primeiros da Lousã os segundos o coro oficial da MPAGDP, de Serpins. No ar foram soltando canções que o Tiago Pereira e a sua equipa têm recolhido por esse Portugal fora. Foi uma volta a Portugal por sons tradicionais, que nos mostram o melhor do nosso país.
Depois no palco Giacometti foi a vez de Rita Cortezão que ganhou lugar no Bons Sons por ter vencido uma das últimas edições do Festival Termómetro. Munida de um teclado, foi debitando sons intimistas, que estavam difíceis de penetrar o corpo devido ao suor. Ficou a vontade de a ver num local mais intimista, pois deixou mesmo assim algumas boas marcas, no ar.
Desta vez não fomos até às hortas, ver Natércia Lameiro, a portuguesa do trio Serigosa manusear o seu acordeão.
Em contrapartida fomos ao largo de MPAGDP “fazer ideia” do que lá se passava. Aqui um “casal” munido de uma guitarra acústica e depois de um pequeno piano, e com algumas placas de cartão com dizeres, iam debitando e cantando canções quase de intervenção e jogando com as palavras de forma muito divertida. Humor quase negro muitas vezes, mas bastante inteligentes. Foi bonita a viagem dos dois por entre o público presente.
Vimos depois em passo alargado até ao palco Giacometti para não perder nada de Rossana, a menina que vive entre Portugal e Inglaterra e que aqui foi acompanhada por músicos ingleses e portugueses. Mais um dos grandes shows deste festival, onde a música tradicional é reinventada e se mistura com uma pop cativante. Rossana é uma fera de palco oferecendo sensualidade a todos os presentes. Impossível resistir a este som, que misturava instrumentos tradicionais com guitarras elétricas e outros e nos obrigava a dançar.
Sozinho com uma guitarra acústica, no enorme palco Zeca Afonso, o brasileiro Luca Argel, que se naturalizou português para um dia poder tocar no Bons Sons. Este foi um concerto intimista, e muito sereno que quase em início de noite relaxou os corpos estendidos no tapete. Entre temas, algumas palavras de luta, logo iam sendo quebradas pelas cordas da guitarra. Foi um belo e grande retrato do que é vir do Brasil e ganhar o seu lugar devido a um talento que dificilmente se esconde.
Logo a seguir vamos até ao palco Lopes Graça, para presenciar a atuação dos Xauxau Dodô. Apesar de ser um grupo com excelentes músicos, uma voz doce, e sons que têm muito de soul, não conseguiram agarrar grande parte de quem os escutava. Faltou um pouco mais de garra para conseguirem bater certeiros nos nossos corações. Deixaram, no entanto, bons indicadores e a vontade de os voltar a ver.
Viagem grande até à estação Zeca Afonso. Ao chegar deparamos que o comboio está atrasado, o que é raro acontecer por estas paragens. Resolvidos os problemas, somos brindados com o jazz potente dos Yakuza. Contudo, o fumo constante e o jogo de luzes foi-nos impedindo a espaços de usufruir da melhor maneira deste concerto. Foi pena, pois quem já os viu, diz serem muito bons. E em disco valem mesmo a pena.
Um pouquito mais acima somos levados, no Lopes Graça, pela mão dos “velhinhos” TT Syndicate numa viagem até aos anos 50. Passeio nostálgico, mas muito delicioso. São muitos anos de palcos a deixarem marcas, que fazem a perfeição, no corpo destes músicos. O público respondeu e gerou-se um entrosamento bonito entre a plateia e o palco.
Quase a chegar o fim da noite, é “montada” uma pista de dança no palco António Variações para receber Fidju Kitxora, que nos brindam com ritmos bem dançáveis, que buscam essencialmente a sua raiz em Cabo Verde. A um DJ são juntos instrumentos reais que trazem um som mais orgânico a estas canções. Foram momentos de pura dança no palco ou cá em baixo. Houve até tempo, coisa inédita, de ofertar um vinil a um dos fotógrafos presente, neste caso o bom amigo Fausto Silva. Foi um concerto a fazer mexer as pernas, e por isso já não tivemos força par ir ao palco Aguardela ver os Brandos Costumes.
Dia 8 de agosto
E ao terceiro dia conforme as escrituras tudo começou como de costume no palco de MPAGDP. Os The Suma trazem palavras de ordem em formato spoken word, misturadas com variados sopros. Um agradável momento de alguma experimentação.
