quarta-feira, 26 de agosto de 2026

REVIVER A ALDEIA PORQUE O QUE É NACIONAL É BOM




Desta vez levou mais tempo a chegar à aldeia. Cem Soldos esteve mais longe no tempo. Foi um ano de intervalo. A espera causou ansiedade. O regresso tornou-se mais urgente.

Por isso, voltar a pisar aquele chão causou-nos arrepios na espinha. Como foi bom reviver cada um daqueles recantos, e encontrar aquelas gentes. Para quem vive na confusão da cidade todo ano, respirar aquele ar é terapêutico.

Voltar a mergulhar nos sons nacionais, faz-nos perceber que a música portuguesa está de boa saúde e que um festival como o Bons Sons faz todo o sentido.

Foram quatro dias intensos, este ano sem tempo de ver tudo, mas quase. Em 2026 chegou um palco novo de nome Rosa Ramalho, em homenagem à ceramista de Barcelos, que ficava ali mesmo ao lado, numas hortas, e que batia ligeiramente com o que acontecia noutro local. Mesmo o que se passava no auditório, não dava hipótese de ver, pois tinha a sua existência em cima de outras acontecimentos e obrigava a uma escolha.

Tirando isso foram quatro dias intensos de concertos inesquecíveis, que como é lógico, fomos gostando de maneira diferente.

E a ajudar à festa, todo o ambiente de fraternidade ali vivido. por quem chega e por quem está e ajuda a montar e leva até ao ponto final os Bons Sons, fazendo de Cem Soldos uma paragem obrigatória em agosto.

20 anos já lá vão, venham mais 20 para nos voltarmos a reencontrar, sempre que o calendário assim o ditar.

Entre 6 e 9 de agosto foram mais de três dezenas os concertos em que pusemos a vista em cima. Fica a narração sincera de quem vos escreve, de coração aberto e alma cheia.

Dia 6 de agosto

Dia 6 começou no palco A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPAGDP), com o trio Serigosa. Duas meninas espanholas e uma portuguesa recriaram com mestria sons ibéricos. Respiramos por instastes muito do que a cultura desta península que não é só nossa nos tem para ofertar. Sons por vezes misturados com instrumentos mais clássicos como o violoncelo. Foi gracioso.

Um pouco mais acima no palco Giacometti. Líquen, que ali estava por ter vencido uma das edições do Termómetro, agraciou todos com um som doce que tanto é pop, como depois pode ser tradicional. Constança Ochoa mistura tudo isto e muito mais de forma requintada e agarra o público, que aquela hora da tarde (15h30) já suava em bica.

Continuando a subir até em frente à Igreja, paramos no palco Amália para escutar Claiana. Voz, baixo e eletrónicas trazem ritmos africanos, bem dançáveis, obrigando todos a bater o pé. Concerto frenético e bem balanceado.

Depois, um passeio de quase 20 minutos até uma das hortas que alberga o palco Rosa Ramalho. À nossaespera. Tiago Castro, mais conhecido por Acid Acid. Momento relaxante, onde sons inspirados por algum krautrock, nos fezem voar até ao espaço. Foi leve e muito bom.













De regresso à aldeia, vamos de novo até ao palco Giacometti para assistir ao primeiro grande concerto do dia e da edição 2026 do Bons Sons. Em palco O Marta foi um poço de energia que agarrou logo desde o primeiro acorde toda a plateia, que vibrava e cantava as suas músicas. Um som a meio caminho entre o pop, o rock e o tradicional, com instrumentos que estamos habituados a ver em todas estas tipologias. O Marta tem vindo a gerir a sua carreira em crescendo e é já hoje uma certeza da nova música nacional, que não esquece as nossas raízes as sabe embrulhar, com papeis bem coloridos e atrativos.

Pela primeira vez no palco Lopes Graça, fomos levados até ao mundo dos Miss Universo. Formados por André Ruivo e Afonso Branco (neto de José Mário Branco), fizeram da palavra de ordem uma bela arma, durante este concerto, acabando quase a homenagear José Mário Branco em FMI. Ofertaram a todos um som que tanto foi rock, como por vezes quase canção de autor e outras até mesmo tradicional. Foi um concerto certeiro, sem grandes sobressaltos, que sem nos causar muitas borbulhas, nos deixou mesmo assim com um sorriso nos lábios















Depois sempre a descer até ao palco Zeca Afonso, para visionar, um concerto que mistura de forma sublime o flamenco, o fado e o cante. Jonas, que para além de fadista é bailarino, mistura tudo isto de forma brilhante, pondo a nu a sua “Maçã de Adão”. Isto não foi só música, foi igualmente bailado. Ladeado por uma trupe de excelentes músicos e bailarinos, deixou a plateia de boca aberta e sem folego. Jonas e seus pares foram gigantes, num concerto que vai ficar cravado em nós por muito tempo.

