“September” é o primeiro single de avanço para “CAZA PRIMAVERA”, o álbum de estreia do coletivo NÃOBODY, projeto sediado no Porto que reúne o produtor português FOQUE, o cantor brasileiro B Ghost e o rapper norte-americano Brotha CJ. O tema inaugura o universo sonoro e conceptual do disco e antecipa uma série de concertos de apresentação já anunciados para várias cidades portuguesas: a 10 de abril no MOUCO, no Porto; a 16 de abril no Café Concerto 259, em Vila Real; a 23 de abril na Casa Capitão, em Lisboa; e a 5 de junho no CAAA, em Guimarães, com novas datas a serem reveladas em breve.
Para além do single, os NÃOBODY irão disponibilizar também a primeira parte do disco durante o Equinócio da Primavera, com data prevista de lançamento no final de Maio, e a segunda parte, que será lançada durante o Equinócio de Outono.
Mais do que um simples coletivo musical, NÃOBODY nasce de um encontro improvável que reflete uma transformação mais ampla da realidade cultural portuguesa. Num estúdio improvisado numa antiga igreja no Porto, três músicos de origens distintas - Portugal, Brasil e Estados Unidos - encontraram um ponto de convergência criativa que espelha uma nova ideia de comunidade artística. FOQUE, B Ghost e Brotha CJ partilham dias e noites entre cabos, sintetizadores, riffs improvisados e conversas que misturam português e inglês, numa convivência intensa que viria a dar origem a “CAZA PRIMAVERA”.
O projeto surge num momento em que Portugal deixa progressivamente de ser apenas um território de partida para se tornar também um espaço de chegada. Nas cidades do país, especialmente em Lisboa e no Porto, artistas de diferentes geografias encontram-se em jam sessions, bares e estúdios improvisados, criando uma cena musical que escapa a rótulos. É nesse ambiente que nasce NÃOBODY: não como resultado de uma estratégia ou indústria, mas como consequência natural de encontros repetidos em palcos pequenos e sessões de improvisação que se prolongam madrugada dentro.
“September”, primeiro capítulo revelado desse processo, traduz esse espírito de transição e instabilidade emocional que atravessa o álbum. A letra reflete sobre relações que florescem e se dissipam com a mesma rapidez das estações, evocando o final do verão como metáfora para o momento em que as ilusões começam a dissolver-se. “Everybody loves summer but summer’s just spring’s”, canta Brotha CJ num dos versos, sugerindo que o entusiasmo momentâneo raramente sobrevive ao teste do tempo. A canção questiona o que resta quando a euforia passa - “What you looking for when the summer’s gone? Would you still hold on when the love is gone?” - numa reflexão que ecoa o próprio processo de reinvenção vivido pelos três artistas.
Musicalmente, o tema condensa a identidade híbrida de NÃOBODY: texturas eletrónicas, grooves de hip-hop e influências soul cruzam-se com uma sensibilidade melódica que percorre diferentes tradições musicais atlânticas. A produção é assinada por FOQUE, que também se encarrega da mistura, enquanto a composição reúne B Ghost, FOQUE e Brotha CJ. A canção conta ainda com bateria de Zandré Dinis, baixo de Kenjamin Franklin, teclados de Frank Plummer e vozes de Brotha CJ e B Ghost. A masterização ficou a cargo de Pedro Joaquim Borges
O single antecipa o lançamento de “CAZA PRIMAVERA”, disco gravado durante uma residência criativa de seis semanas no interior de Portugal. Isolados do ritmo urbano, os três músicos viveram juntos numa casa transformada em laboratório artístico improvisado. Entre corridas matinais, caminhadas, refeições partilhadas e longas conversas sobre ambição, perda e reinvenção, as canções começaram a surgir sem a pressão da indústria ou de calendários externos. O resultado é um álbum que nasce tanto da convivência quanto da criação musical.
No centro do projeto está o encontro entre três percursos distintos. FOQUE, produtor e músico natural de Gondomar, construiu um percurso marcado pela fusão entre eletrónica, hip hop e paisagens sonoras cinematográficas. Depois dos EPs “CABUM” (2017) e “FOQUE” (2019), editou em 2021 o álbum “ATO ISOLADO”, além de colaborar com diversos artistas portugueses, incluindo o grupo pop D.A.M.A., e criar música original para a produção teatral “POPULAR”, de Sara Inês Gigante. A sua abordagem minuciosa à produção sonora tornou-se uma das forças estruturais do projeto.
Brotha CJ, rapper oriundo de Filadélfia e anteriormente conhecido como Black Lavender, traz consigo uma forte herança do soul e do funk norte-americano. Depois de iniciar a carreira em Nova Iorque, mudou-se para Madrid, onde formou a banda The Othahood e consolidou um estilo que cruza hip hop e soul alternativo com uma estética retro. Já atuou em festivais como Madrid Es Negro e DCODE, integrou playlists internacionais do Spotify e participou em campanhas globais para marcas como Jameson, Santander e Pepe Jeans. Em 2022 mudou-se para o Porto, onde continua a expandir a sua linguagem artística enquanto fundador da Early July Studio.
B Ghost, cantor brasileiro com percurso internacional, acrescenta ao coletivo uma dimensão emocional marcada pelas suas raízes musicais. A sua obra cruza referências da música brasileira com um R&B nostálgico e introspectivo. Depois dos singles “Th1nk” e “Aurora” - que o levaram ao Got Talent Portugal em 2021 - lançou o EP “Kool Land” em 2022, com temas como “Being U” e “When I Call U”. Em 2025 iniciou a fase “bghosting” com o EP independente “Songs I Shouldn’t Release”, aprofundando uma abordagem artística que cruza música, imagem e performance.
É desse encontro de trajetórias que nasce “CAZA PRIMAVERA”, um disco que habita o espaço entre contenção e libertação, explorando a tensão entre pertença e deslocação. Gravado na primavera, o álbum reflete a tentativa de transformar experiências pessoais turbulentas em algo em flor - não como exercício de género musical, mas como um gesto humano de criação coletiva.
Com “September”, NÃOBODY revelam a primeira peça desse universo. Um ponto de partida para um projeto que se constrói no cruzamento entre culturas, línguas e geografias, e que reflete uma nova geração de artistas que escolheu Portugal não como pausa, mas como lugar para criar e permanecer.


