Mais abaixo no palco Giacometti, Lisa Sereno oferece a todos, e como nos revela o seu nome, um concerto sereno. Um momento de partilha de bela pop, servida por uma voz sensual. Foi celestial.
Seguem-se as Crua, no palco Amália, que o calor descomunal quase fritava. Vindas do Porto, ofertaram à imensa multidão sons tradicionais servidos por percussões. Momento alto onde se mostrou o melhor da cultura popular.
Deixamos as Crua a meio, para rumarmos a uma nova horta. No palco Rosa Ramalho, Calcutá esperava por nós para mostrar algumas canções do seu primeiro disco editado pela Ovo Estrelado. Acompanhada de contrabaixo e bateria, Calcutá, munida de guitarra elétrica e voz foi soltando canções geometricamente arranjadas, onde alguns sons mais sónicos ornamentavam os arranjos. Momento sereno no meio da natureza que dava para pintar uma aguarela, ao som das vozes por vezes mais etéreas de Teresa.
De volta ao palco Giacometti a tempo de ver os Marquise. Pelo caminho fica o Coro Alarido. que já não tivemos tempo de escutar junto à igreja. Os Marquise, depois de uma falsa partida, lá encarreiram, dando um concerto certinho, sem muitos altos e baixos. Foi o bastante para não desiludirem, e mostrarem o seu rock, que por vezes nos parece soar melhor em disco.
Descemos a seguir, e com cuidado, até ao palco Zeca Afonso, para cumprimentar Jorge Cruz e os Torrente. Os Torrente, são O Marta na guitarra e os restantes, gente que já vimos nos Retimbrar. Jorge Cruz veio munido de muitas canções que já conhecemos, dando-lhes novas roupagens. Como sempre o tradicional é um condimento forte da sua escrita. Tempo ainda para passarem pelo palco B Fachada e Rossana. Ficámos de coração cheio e muito curiosos à espera do novo disco.
Já em cima, no Lopes Graça, Luís Varatojo e companheiros iniciavam a prestação de Luta Livre. Sim, estas são canções de luta, livres e certeiras. Uma pop dançável, onde alguma tradição marca presença. Foram uns minutos bem passados ao som destas novas canções de intervenção. Os tempos são conturbados, é bem verdade.
Quase sem tempo para respirar, subimos ao palco António Variações. Por lá os Mordo Mia vão soltando alguma esquizofrenia salutar. Um leque de canções, entre o pop e o rock, difíceis de digerir à primeira. Ficou por isso a vontade de os repetir em palco a ver se à segunda tudo se assimila mais suavemente.
A comemorarem 20 anos, os Cacique 97, levam até ao palco Lopes Graça, o seu afrobeat. Concerto a não deixar ninguém quieto. Músicos cinco estrelas, os Cacique 97 mostram, porque a vida ainda lhes sorri, numa prestação arrebatadora, onde é evidente o gozo que tudo isto lhes dá. E a sorte grande sai-nos a nós, felizmente.
Mais uma vez, e como o suor era muito, fomos descansar e não tivemos força para ir ao palco Aguardela ver Catarina Silva.
9 de agosto
A MPAGDP oferece para início do último dia no seu palco, o som do Cancioneiro de Benfica. A ideia parte de Tiago Pereira que vai registando naquela freguesia de Lisboa, canções interpretadas pelos seus residentes. O coro que também alberga gentes daquelas paragens pega nessas canções, que podem ser hip hop, pop ou outra coisa qualquer e depois as canta à sua maneira. Para além de algumas gravações, tivemos alguns dos cantores em palco, a mostrarem as suas crias. Ou seja, ouvimos primeiro o original e sempre depois a versão feita para as vozes do coro. Alguns resultados são muito curiosos.
Logo a seguir, debaixo de um sol de rachar, perto das 15h30, no palco Giacometti, o punk puro e duro dos Cortada. Tudo se espera ouvir àquela hora menos este punk. A estranheza causa em muitos boas reações, uma vez que os Cortada não deixaram os créditos por mãos alheias. Foi um concerto forte, onde as palavras têm um lugar certeiro. Quase a desidratar, resolvemos o assunto com uma bela cerveja.
Louvor às Pauliteiras de Miranda do Douro e músicos acompanhantes pela entrega total, debaixo de tanto calor. As fatiotas não ajudavam, as coreografias muito menos, e o fato de andarem a passear pela aldeia complicou tudo. Mas foi este um momento tão gracioso e esbelto, que tanto calor para nós foi quase irrelevante. Afinal a tradição está bem viva, a ver pelos jovens rostos destas pauliteiras.