Depois, enorme viagem até ao palco António Variações para escutar o punk aguçado dos Mães Solteiras, a banda que tem nas suas fileiras as “estrelas” Ricardo Martins na bateria, André Henriques na guitarra, Gaza no baixo e Quim Albergaria na voz. Foi altura de partir a loiça, gritar palavras de ordem e incitar todos ao moche. E assim foi, levantou-se pó do chão numa atuação de punho no ar, que mexeu com todos os presentes.

Voltando ao palco Lopes Graça, encontramos os vizinhos Quinta do Bill, banda que anda na estrada desde finais dos anos 80. Com muitos êxitos na mala, conseguiram agarrar de forma sábia a audiência, que vai vibrando ao som da banda. Foram momentos bem passados ao som da folk dos Quinta do Bill, ou se quisermos mesmo do som mais medieval que nos oferecem, essencialmente nos temas instrumentais. 

Era quase uma da manhã quando Xullaji subiu ao palco António Variações, trazendo na manga muitas palavras de ordem, fossem, elas cantadas ou ditas, de punho erguido. Senhor que já vimos noutras paragens, com outros nomes, brindou todos com um hip hop certeiro, como ditam as boas regras. Teve momentos mais rimados e outros que devido a alguns instrumentos em palco soaram mais soul. Foi um belo fim de primeiro dia. 

Já não houve força para ir espreitar Pedro da Linha no palco Aguardela. A cama chamava pelo corpo, e este era apenas o fim do princípio.

Dia 7 de agosto

No sítio de MPAGDP tudo começou com Sons do Lagar e Coro da Cura juntos. Os primeiros da Lousã os segundos o coro oficial da MPAGDP, de Serpins. No ar foram soltando canções que o Tiago Pereira e a sua equipa têm recolhido por esse Portugal fora. Foi uma volta a Portugal por sons tradicionais, que nos mostram o melhor do nosso país.

Depois no palco Giacometti foi a vez de Rita Cortezão que ganhou lugar no Bons Sons por ter vencido uma das últimas edições do Festival Termómetro. Munida de um teclado, foi debitando sons intimistas, que estavam difíceis de penetrar o corpo devido ao suor. Ficou a vontade de a ver num local mais intimista, pois deixou mesmo assim algumas boas marcas, no ar. 

Desta vez não fomos até às hortas, ver Natércia Lameiro, a portuguesa do trio Serigosa manusear o seu acordeão.

Em contrapartida fomos ao largo de MPAGDP “fazer ideia” do que lá se passava. Aqui um “casal” munido de uma guitarra acústica e depois de um pequeno piano, e com algumas placas de cartão com dizeres, iam debitando e cantando canções quase de intervenção e jogando com as palavras de forma muito divertida. Humor quase negro muitas vezes, mas bastante inteligentes. Foi bonita a viagem dos dois por entre o público presente.
















Vimos depois em passo alargado até ao palco Giacometti para não perder nada de Rossana, a menina que vive entre Portugal e Inglaterra e que aqui foi acompanhada por músicos ingleses e portugueses. Mais um dos grandes shows deste festival, onde a música tradicional é reinventada e se mistura com uma pop cativante. Rossana é uma fera de palco oferecendo sensualidade a todos os presentes. Impossível resistir a este som, que misturava instrumentos tradicionais com guitarras elétricas e outros e nos obrigava a dançar.

Sozinho com uma guitarra acústica, no enorme palco Zeca Afonso, o brasileiro Luca Argel, que se naturalizou português para um dia poder tocar no Bons Sons. Este foi um concerto intimista, e muito  sereno que quase em início de noite relaxou os corpos estendidos na relva artificial. Entre temas, algumas palavras de luta, logo iam sendo quebradas pelas cordas da guitarra. Foi um belo e grande retrato do que é vir do Brasil e ganhar o seu lugar devido a um talento que dificilmente se esconde.

Logo a seguir vamos até ao palco Lopes Graça, para presenciar a atuação dos Xauxau Dodô. Apesar de ser um grupo com excelentes músicos, uma voz doce, e sons que têm muito de soul, não conseguiram agarrar grande parte de quem os escutava. Faltou um pouco mais de garra para conseguirem bater certeiros nos nossos corações. Deixaram, no entanto, bons indicadores e a vontade de os voltar a ver.
















