'Que Mar É Este' é o single que marca o primeiro encontro em canção de Sérgio Onze e Gisela João. Já disponível em todas as plataformas digitais, o tema inédito conta com música de André Santos e Rita Dias e letra de Irina Chitas.
"Esta canção nasceu muito longe de casa, em Cabo Verde, quando ouvi uma morna e senti exatamente aquilo que sinto quando ouço Fado: uma espécie de regresso" começa por revelar Sérgio Onze. "Foi como se uma música tivesse o poder de nos devolver às nossas raízes, mesmo quando estamos do outro lado do mundo e percebi que a saudade não pertence apenas a um lugar. É uma língua emocional que reconhecemos uns nos outros. Mandei uma mensagem à Irina Chitas apenas com a frase: "O Mar é Irmão da Saudade". Não lhe expliquei mais nada e ela devolveu-me o poema que acabou por se transformar em "Que Mar é Este".
Sobre a mensagem do tema, o fadista explica que "fala muito dessa dualidade do mar - da forma como tanto nos pode libertar como prender. O mar aparece quase como memória, herança, passado, mas também como possibilidade de futuro".
Entre tradição, canção portuguesa e liberdade interpretativa, 'Que Mar É Este' aproxima dois universos artísticos que partilham uma relação profundamente emocional com a música. Sérgio Onze confessa que "sempre admirei muito a Gisela João e quando comecei a ouvir esta música a ganhar forma, senti imediatamente que a voz dela já habitava aquele lugar. Quando a Gisela aceitou o convite, a música estava finalmente completa. O curioso é que ainda passou bastante tempo até a conseguirmos gravar mas essa espera acabou por fazer sentido, porque a canção fala disso: de coisas que ficam suspensas dentro de nós até encontrarem o momento certo para acontecer. Quando nos juntámos para cantar, parecia que a canção já tinha vivido connosco há muito tempo e acho que isso se sente na forma como nos encontramos nela".
Com direção criativa e realização de Sérgio Onze e Miguel Rodrigues, o videoclipe captado por Raul Sousa revela-se como uma representação do passado, do que herdamos e de como construímos o futuro.
"Apesar da música falar do mar, trata sobretudo daquilo que carregamos cá dentro: memória, peso, transformação e liberdade. Em conversa com a Irina Chitas surgiu a ideia do barro. Havia qualquer coisa profundamente humana naquele gesto de moldar uma matéria com as mãos, como se estivéssemos, ao mesmo tempo, a construir e a tentar perceber aquilo que somos", diz Sérgio Onze.
Depois do sucesso de "NÓS", o disco de estreia de Sérgio Onze eleito um dos Melhores Álbuns do Ano pelo Expresso/Blitz, o fadista prepara agora o segundo trabalho de estúdio: "ainda estou numa fase muito inicial do próximo álbum, mas há uma coisa que sei: quero aproximar-me ainda mais da minha raiz, que é o Fado. Não necessariamente num lugar tradicional ou fechado, mas como linguagem viva, aberta e capaz de crescer comigo. O próximo disco vai nascer muito da poesia e da procura de uma voz cada vez mais pessoal. Quero descobrir novas palavras, novos poetas, novas formas de habitar esta música e haverá certamente cruzamentos e outras influências, porque também fazem parte daquilo que sou".
Sérgio Onze começou a cantar aos 6 anos. Venceu a Grande Noite do Fado em 2003, estudou guitarra clássica no Conservatório de Setúbal e aos 17 anos começa a viver de noite, nas Casas de Fado. Cantar desde cedo e construir-se em contacto direto com os grandes mestres fez com que se deslumbrasse por todos os mundos que cabem dentro do Fado tradicional. Em simultâneo, cultivou a sensibilidade artística na Faculdade de Belas Artes e explora a multidisciplinaridade da Moda, enquanto stylist.
Com presença regular nas mais belas e emblemáticas Casas de Fado de Lisboa, é em 2024 que surge a estreia discográfica de Sérgio Onze com o álbum "
NÓS". Já apresentado ao vivo em salas como o Centro Cultural de Belém e festivais como o Sol da Caparica, Caixa Alfama, A Porta, Festa do Avante e NOS Alive, entre outros, o disco editado pelo Museu do Fado e produzido por Ricardo Ribeiro e Agir, inclui temas de Conan Osiris, Joana Espadinha e Teresinha Landeiro, entre outros, com destaque para os singles '
Canto Ainda Por Alguém', '
Sapatinhos' e '
Por Saudade Ou Por Memória (Disse-te Adeus)', este último gravado ao vivo na Tasca da Bela, em Lisboa.