Lá ao fundo o palco Giacometti veste-se de negro para receber La Família Gitana. As tradições ciganas e as suas músicas são recebidas de forma entusiasta por todos e a festa acontece e tem direito a passos de dança.
Sozinho com um piano de cauda, num palco gigante de nome Zeca Afonso, Máximo consegue um momento, sublime, de comunhão com a vasta audiência. Foi terapêutico e muito relaxante. Os corpos no chão iam sorvendo cada nota que Máximo ia tocando e aplaudiam efusivamente. Numa prestação em que revestiu os seus temas de algum experimentalismo, o destaque vai para a bela versão de “Verdes Anos” do mestre Carlos Paredes.
No palco António Variações a Cremalheira do Apocalipse já está a postos para a festa. De Santo Tirso chega uma comunidade de pessoas portadoras de deficiência, que faz música com tudo aquilo que tem à mão, desde instrumentos mais convencionais, até cafeteiras e testos. As letras são parte importante e dão uma pitada de ironia ao quadro. Momento ímpar a que o público reagiu de forma efusiva e a pedido do ”maestro” não fez moche, fez mochinho.
Logo a seguir um punhado de estrelas sobe ao Lopes Graça, sob o nome de Seara. Júlio Pereira, Daniel Pereira Cristo, Amélia Muge, Rão Kyao e Manuel de Oliveira juntam-se para um momento em que música de raízes essencialmente tradicionais, desta e de outras paragens, é trazida com muita leveza e encanto. Cada um deles teve o seu momento, e cada um brilhou e mostrou a sua mestria da melhor maneira. Apesar de ter sido bom, e vindo de quem vinha, faltou apenas um clique que nos pudesse ter importunado ainda mais. Teria sido muito melhor.
O último “concerto” do festival coube à dupla MXGPU no palco António Variações. Formados pelos produtores Moullinex (Luís Clara Gomes) e GPU Panic (Guilherme Tomé Ribeiro), transformaram a eira numa gigante pista de dança. Entre um som mais eletrónico, a dupla não descura a parte mais humana do seu som onde a voz de tem papel importante. Foi um bom fecho de festa.
Não, a festa afinal só acabaria no palco Aguardela com o Baile Festeiro e o corte do bolo, confecionado pelos locais, a comemorar 20 anos de Bons Sons. Nos pratos malta que criou o Bons Sons e gente que agora lá está, brindou todos com um naipe de temas de bandas que já pisarem aquelas paragens.
O fim
A tristeza já nos invade a alma. Falta tanto tempo para regressar a Cem Soldos. O Bons Sons só deverá voltar em 2028. Como fazer para nos acalmarmos?
Se foi bom? É sempre! Se teve bons concertos? Tem sempre! Se poderiam ter ido outros artistas. Sim, obviamente! Mas quem por lá passou, esteve muito bem e fez desta, outra edição inesquecível. Uns melhores que outros, já foi dito.
E houve tanto para fazer. Tantos reencontros. Novas amizades. Cem Soldos é isto. O Bons Sons é isto. Não é passado, é futuro. São mais 20 anos, ou mais ainda. O Bons Sons somos todos nós, e eles, os de lá. Viver a aldeia é super. Não há festival como este e a música portuguesa agradece.
Um ano em que por graça se dizia, ser o do pé descalço e da palavra. Nos palcos dos Bons Sons foram muitos os artistas a aparecerem descalços a tocar e cantar. Houve também muita palavra e luta em muito concerto, sempre ordeira e sempre urgente.
Pensemos por agora que isto é um até já...
Texto e Fotos: Nuno Ávila
NOVO SINGLE DE SPRAY
Já está disponível TERROR MAKER o novo single dos SPRAY.