Subimos em seguida à eira, para junto ao palco António Variações assistirmos ao grande concerto dos Them Flying Monkeys. Nunca nos enganaram estes senhores. Mais uma vez debitaram rock certeiro e sem espinhas que contagia. São de facto muito bons e por onde passam arrasam tudo, no bom sentido. Esta noite deixaram mais uma boa marca cravada naquele palco. A recordar com muito agrado. 

Viagem grande até à estação Zeca Afonso. Ao chegar deparamos que o comboio está atrasado, o que é raro acontecer por estas paragens. Resolvidos os problemas, somos brindados com o jazz potente dos Yakuza. Contudo, o fumo constante e o jogo de luzes foi-nos impedindo a espaços de usufruir da melhor maneira deste concerto. Foi pena, pois quem já os viu, diz serem muito bons. E em disco valem mesmo a pena.

Um pouquito mais acima somos levados, no Lopes Graça, pela mão dos “velhinhos” TT Syndicate numa viagem até aos anos 50. Passeio nostálgico, mas muito delicioso. São muitos anos de palcos a deixarem marcas, que fazem a perfeição, no corpo destes músicos. O público respondeu e gerou-se um entrosamento bonito entre a plateia e o palco.

Quase a chegar o fim da noite, é “montada” uma pista de dança no palco António Variações para receber Fidju Kitxora, que nos brindam com ritmos bem dançáveis, que buscam essencialmente a sua raiz em Cabo Verde. A um DJ são juntos instrumentos reais que trazem um som mais orgânico a estas canções. Foram momentos de pura dança no palco ou cá em baixo. Houve até tempo, coisa inédita, de ofertar um vinil a um dos fotógrafos presente, neste caso o bom amigo Fausto Silva.  Foi um concerto a fazer mexer as pernas, e por isso já não tivemos força par ir ao palco Aguardela ver os Brandos Costumes.

Dia 8 de agosto

E ao terceiro dia conforme as escrituras tudo começou como de costume no palco de MPAGDP. Os The Suma trazem palavras de ordem em formato spoken word, misturadas com variados sopros. Um agradável momento de alguma experimentação.

Mais abaixo no palco Giacometti, Lisa Sereno oferece a todos, e como nos revela o seu nome, um concerto sereno. Um momento de partilha de bela pop, servida por uma voz sensual. Foi celestial.

Seguem-se as Crua, no palco Amália, que o calor descomunal quase fritava. Vindas do Porto, ofertaram à imensa multidão sons tradicionais servidos por percussões. Momento alto onde se mostrou o melhor da cultura popular.

Deixamos as Crua a meio, para rumarmos a uma nova horta. No palco Rosa Ramalho, Calcutá esperava por nós para mostrar algumas canções do seu primeiro disco editado pela Ovo Estrelado. Acompanhada de contrabaixo e bateria, Calcutá, munida de guitarra elétrica e voz foi soltando canções geometricamente arranjadas, onde alguns sons mais sónicos ornamentavam os arranjos. Momento sereno no meio da natureza que dava para pintar uma aguarela, ao som das vozes por vezes mais etéreas de Teresa.

De volta ao palco Giacometti a tempo de ver os Marquise. Pelo caminho fica o Coro Alarido. que já não tivemos tempo de escutar junto à igreja. Os Marquise, depois de uma falsa partida, lá encarreiram, dando um concerto certinho, sem muitos altos e baixos. Foi o bastante para não desiludirem, e mostrarem o seu rock, que por vezes nos parece soar melhor em disco.

Descemos a seguir, e com cuidado, até ao palco Zeca Afonso, para cumprimentar Jorge Cruz e os Torrente. Os Torrente, são O Marta na guitarra e os restantes, gente que já vimos nos Retimbrar. Jorge Cruz veio munido de muitas canções que já conhecemos, dando-lhes novas roupagens. Como sempre  o tradicional é um condimento forte da sua escrita. Tempo ainda para passarem pelo palco B Fachada e Rossana. Ficámos de coração cheio e muito curiosos à espera do novo disco.

Já em cima, no Lopes Graça, Luís Varatojo e companheiros iniciavam a prestação de Luta Livre. Sim, estas são canções de luta, livres e certeiras. Uma pop dançável, onde alguma tradição marca presença. Foram uns minutos bem passados ao som destas novas canções de intervenção. Os tempos são conturbados, é bem verdade.














