MANILA apresentam “SAUNA”, o seu álbum de estreia, acompanhado pelo novo single e videoclipe “Frida”. Depois de anteciparem o trabalho através de “Formigas”, “Tou mal” e “Rosa”, a banda portuguesa reúne agora num mesmo disco uma pop que procura escapar a fórmulas, cruzando soul, rock e R&B numa viagem pelo conflito interior, pela desconstrução do ego e pela aceitação das contradições que fazem parte da experiência individual.
O título estabelece a imagem central do álbum. Tal como numa sauna o corpo transpira para libertar aquilo que acumula, “SAUNA” parte da ideia de suar as coisas más e expurgar aquilo que pesa. Ao longo do disco, os MANILA transformam esse processo numa experiência simultaneamente física e emocional, confrontando diferentes versões de nós próprios e procurando encontrar espaço para aceitar também aquelas que preferiríamos esconder.
É nessa tensão que o álbum encontra parte da sua identidade. Em vez de procurar resolver as contradições que atravessam as canções, “SAUNA” aproxima-se delas e deixa-as coexistir. Ansiedade, desconforto, solidão, vulnerabilidade e desejo surgem lado a lado com movimento, groove e uma dimensão dançável, fazendo da música um espaço onde a introspeção não implica necessariamente imobilidade. O convite dos MANILA passa precisamente por encarar a pior versão de nós próprios e aprender a dançar com ela
A acompanhar o lançamento chega “Frida”, novo single que desloca esse confronto para o território das relações amorosas. A canção parte de uma pergunta: o que acontece quando alguém com tendência para o dramatismo se apaixona por uma pessoa calma, emocionalmente estável e com os pés assentes na terra?
A partir dessa premissa, “Frida” constrói uma canção de amor pouco convencional sobre a estranheza que pode acompanhar uma relação saudável. Habituada a encontrar matéria criativa no caos e na instabilidade de experiências anteriores, a figura que atravessa o tema confronta-se com um novo receio: o de que a ausência de conflito possa significar também a perda da inspiração. O amor deixa, assim, de ser observado apenas enquanto fonte de turbulência e passa a colocar outra possibilidade — a de aprender a criar a partir da tranquilidade.
“Frida” prolonga uma narrativa emocional que os MANILA foram revelando através dos singles que antecederam o disco. Em “Formigas”, primeiro avanço de “SAUNA”, uma aparente canção de amor escondia uma reflexão sobre a ansiedade. A própria construção musical acompanhava essa sensação, partindo de um ambiente descontraído e groovy para acumular progressivamente tensão, como uma inquietação que cresce até ocupar todo o espaço. O videoclipe foi realizado por Rodrigo Pedras.
Com “Tou mal”, a banda entrou num território mais noturno. Entre funk, pop, disco e neo-soul, a canção explorou o desejo de desaparecer sem abandonar verdadeiramente o lugar, acompanhando uma personagem que deixa de sentir necessidade de justificar aquilo que carrega e encontra algum conforto dentro da própria confusão. “Tou mal, mas ‘tass bem’” sintetizava precisamente essa convivência entre desconforto e aceitação que atravessa também o álbum.
Já “Rosa” revelou uma das faces mais despidas do trabalho. Gravada num único take e construída apenas através do diálogo entre a voz de Carmo Braga da Costa e o piano Rhodes de Gerard Torres, a faixa acompanha uma mulher que escolhe a própria companhia, abordando a solidão feminina através de um olhar marcado pela curiosidade e admiração. A redução dos elementos musicais expôs a fragilidade da interpretação e mostrou uma dimensão mais íntima de um disco que encontra na diversidade de registos uma das suas características.
Essa relação com a espontaneidade atravessa o próprio processo de gravação de “SAUNA”. O álbum foi registado em live take nos Namouche Studios, em Lisboa, espaço por onde passaram nomes como Buraka Som Sistema, Xutos & Pontapés e Orelha Negra. A opção permitiu preservar a energia crua, imprevisível e coletiva da banda em atuação, posteriormente trabalhada através de uma pós-produção atmosférica, detalhada e cinematográfica.A formação reúne Carmo Braga da Costa na voz, Gerard Torres nas teclas, Ricardo Pedrosa no baixo e vibrafone, João Serra nas guitarras e Zé Lobo da Costa na bateria e percussão. O disco conta ainda com vozes adicionais de Ciara Lea, Cécile Nolan, Tania Maree Rae, Ricardo Pedrosa, Zé Lobo da Costa e João Sampayo. As letras são assinadas por Carmo Braga da Costa.
A produção ficou a cargo de João Sampayo, com Miguel Peixoto como engenheiro de som e Miguel Sá Pessoa responsável pela masterização. Na componente visual, a fotografia de capa é de Luísa Bravo, com styling e direção criativa de Inês Mojo.
Os MANILA têm vindo a desenvolver uma linguagem própria dentro do universo do alt pop português, cruzando referências de soul, jazz e R&B com uma escrita direta e emocional. Depois do EP “Domingo à Tarde”, a banda iniciou com “Formigas” um novo ciclo que encontra agora a sua concretização no primeiro longa-duração.
Com “SAUNA”, os MANILA transformam esse percurso num exercício de confronto e libertação. Entre a energia orgânica do live take e uma produção que expande as canções para territórios mais atmosféricos, o álbum propõe um espaço de catarse onde não é necessário escolher entre vulnerabilidade e movimento. É precisamente ao reconhecer aquilo que pesa, contradiz e incomoda que o disco procura encontrar uma forma de o atravessar — e, eventualmente, de o suar para fora.