Posto de escuta: https://anti-demos-cracia.bandcamp.com/album/terror-maker
SPRAY - TERROR MAKER
ADC160AGO2026
Formato: Digital
PROGRAMA DE 26/08/26
1 - Eden Synthetic Corps - Soothe
2 - Moonspell - Far from good
3 - DRKNSS - Looking for mercy
4 - Wolf X - Abyss
5 - Phantom Vision - Global worning
6 - Mekong - Danse danse
7 - A Trouxa Mouxa - Fai como o José Maria
8 - Sétima Legião - O baile (das sete partidas)
9 - emmy Curl - Senhora do Almortão
10 - Luta Livre - Fado imperfeito
11 - Romeu Bairos - Jacinta
12 - Lituo - Assim assim
13 - João Afonso - Matope
14 - Lavoisier - Portugal não me respeita
15 - Cara de Espelho - D de denúncia
MIGUEL CARMONA ANUNCIA PRIMEIRO CONCERTO EM NOME PRÓPRIO EM LISBOA
Miguel Carmona acaba de anunciar o seu primeiro concerto em nome próprio em Lisboa. A 16 de março de 2027, o artista sobe ao palco do Teatro Maria Matos para um espetáculo que reúne, pela primeira vez, as canções que têm marcado o seu percurso e o segundo álbum de originais, com edição prevista para o início do ano.
Desde os covers e medleys com que começou a conquistar o público às primeiras canções originais, Miguel Carmona tem crescido à vista de quem o acompanha. Em 2024 editou Fora de Horas, o álbum de estreia, e desde então tem vindo a mostrar-se cada vez mais seguro naquilo que quer dizer e, sobretudo, na forma como o quer dizer.
No Teatro Maria Matos, esse universo ganha finalmente dimensão de espetáculo. Fora de Horas encontra-se com as canções mais recentes, entre elas “nada do que eu disse” e "mão dada (versão live acústica)", num concerto pensado de raiz para esta estreia em nome próprio e para apresentar, pela primeira vez ao vivo, o próximo disco.
CAFÉ CURTO REGRESSA AO CONVENTO SÃO FRANCISCO EM COIMBRA
Depois de uma primeira metade do ano com programação regular e de nove sessões do Café Longo integradas no Verão a 2 Tempos, o Café Curto regressa ao Café Concerto do Convento São Francisco no dia 8 de setembro, retomando a sua programação semanal, com direito a uma surpresa no final do ano.
O Café Curto está de regresso ao Café Concerto do Convento São Francisco no dia 8 de setembro, dando início à segunda etapa da programação de 2026. Com curadoria da Blue House, coprodução do Convento São Francisco e financiamento da Câmara Municipal de Coimbra, o ciclo retoma a programação regular que se prolonga até ao final do ano, mantendo a aposta na música emergente e no apoio à criação artística.
Programação Café Curto e Café Duplo
O Café Curto regressa após a pausa de verão no dia 8 de setembro com Dela Marmy, seguido de Sara Cruz no dia 15. A 22 de setembro, a Curadoria Emergentes apresenta Beatriz Madruga, e o mês termina com o Café Duplo de Carlos Raposo e de Mariana Camacho (29 de setembro).
Em outubro, Bernardo Couto atua no dia 6, numa sessão associada ao Festival Correntes de Um Só Rio, seguindo-se a Mafalda no dia 13 de outubro. Já o MIC regressa a 20 de outubro com o Xanfana e o mês encerra, no dia 27, com o Café Duplo protagonizado por Inês Condeço e a italiana Giulia Gallina.
Em novembro, Catarina Branco atua no dia 3 e RUJO sobe ao palco a 10 de novembro. O ciclo prossegue com o Combo Jazz da Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra, a 17 de novembro, e o mês encerra com o Café Duplo de Rita Silva e Pedro Melo Alves, no dia 24.
Já em dezembro, a programação inicia-se no dia 1 com um concerto Clara Maio, o último MIC do ano; segue-se, a 8 de dezembro, um Café Curto com Polar Opposites; a 15 de dezembro, um último momento do Tour Emergente com LIKA; e o ano encerra-se a 22 de dezembro com o último e muito especial Café Duplo de 2026, que será uma espécie de presente de Natal. O projeto vai encerrar a programação de 2026 com uma surpresa, mantendo em segredo os artistas convidados até ao momento da apresentação. A sessão vai ser, simultaneamente, uma forma de fechar o ano do Café Curto e um presente para assinalar o oitavo aniversário da Blue House, que se celebra em dezembro.
ÁGORA REVELA PROGRAMAÇÃO
Durante três dias, o Castelo transforma-se num espaço de encontro entre artistas, público e património. Entre muralhas, cisternas, varandas e outros lugares do monumento, o ÁGORA propõe uma programação que convida a abrandar e a olhar de outra forma para aquilo que nos rodeia.