Voltamos a baixo. No palco Zeca Afonso, Lavoisier e o Coro Polifónico da Pedreira, oferecem-nos o melhor concerto deste festival. A Roberto e Patrícia, duo fundador dos Lavoisier, unem-se músicos de alto gabarito, para soltarem essencialmente temas do último registo “Era com H”, onde a poesia impregnada de palavras de ordem é arrancada de forma visceral por todos. Patrícia não deixa ninguém indiferente, é uma fera de palco. Mais para o fim o Coro Polifónico da Pedreira vem a palco dar novo corpo às canções dos Lavoisier. Foi mágico todo o conjunto desta prestação.

Quase sem tempo para respirar, subimos ao palco António Variações. Por lá os Mordo Mia vão soltando alguma esquizofrenia salutar. Um leque de canções, entre o pop e o rock, difíceis de digerir à primeira. Ficou por isso a vontade de os repetir em palco a ver se à segunda tudo se assimila mais suavemente.

A comemorarem 20 anos, os Cacique 97, levam até ao palco Lopes Graça, o seu afrobeat. Concerto a não deixar ninguém quieto. Músicos cinco estrelas, os Cacique 97 mostram, porque a vida ainda lhes sorri, numa prestação arrebatadora, onde é evidente o gozo que tudo isto lhes dá. E a sorte grande sai-nos a nós, felizmente.


















Depois o rock volta ao palco António Variações com Victor Torpedo And The The Pop Kids. De Coimbra, na bagagem veio muito punk, cuspido sem apelo nem agravo para o público. Punk este que tem a sua  originalidade no sax de Filipe Fidalgo. Torpedo é um animal de palco que muito provoca e Fidalgo não lhe fica nada a dever. Foi desgastante no bom sentido, este concerto. Por isso mesmo bom demais. Está malta de Coimbra nunca nos engana. Foram baldes de suor retirados do palco no final da prestação.

Mais uma vez, e como o suor era muito, fomos descansar e não tivemos força para ir ao palco Aguardela ver Catarina Silva.

9 de agosto

A MPAGDP oferece para início do último dia no seu palco, o som do Cancioneiro de Benfica. A ideia parte de Tiago Pereira que vai registando naquela freguesia de Lisboa, canções interpretadas pelos seus residentes. O coro que também alberga gentes daquelas paragens pega nessas canções, que podem ser hip hop, pop ou outra coisa qualquer e depois as canta à sua maneira. Para além de algumas gravações, tivemos alguns dos cantores em palco, a mostrarem as suas crias. Ou seja, ouvimos primeiro o original e sempre depois a versão feita para as vozes do coro. Alguns resultados são muito curiosos.

Logo a seguir, debaixo de um sol de rachar, perto das 15h30, no palco Giacometti, o punk puro e duro dos Cortada. Tudo se espera ouvir àquela hora menos este punk. A estranheza causa em muitos boas reações, uma vez que os Cortada não deixaram os créditos por mãos alheias. Foi um concerto forte, onde as palavras têm um lugar certeiro. Quase a desidratar, resolvemos o assunto com uma bela cerveja.














No auditório tocava o percussionista Iuri Oliveira, mas bifurcamos até ao palco Amália para ouvir música quase tradicional com sotaque açoriano. Romeu Bairos e companhia, saudaram todos de forma sempre bem divertida, dando um concerto memorável. Estávamos por aqui tão entretidos, e a gostar tanto, que permanecemos e não fomos à horta colher as canções de A Sul. Romeu Bairos está tão divertido em Cem Soldos, que à noite subiu para uma janela, ergueu o punho e cantou sozinho mais algumas canções.

Louvor às Pauliteiras de Miranda do Douro e músicos acompanhantes pela entrega total, debaixo de tanto calor. As fatiotas não ajudavam, as coreografias muito menos, e o fato de andarem a passear pela aldeia complicou tudo. Mas foi este um momento tão gracioso e esbelto, que tanto calor para nós foi quase irrelevante. Afinal a tradição está bem viva, a ver pelos jovens rostos destas pauliteiras.

Lá ao fundo o palco Giacometti veste-se de negro para receber La Família Gitana. As tradições ciganas e as suas músicas são recebidas de forma entusiasta por todos e a festa acontece e tem direito a passos de dança.

Sozinho com um piano de cauda, num palco gigante de nome Zeca Afonso, Máximo consegue um momento, sublime, de comunhão com a vasta audiência. Foi terapêutico e muito relaxante. Os corpos no chão iam sorvendo cada nota que Máximo ia tocando e aplaudiam efusivamente. Numa prestação em que revestiu os seus temas de algum experimentalismo, o destaque vai para a bela versão de “Verdes Anos” do mestre Carlos Paredes.

