24.ª edição do Festival Jazz ao Centro em Coimbra reforça a ligação à cidade, à região e às comunidades.
Apresentada hoje à imprensa, a 24.ª edição do Festival Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra decorre em 2026 com um programa que se estende ao longo de 10 dias, mas que amplia a sua presença no território através de um conjunto alargado de iniciativas de mediação e circulação. Mantendo o compromisso de “honrar o passado e explorar o futuro”, o festival reforça este ano a sua dimensão pública e social, aproximando a criação artística das escolas, das comunidades e de diferentes municípios da Região Metropolitana de Coimbra.
O Festival Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra (FJaC) nasceu em 2003, com os primeiros concertos a antecederem a própria constituição formal do Jazz ao Centro Clube, associação cultural que, desde a primeira hora, coorganiza o festival com o Município de Coimbra.
Em 2026, o FJaC celebra a sua 24.ª edição, com um núcleo de programação que se estende ao longo de dez dias, mas com a importante dimensão do programa de mediação e circulação a ocupar um período mais alargado. O festival faz parte de um trabalho de continuidade, profundamente enraizado na identidade do Jazz ao Centro Clube, entidade responsável, entre outras áreas, pela gestão e programação do Salão Brazil e pela dinamização da
jazz.pt, única publicação especializada em jazz em Portugal.
Este trabalho assenta numa escuta atenta do que se vai fazendo em território português e na procura de formas de o festival contribuir para a concretização de projetos artísticos ambiciosos e transformadores. São os casos, nesta edição, do OMNIAE Large Ensemble, de Pedro Melo Alves, do ENSEMBLE OF OTHER LIVING BEINGS, de Yaw Tembe, e de EMBRYO, de Luís Figueiredo.
Se, do ponto de vista estritamente artístico, os Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra mantêm a orientação de “honrar o passado e explorar o futuro”, expressando o compromisso de divulgar, simultaneamente, a riqueza da tradição e os muitos caminhos do futuro, noutros domínios esta edição apresenta algumas novidades.
Em 2026, o festival reforça a aposta no impacto público e social do programa artístico. Esta aposta faz-se de duas formas estreitamente ligadas.
Por um lado, o festival projeta a sua presença na Região Metropolitana de Coimbra, com o mote “Um Festival para uma Região”. Embora esta dimensão tenha sido anteriormente testada, em 2017, pretende-se consolidar este posicionamento no futuro, aumentando a densidade relacional entre parceiros diversos, dos Municípios à Escola, dos equipamentos culturais às comunidades artísticas.
Desta forma, os Municípios da Lousã, Mortágua, Miranda do Corvo e Pampilhosa da Serra recebem a circulação do espetáculo educativo “Às Voltas no Loop”, uma criação do Serviço Educativo e de Mediação do JACC, que terá o seu primeiro concerto no dia 14 de outubro, no Grande Auditório do Convento São Francisco, em Coimbra, seguindo depois para diferentes municípios da região. Já estão confirmadas as apresentações de Mortágua, a 19 de outubro, e da Lousã, a 18 de novembro. Em breve serão anunciadas as datas de Miranda do Corvo e Pampilhosa da Serra. Dirigido ao público escolar do Ensino Secundário, o espetáculo cruza a palavra com as abordagens musicais que confluem no território vasto do rap, do hip-hop e do jazz.
O concerto organiza-se em torno de uma narrativa pensada para ter relevância para as práticas diárias da vida escolar e para a sua articulação com a comunidade. Oferece, assim, uma possibilidade de ampliar o leque da oferta de experiências artísticas e culturais dirigidas à Escola, reforçando a abertura à comunidade e ao mundo, a valorização da cultura juvenil e demonstrando o potencial da arte para desenvolver o pensamento crítico e criativo.
Por outro lado, a 24.ª edição do Festival Jazz ao Centro guarda um espaço central para o programa de mediação. Tal deve-se a vários fatores, mas a razão fundamental prende-se com o Compromisso de Impacto Social das Organizações Culturais (CISOC), uma medida do Plano Nacional das Artes (PNA), que enquadra um trabalho estruturado e estruturante, centrado, sobretudo, numa relação de proximidade com o Agrupamento de Escolas Coimbra Centro (AECC).
Desta forma, e além de “Às Voltas no Loop”, o programa contempla oficinas dirigidas a escolas do AECC e um concerto aberto à comunidade na Escola-Sede, a Escola Secundária Jaime Cortesão. Trata-se de atuar com base nos princípios do PNA, trabalhando para fazer da Escola “um polo cultural” e do Festival “um território educativo”.