Com "
NÓS" a ser eleito um dos Melhores Álbuns do Ano pelo Expresso/Blitz, o fadista Sérgio Onze foi ainda destacado como um dos novos artistas que estão a marcar a música portuguesa pela mesma publicação. Na crítica ao álbum, o jornalista Mário Rui Vieira que escreve sobre o timbre "força de trovão" do fadista, conclui que este disco "chega como primeira centelha visível de um fogo que parece viver em Sérgio Onze desde sempre. (...) Há vozes que não se explicam, sentem-se".
Em 2026, Sérgio Onze edita 'Que Mar É Este', tema inédito em colaboração com Gisela João, enquanto prepara a gravação e lançamento do próximo álbum de estúdio, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2027. Com o Fado enquanto fim para um meio e uma voz profunda e retumbante, cheia de certezas mesmo quando só se pergunta, Sérgio Onze entrega-se ao precipício que é cantar sem deixar os pés em terra firme. Na viagem, leva-nos a todos com ele com tanta firmeza que, quando nos vemos de volta ao cais, temos o corpo virado do avesso e sentimo-nos, finalmente, inteiros.
Gisela João nunca seguiu
tendências e nunca respeitou outras regras que não fossem aquelas
sugeridas pela sua própria intuição. E isso faz com que chegue ao final
deste primeiro quartel do século XXI como uma artista completa, distinta
e reconhecida pelo público e pela crítica. Gisela só é comparável a ela
mesma.
Das casas de fados de Barcelos ao Porto e daí até Lisboa e aos vários prémios que justamente a agraciaram – do Prémio Revelação Amália ao Globo de Ouro
– foi para Gisela um passo de gigante, um percurso atribulado, mas
decidido de quem acreditava ter algo para cantar e que nunca pediu
licença para verter o que lhe ia na alma. Lançou, sempre com idêntica
postura de rigor artístico, vários registos, de "Gisela João" (2013), a "Nua" (2016) e "AuRora"
(2021). E porque entende o estúdio e o palco como duas diferentes, mas
complementares, dimensões para a criação artística, Gisela também lançou
registos ao vivo, como Sem Filtro e Ao Vivo, dois documentos de 2015 que a mostravam, sem rede ou truques, sem filtros, em estado de pura entrega.
Por outro lado, essa profunda originalidade de que Gisela João nunca abdicou tornou-a presença natural em projetos alheios e por isso ao longo dos anos foi sendo possível escutá-la em trabalhos de gente tão diferente quanto Fernando Alvim, Paulo de Carvalho, Capicua, Stereosssauro, Xinobi, David Bruno ou Calexico. Sinais claros da amplitude do seu registo, uma qualidade que lhe permite encontrar encaixe em diferentes géneros sem que nunca abdique da sua essência. A sua voz é, já muitos o disseram, um verdadeiro tesouro destes tempos. Miguel Esteves Cardoso sabe-o bem: “Amália Rodrigues foi a grande fadista do século XX. (...) Sei e sinto, com a mesma força, que Gisela João é a grande fadista do século XXI.”
Agora, depois de ter trabalhado com Michael League, multi-instrumentista, compositor e produtor que se notabilizou como baixista e frontman dos SnarkyPuppy, banda norte-americana de jazz, funk e rock instrumental, vencedora de 3 Grammy Awards, Gisela João experimenta alterar uma vez mais a moldura que envolve a sua voz no álbum "Inquieta", que coproduziu com Luís “Twins” Pereira e que conta com arranjos do guitarrista Carlos Rodenas Martinez. Neste trabalho de 2025, a artista canta José Afonso, Sérgio Godinho por via de Capicua, José Mário Branco e Lopes Graça, traduzindo para este presente necessitado de liberdade os sonhos e anseios de uma geração que teve que lutar para que aqui chegássemos. Mas, sobretudo, mostra-nos a sua voz como talvez nunca a tenhamos escutado antes, como um instrumento de riqueza imensa e singular, capaz de traduzir sonhos e sentimentos, emoções e desejos de uma forma tão direta e transparente que arrebata qualquer pessoa. Uma qualidade que lhe tem permitido brilhar em palcos nacionais e internacionais com idêntica intensidade.
Em 2026, depois da forte receção de "Inquieta" em Portugal e da crescente circulação internacional do projeto, Gisela João apresenta-se em festivais como o Primavera Sound Barcelona, Primavera Sound Porto e WOMAD.