No palco António Variações a Cremalheira do Apocalipse já está a postos para a festa. De Santo Tirso chega uma comunidade de pessoas portadoras de deficiência, que faz música com tudo aquilo que tem à mão, desde instrumentos mais convencionais, até cafeteiras e testos. As letras são parte importante e dão uma pitada de ironia ao quadro. Momento ímpar a que o público reagiu de forma efusiva e a pedido do ”maestro” não fez moche, fez mochinho.














Voltamos ao palco Zeca Afonso para o grande concerto de Rita Redshoes. Feito essencialmente de temas recentes, escritos por mulheres e sobre elas, houve ainda tempo para passar por alguns clássicos, de uma altura em que Rita cantava mais em inglês. Depois veio a surpresa, tudo combinado e ensaiado à tarde. Um coro local de gente que sempre ajudou a erguer os Bons Sons sobe a palco e traz outro encanto a algumas canções. Uma bela homenagem a Cem Soldos e às suas gentes. Pelo meio o palco transformado na sala de ensaios, trazendo um lado mais intimista à noite. Um espetáculo brilhante, onde as luzes deram ainda mais cor ao cenário, ajudando a pintar melhor este quadro.

Logo a seguir um punhado de estrelas sobe ao Lopes Graça, sob o nome de Seara. Júlio Pereira, Daniel Pereira Cristo, Amélia Muge, Rão Kyao e Manuel de Oliveira juntam-se para um momento em que música de raízes essencialmente tradicionais, desta e de outras paragens, é trazida com muita leveza e encanto. Cada um deles teve o seu momento, e cada um brilhou e mostrou a sua mestria da melhor maneira. Apesar de ter sido bom, e vindo de quem vinha, faltou apenas um clique que nos pudesse ter importunado ainda mais. Teria sido muito melhor.

O último “concerto” do festival coube à dupla MXGPU no palco António Variações. Formados pelos produtores Moullinex (Luís Clara Gomes) e GPU Panic (Guilherme Tomé Ribeiro), transformaram a eira numa gigante pista de dança. Entre um som mais eletrónico, a dupla não descura a parte mais humana do seu som onde a voz de tem papel importante. Foi um bom fecho de festa.

Não, a festa afinal só acabaria no palco Aguardela com o Baile Festeiro e o corte do bolo, feito pelos locais a comemorar 20 anos de Bons Sons. Nos pratos malta que criou o Bons Sons e gente que agora lá está, brindou todos com  um naipe de temas de bandas que já pisarem aquelas paragens.

O fim

A tristeza já nos invade a alma. Falta tanto tempo para regressar a Cem Soldos. O Bons Sons só deverá voltar em 2028. Como fazer para nos acalmarmos?

Se foi bom? É sempre! Se teve bons concertos? Tem sempre! Se poderiam ter ido outros artistas. Sim, obviamente! Mas quem por lá passou, esteve muito bem e fez desta, outra edição inesquecível. Uns melhores que outros, já foi dito.

E houve tanto para fazer. Tantos reencontros. Novas amizades. Cem Soldos é isto. O Bons Sons é isto. Não é passado, é futuro. São mais 20 anos, ou mais ainda. O Bons Sons somos todos nós, e eles, os de lá. Viver a aldeia é super. Não há festival como este e a música portuguesa agradece.

Um ano em que por graça se dizia, ser o do pé descalço e da palavra. Nos palcos dos Bons Sons foram muitos os artistas a aparecerem descalços a tocar e cantar. Houve também muita palavra e luta em muito concerto, sempre ordeira e sempre urgente.

Pensemos por agora que isto é um até já...


















Texto e Fotos: Nuno Ávila 

NOVO SINGLE DE SPRAY





















Já está disponível TERROR MAKER o novo single dos SPRAY. 

Posto de escuta: https://anti-demos-cracia.bandcamp.com/album/terror-maker

SPRAY - TERROR MAKER 
ADC160AGO2026 
Formato: Digital 

PROGRAMA DE 26/08/26

1 - Eden Synthetic Corps - Soothe
2 - Moonspell - Far from good
3 - DRKNSS - Looking for mercy
4 - Wolf X - Abyss
5 - Phantom Vision - Global worning
6 - Mekong - Danse danse
7 - A Trouxa Mouxa - Fai como o José Maria
8 - Sétima Legião - O baile (das sete partidas)
9 - emmy Curl - Senhora do Almortão
10 - Luta Livre - Fado imperfeito
11 - Romeu Bairos - Jacinta
12 - Lituo - Assim assim
13 - João Afonso - Matope
14 - Lavoisier - Portugal não me respeita
15 - Cara de Espelho - D de denúncia

MIGUEL CARMONA ANUNCIA PRIMEIRO CONCERTO EM NOME PRÓPRIO EM LISBOA





















Miguel Carmona acaba de anunciar o seu primeiro concerto em nome próprio em Lisboa. A 16 de março de 2027, o artista sobe ao palco do Teatro Maria Matos para um espetáculo que reúne, pela primeira vez, as canções que têm marcado o seu percurso e o segundo álbum de originais, com edição prevista para o início do ano.