Mais do que ocupar o Castelo, o ÁGORA procura ativar o espaço através da criação artística. Um lugar que durante séculos foi pensado para proteger e separar pode hoje tornar-se um território de proximidade, partilha e imaginação. A música, a palavra, o corpo e a matéria tornam-se formas de criar novas relações com este património.
Novos artistas e novas criações
A programação recebe agora Djali Binto Kanuté, nascida na Guiné-Bissau, que traz consigo uma herança musical profundamente ligada aos djidius, os cantores tradicionais da sua terra. Entre tradição e contemporaneidade, a sua voz estabelece uma ligação com a memória e a força da música da África Ocidental, numa presença que leva ao Castelo de Leiria uma cultura musical marcada pela oralidade e pela transmissão entre gerações.
O ciclo Antiprincesas chega também ao ÁGORA com a história de Juana Azurduy, mulher-mãe-guerreira de origem indígena que participou nas lutas pela independência da Bolívia. O espetáculo recupera a figura de uma mulher valente, determinada e gentil, que enfrentou batalhas e desafiou as convenções do seu tempo. Uma história que questiona as figuras femininas que a História escolheu recordar e aquelas que ficaram esquecidas.
Nas cisternas do Castelo será apresentada Until Nothing Falls, Gravity Waits, uma instalação de Carincur + João Pedro Fonseca. Partindo de uma pedra suspensa, a obra explora as relações entre matéria, gravidade e perceção. A pedra, tradicionalmente associada à construção e ao limite, é retirada da sua função habitual e colocada num estado de suspensão, criando um diálogo entre peso e leveza, matéria e vazio.
Estas novas propostas juntam-se aos artistas já anunciados, entre os quais Asmâa Hamzaoui & Bnat Timbouktou, Israa Shalaby, Margaret Hermant, PAUS, Rita Silva & Mbye Ebrima, Manto Azul e el djinn الجن. Um conjunto de projetos que atravessa diferentes geografias, linguagens e formas de criação, mantendo como ponto comum a relação entre música, memória, corpo, território e comunidade.
Um programa para estar, ouvir e partilhar
Para além da programação artística, o ÁGORA propõe momentos de encontro que convidam o público a participar de forma mais direta.
É o caso de Partir Pão, Partir Pedra, um piquenique comunitário que acontece nas Varandas do Castelo de Leiria e que abre o primeiro dia do festival. A proposta é simples: cada pessoa traz pão, petiscos, fruta, bebidas ou qualquer outro alimento para partilhar numa mesa comum. Um gesto quotidiano que ganha outra dimensão dentro das muralhas. Partilhar comida é também partilhar tempo, histórias e espaço. É uma forma de criar comunidade e de transformar o património num lugar vivido, onde todos podem deixar uma marca.
Ao longo dos três dias, o ÁGORA propõe assim diferentes ritmos e formas de participação. Há espaço para a contemplação e para a celebração, para a escuta e para o movimento, para a experiência individual e para o encontro coletivo.
Se durante séculos as muralhas foram construídas para definir fronteiras, o ÁGORA propõe olhar para elas de outra maneira: como lugares onde é possível construir pontes. Talvez seja essa uma das funções da cultura: criar condições para estarmos juntos, para escutarmos outras vozes e para imaginarmos futuros diferentes.
Tal como nas edições anteriores, o bilhete habitual do Castelo de Leiria garante o acesso às atividades do ÁGORA, estando a entrada condicionada à lotação dos diferentes espaços. O acesso ao Castelo é gratuito para residentes no concelho de Leiria, mediante apresentação de comprovativo de morada e identificação.
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terça-feira, 25 de agosto de 2026
PROGRAMA DE 25/08/26
1 - Wolfskin - Despojos do sol-posto
2 - Urze de Lume - Liturgia da caruma
3 - Drusuna - Drumming wood
4 - Karnos - In the harrowing distance
5 - Her G meets Fuel 2 Fight - Às vezes lá no meu monte
6 - Orquestra Popular de Paio Pires - Da Alemanha e do Japão
7 - Sétima Legião - Sete Mares
8 - A Trouxa Mouxa - Fai como o José Maria
9 - O Mau Olhado - Dança d'o mau olhado
10 - Tó Trips e Fake Latinos - Rua escura
11 - Expresso Transatlântico - Não pares povo
12 - Miramar - Fado marado
13 - Orlando Cohen - Lullaby
14 - Estaca Zero - Gracinda