A edição de 2026 inaugura-se, aliás, com um momento que coloca em evidência uma outra dimensão da programação. No dia 1 de outubro, Dia Mundial da Música, o Salão Brazil recebe a inauguração da exposição “As Mulheres no Jazz em Portugal”, de Márcia Lessa, que ficará patente no número 1 do Largo do Poço, com o apoio do Município de Idanha-a-Nova.
A exposição pretende colocar em evidência os rostos das mulheres que fazem o jazz em Portugal, desde os anos 60 até à atualidade, reunindo retratos inéditos de 13 mulheres que escolheram o jazz como forma de expressão musical: Estela Alexandre, Isabel Rato, Jéssica Pina, Juliana Mendonça, Maria Carvalho, Maria João, Maria Viana, Marta Hugon, Paula Oliveira, Paula Sousa, Rita Maria, Sara Serpa e Susana Santos Silva.
Fotografadas fora do palco, sem luz de cena e sem instrumentos, as artistas são retratadas por outra mulher que se dedica a este género musical há mais de 20 anos. Tal como no jazz, os retratos são improvisados, procurando mostrar a mulher por detrás dos discos, da música e do tempo, num diálogo que resulta do momento único e de partilha que é, em si, o ato fotográfico. Cada imagem é acompanhada por um texto da autoria do crítico de jazz Nuno Catarino, onde é descrito o trajeto e o papel de cada uma das mulheres no panorama jazzístico português.
Os impactos públicos do festival concretizam-se também na ligação de vários espaços tão ricos e diversos quanto o Museu Nacional Machado de Castro, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, o Atelier Semente, situado no Seminário Maior, e o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV). Estes espaços, a par do Salão Brazil, da Escola Secundária Jaime Cortesão e do Largo de São Salvador, integram a rede de lugares que acolhe a programação da 24.ª edição, reforçando a relação do festival com diferentes comunidades e com o património cultural e artístico da cidade.
O percurso que liga o Museu Nacional Machado de Castro, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e o Atelier Semente marca um dos dias do festival, com a apresentação de concertos por formações mais pequenas extraídas do OMNIAE Large Ensemble, dirigido pelo baterista e compositor Pedro Melo Alves, que se apresenta também no TAGV. O projeto constitui um dos exemplos mais singulares do cruzamento entre composição contemporânea e improvisação jazz em Portugal.
Ao longo dos dias do festival, a programação percorre diferentes espaços da cidade, mas todos os dias terminam no Salão Brazil, espaço de referência do Jazz ao Centro Clube e casa do festival. No último dia, 10 de outubro, o destaque vai para o concerto de Carlos Bica AZUL, às 23h00, que reúne o contrabaixista Carlos Bica com Frank Möbus, na guitarra, e Jim Black, na bateria. O projeto AZUL, uma das formações mais marcantes da carreira de Carlos Bica, encerra a 24.ª edição do Festival Jazz ao Centro.
Merecedora de destaque é também a passagem pelo Largo de São Salvador, numa parceria com as Repúblicas Baco, Marias do Loureiro e do Cria'ctividade, programa de integração alternativo à praxe, numa altura em que duas das Repúblicas resistem à ordem de despejo que ameaça a sua continuidade. Neste local acontecerá o concerto de Hypomaniac Trio, com a saxofonista Camila Nebbia (Argentina), o contrabaixista Gonçalo Almeida (Portugal) e o percurssionista Sylvain Darrifourcq (França).
Mais do que um conjunto de concertos, o Festival Jazz ao Centro procura promover a participação cultural, mobilizando diferentes comunidades para a preservação do património cultural, a fruição das artes e o fortalecimento das conexões cívicas.
O Festival Jazz ao Centro é apoiado e cofinanciado pela DGARTES.
PROGRAMAÇÃO
Os bilhetes para os concertos do Festival Jazz ao Centro com preço tabelado (Salão Brazil e TAGV) serão colocados à venda nos próximos dias, nas respectivas salas e bilheteira online, sendo que os seus preços variam entre os 5€ e os 14€ euros.