Desde os covers e medleys com que começou a conquistar o público às primeiras canções originais, Miguel Carmona tem crescido à vista de quem o acompanha. Em 2024 editou Fora de Horas, o álbum de estreia, e desde então tem vindo a mostrar-se cada vez mais seguro naquilo que quer dizer e, sobretudo, na forma como o quer dizer.

No Teatro Maria Matos, esse universo ganha finalmente dimensão de espetáculo. Fora de Horas encontra-se com as canções mais recentes, entre elas “nada do que eu disse” e "mão dada (versão live acústica)", num concerto pensado de raiz para esta estreia em nome próprio e para apresentar, pela primeira vez ao vivo, o próximo disco.

CAFÉ CURTO REGRESSA AO CONVENTO SÃO FRANCISCO EM COIMBRA





















Depois de uma primeira metade do ano com programação regular e de nove sessões do Café Longo integradas no Verão a 2 Tempos, o Café Curto regressa ao Café Concerto do Convento São Francisco no dia 8 de setembro, retomando a sua programação semanal, com direito a uma surpresa no final do ano.

O Café Curto está de regresso ao Café Concerto do Convento São Francisco no dia 8 de setembro, dando início à segunda etapa da programação de 2026. Com curadoria da Blue House, coprodução do Convento São Francisco e financiamento da Câmara Municipal de Coimbra, o ciclo retoma a programação regular que se prolonga até ao final do ano, mantendo a aposta na música emergente e no apoio à criação artística.

Programação Café Curto e Café Duplo

O Café Curto regressa após a pausa de verão no dia 8 de setembro com Dela Marmy, seguido de Sara Cruz no dia 15. A 22 de setembro, a Curadoria Emergentes apresenta Beatriz Madruga, e o mês termina com o Café Duplo de Carlos Raposo e de Mariana Camacho (29 de setembro).

Em outubro, Bernardo Couto atua no dia 6, numa sessão associada ao Festival Correntes de Um Só Rio, seguindo-se a Mafalda no dia 13 de outubro. Já o MIC regressa a 20 de outubro com o Xanfana e o mês encerra, no dia 27, com o Café Duplo protagonizado por Inês Condeço e a italiana Giulia Gallina.

Em novembro, Catarina Branco atua no dia 3 e RUJO sobe ao palco a 10 de novembro. O ciclo prossegue com o Combo Jazz da Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra, a 17 de novembro, e o mês encerra com o Café Duplo de Rita Silva e Pedro Melo Alves, no dia 24.

Já em dezembro, a programação inicia-se no dia 1 com um concerto Clara Maio, o último MIC do ano; segue-se, a 8 de dezembro, um Café Curto com Polar Opposites; a 15 de dezembro, um último momento do Tour Emergente com LIKA; e o ano encerra-se a 22 de dezembro com o último e muito especial Café Duplo de 2026, que será uma espécie de presente de Natal. O projeto vai encerrar a programação de 2026 com uma surpresa, mantendo em segredo os artistas convidados até ao momento da apresentação. A sessão vai ser, simultaneamente, uma forma de fechar o ano do Café Curto e um presente para assinalar o oitavo aniversário da Blue House, que se celebra em dezembro.

ÁGORA REVELA PROGRAMAÇÃO


O ÁGORA regressa ao Castelo de Leiria, entre 18 e 20 de setembro, para uma nova edição que cruza música, artes performativas, instalação e património. Depois do anúncio dos primeiros nomes, o programa fica agora completo com novas propostas que ampliam o olhar sobre as diferentes formas de criar, escutar e habitar este lugar.

Durante três dias, o Castelo transforma-se num espaço de encontro entre artistas, público e património. Entre muralhas, cisternas, varandas e outros lugares do monumento, o ÁGORA propõe uma programação que convida a abrandar e a olhar de outra forma para aquilo que nos rodeia.

Mais do que ocupar o Castelo, o ÁGORA procura ativar o espaço através da criação artística. Um lugar que durante séculos foi pensado para proteger e separar pode hoje tornar-se um território de proximidade, partilha e imaginação. A música, a palavra, o corpo e a matéria tornam-se formas de criar novas relações com este património.

Novos artistas e novas criações

A programação recebe agora Djali Binto Kanuté, nascida na Guiné-Bissau, que traz consigo uma herança musical profundamente ligada aos djidius, os cantores tradicionais da sua terra. Entre tradição e contemporaneidade, a sua voz estabelece uma ligação com a memória e a força da música da África Ocidental, numa presença que leva ao Castelo de Leiria uma cultura musical marcada pela oralidade e pela transmissão entre gerações.

O ciclo Antiprincesas chega também ao ÁGORA com a história de Juana Azurduy, mulher-mãe-guerreira de origem indígena que participou nas lutas pela independência da Bolívia. O espetáculo recupera a figura de uma mulher valente, determinada e gentil, que enfrentou batalhas e desafiou as convenções do seu tempo. Uma história que questiona as figuras femininas que a História escolheu recordar e aquelas que ficaram esquecidas.

Nas cisternas do Castelo será apresentada Until Nothing Falls, Gravity Waits, uma instalação de Carincur + João Pedro Fonseca. Partindo de uma pedra suspensa, a obra explora as relações entre matéria, gravidade e perceção. A pedra, tradicionalmente associada à construção e ao limite, é retirada da sua função habitual e colocada num estado de suspensão, criando um diálogo entre peso e leveza, matéria e vazio.

Estas novas propostas juntam-se aos artistas já anunciados, entre os quais Asmâa Hamzaoui & Bnat Timbouktou, Israa Shalaby, Margaret Hermant, PAUS, Rita Silva & Mbye Ebrima, Manto Azul e el djinn الجن. Um conjunto de projetos que atravessa diferentes geografias, linguagens e formas de criação, mantendo como ponto comum a relação entre música, memória, corpo, território e comunidade.

Um programa para estar, ouvir e partilhar

Para além da programação artística, o ÁGORA propõe momentos de encontro que convidam o público a participar de forma mais direta.

É o caso de Partir Pão, Partir Pedra, um piquenique comunitário que acontece nas Varandas do Castelo de Leiria e que abre o primeiro dia do festival. A proposta é simples: cada pessoa traz pão, petiscos, fruta, bebidas ou qualquer outro alimento para partilhar numa mesa comum. Um gesto quotidiano que ganha outra dimensão dentro das muralhas. Partilhar comida é também partilhar tempo, histórias e espaço. É uma forma de criar comunidade e de transformar o património num lugar vivido, onde todos podem deixar uma marca.

Ao longo dos três dias, o ÁGORA propõe assim diferentes ritmos e formas de participação. Há espaço para a contemplação e para a celebração, para a escuta e para o movimento, para a experiência individual e para o encontro coletivo.

Se durante séculos as muralhas foram construídas para definir fronteiras, o ÁGORA propõe olhar para elas de outra maneira: como lugares onde é possível construir pontes. Talvez seja essa uma das funções da cultura: criar condições para estarmos juntos, para escutarmos outras vozes e para imaginarmos futuros diferentes.

Tal como nas edições anteriores, o bilhete habitual do Castelo de Leiria garante o acesso às atividades do ÁGORA, estando a entrada condicionada à lotação dos diferentes espaços. O acesso ao Castelo é gratuito para residentes no concelho de Leiria, mediante apresentação de comprovativo de morada e identificação.

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terça-feira, 25 de agosto de 2026

PROGRAMA DE 25/08/26

1 - Wolfskin - Despojos do sol-posto
2 - Urze de Lume - Liturgia da caruma
3 - Drusuna - Drumming wood
4 - Karnos - In the harrowing distance
5 - Her G meets Fuel 2 Fight - Às vezes lá no meu monte
6 - Orquestra Popular de Paio Pires - Da Alemanha e do Japão
7 - Sétima Legião - Sete Mares
8 - A Trouxa Mouxa - Fai como o José Maria

9 - O Mau Olhado - Dança d'o mau olhado
10 - Tó Trips e Fake Latinos - Rua escura
11 - Expresso Transatlântico - Não pares povo
12 - Miramar - Fado marado
13 - Orlando Cohen - Lullaby
14 - Estaca Zero - Gracinda

PECULIAR APRESENTA “HINO DO ALGARVE”, UMA CELEBRAÇÃO POP E IRREVERENTE DA IDENTIDADE ALGARVIA

Depois de afirmar a sua ligação ao Algarve através de “MOSS MOÇA”, Peculiar regressa às suas raízes com “HINO DO ALGARVE”, um novo single que cruza o corridinho e a música tradicional algarvia com uma sonoridade pop contemporânea, numa celebração tão afetiva quanto irreverente da região e de quem nela vive.