Exposição
"Mulheres no Jazz"
1 de Outubro até 11 de Dezembro
Salão Brazil /
Largo do Poço número 1 Inauguração dia 1 de Outubro às 18h00
Horário de funcionamento: de terça a sábado 12h00 às 19h00
Entrada Gratuita
Concerto
Hypomaniac Trio
Camila Nebbia - Saxofone
Gonçalo Almeida - Contrabaixo
Sylvain Darrifourcq - Percussão
Sexta, 02 de Outubro às 19h00 | Largo de São Salvador
Entrada Gratuita
Concerto
Luísa Gonçalves NuDE Orquestra
Luísa Valinhoes - piano e composição
Alvaro Rosso - contrabaixo
Joana Sá - saxofones
Yedo Gibson - saxofones
Bruno Parinha - clarinete baixo
João Silva - trompete
Miguel Mira - violoncelo
David Gonçalves Rodrigues - violoncelo
João Valinho - bateria
Sexta, 02 de Outubro às 22h00 | Salão Brazil
Bilhetes | Normal: 10 euros | Descontos menores 25, maiores 65, profissionais Artes e Cultura: 5 euros
Concerto
Boy Akhi
Monica Akihary - voz
Niels Brouwer - guitarra
Sábado, 03 de Outubro às 19h00 | Claustros Colégio da Graça / Liga dos Combatentes
Entrada Gratuita
Concerto
ENSEMBLE OF OTHER LIVING BEINGS
João Almeida e Yaw Te — trompete e direcção artística
João Pereira — bateria e voz
Carlos Godinho — percussão e electrónica
Álvaro Rosso e Bernardo Álvares — contrabaixo
Helena Espvall — violoncelo e voz
Norberto Lobo — guitarra
Bernardo Tinoco — saxofones
Teresa Costa — flautas
Leonor “Orca” Cabrita — voz e piano
Mike Simões — som
Sábado, 03 de Outubro às 22h00 | Salão Brazil
Bilhetes | Normal: 10 euros | Descontos menores 25, maiores 65, profissionais Artes e Cultura: 5 euros
Concerto
Embryo
Luis Figueiredo - piano
Andy Sheppard - saxofone
João Pedro Dias - trompete
Angélica Salvi - harpa
Michael Formanek - contrabaixo
Diogo Alexandre - bateria
Terça, 06 de Outubro às 21h30 | Salão Brazil
Bilhetes | Normal: 10 euros | Descontos menores 25, maiores 65, profissionais Artes e Cultura: 5 euros
Concerto
OMNIAE Small Formation #1
José Diogo Martins - piano
Laura Cocks - flautas
Clara Saleiro - flautas
Sexta, 09 de Outubro às 18h00 | Museu Nacional de Machado de Castro
Entrada Gratuita
Concerto
OMNIAE Small Formation #2
Mariana Dionísio - voz
Almut Künhe - voz
Maria João Vieira Leite - voz
Nazaré da Silva - voz
Sexta, 09 de Outubro às 18h45 | Jardim Botânico / Estufa Tropical
Entrada Gratuita
Concerto
OMNIAE Small Formation #3
Camilo Angeles - flautas
João Pedro Brandão - saxofone alto / flauta
Mané Fernandes - guitarra elétrica
Sexta, 09 de Outubro às 19h30 | Atelier Semente
Entrada Gratuita
Concerto
OMNIAE Small Formation #4
João Barradas - acordeão
Duarte Ventura - vibrafone
Pietro Elia Barcellona - contrabaixo
Pedro Melo Alves - bateria
Sexta, 09 de Outubro às 22h00 | Salão Brazil
Bilhetes | Normal: 10 euros | Descontos menores 25, maiores 65, profissionais Artes e Cultura: 5 euros
Concerto
OMNIAE Large Ensemble
Almut Künhe, Mariana Dionísio, Maria João Sabeira Leite e Nazaré Silva vozes
Laura Cocks, Camilo Ángeles, Teresa Costa e Clara Saleiro flautas
João Pedro Brandão flauta e saxofone alto
José Soares saxofone alto
João Almeida trompete
José Diogo Martins piano
Mané Fernandes guitarra elétrica
João Barradas acordeão
Duarte Ventura vibrafone
Pietro Elia Barcellona contrabaixo
Pedro Melo Alves bateria e composição
Sábado, 10 de Outubro às 21h30 | TAGV
Bilhetes | Normal: 14 euros Descontos TAGV
Concerto
Carlos Bica AZUL
Carlos Bica Contrabaixo
Frank Möbus Guitarra
Jim Black Bateria
Sábado, 10 de Outubro às 23h00 | Salão Brazil
Bilhetes | Normal: 14 euros Descontos menores 25, maiores 65, profissionais Artes e Cultura: 7 euros