“HINO DO ALGARVE” nasceu da vontade de Peculiar criar uma música que representasse a sua região e os algarvios, a partir da forma como conhece, vive e sente o Algarve. Mais do que uma simples canção sobre o sul de Portugal, o tema parte de uma pergunta: “o que é, afinal, ser algarvio?”

A questão ganha particular relevância numa região que, durante os meses de verão, recebe uma enorme afluência de pessoas vindas de todo o país e do estrangeiro, enquanto muitos algarvios passam parte do ano fora da região, entre estudos, trabalho e novas oportunidades. Entre quem chega, quem parte e quem fica, “HINO DO ALGARVE” questiona aquilo que culturalmente define o Algarve e quem constrói essa identidade.

Com humor, ironia e expressões características da região, a música constrói um retrato feito de pequenas imagens do quotidiano algarvio: o sal no sangue, a areia na pele, o chinelo, as noites na açoteia, o mar, as tascas, os falares e a forma muito própria de estar de quem é “cá de baixo”.

Ao mesmo tempo, Peculiar aborda uma das questões mais presentes na identidade contemporânea do Algarve: a transformação da região durante os meses de verão e a chegada massiva de pessoas de fora. A música brinca com a fronteira entre quem é e quem não é algarvio, entre quem regressa e quem chega, e com a própria dificuldade de definir uma identidade que está em constante transformação.

Um dos elementos centrais de “HINO DO ALGARVE” é a enumeração dos 16 municípios algarvios, integrada na própria letra. De Tavira, Faro e Lagos a Alcoutim, Vila Real de Santo António e Castro Marim, a canção percorre musicalmente toda a região, transformando a sua geografia numa celebração da diversidade e da identidade algarvias.

Musicalmente, o tema parte do “corridinho e do folclore tradicional algarvio”, cruzando estes elementos com uma produção pop mais moderna e atual. O resultado é uma canção energética, dançável e acessível, que procura aproximar a tradição musical da região de uma nova geração e apresentar o Algarve através de uma linguagem contemporânea.

Essa vontade de representar a região estende-se também ao videoclipe. Filmado com uma equipa composta por algarvios, o vídeo procura colocar a própria comunidade no centro da narrativa, contando com a participação de bailarinos de folclore tradicional e de diferentes figuras ligadas à cultura algarvia.

O videoclipe conta ainda com a participação especial do comediante Moçê dum Cabréste, cuja presença assume um significado particular pelo impacto que tem enquanto figura algarvia e pela forma como mantém e divulga os falares, dizeres, tradições e cultura da região. Na componente musical, “HINO DO ALGARVE” conta também com a participação de mais um algarvio, David Mendonça, dos Vizinhos, no acordeão, reforçando a ligação do tema à sonoridade tradicional da região.

“HINO DO ALGARVE” é, assim, uma música sobre o Algarve feita a partir de dentro: com orgulho, humor, crítica e sentido de comunidade. Um hino sem pretensão de definir sozinho o que é ser algarvio, mas que procura juntar diferentes elementos de uma identidade comum e transformá-los numa canção que possa ser cantada, dançada e reconhecida por quem é de lá.

Entre tradição e modernidade, Peculiar apresenta uma nova forma de cantar o Algarve, um Algarve que se reinventa, mas que continua a reconhecer-se nas suas palavras, nos seus lugares e na sua gente.

BENJAMIM EDITA NOVO ÁLBUM “CRÓNICAS DO MONTE ZEUS” A 18 DE SETEMBRO















Benjamim edita no próximo dia 18 de Setembro o seu novo álbum, "Crónicas do Monte Zeus", o seu quinto álbum de estúdio, composto por oito canções originais que marcam o regresso assumido à palavra e à forma-canção de um dos mais singulares e surpreendentes escritores de canções da música portuguesa contemporânea.

Depois do percurso distinto de As Berlengas, Benjamim regressa aqui a um território mais depurado, onde a escrita, a melodia e a clareza da composição ocupam o centro. Os singles de antecipação, "Recursos Humanos" e "Os Dias do Nada", deram desde logo a medida deste novo ciclo, que se revela num conjunto de canções onde a actualidade, o amor e o trabalho se entrelaçam em histórias de transformação, desgaste, resistência e sobrevivência.

Um álbum que se revela, no seu todo, como um disco de amor. Um trabalho onde o amor surge menos como ideal abstracto e mais como prática quotidiana de construção, esforço, reparação e permanência. Ao longo destas oito canções, Benjamim desenha uma geografia afectiva feita de falhas, recomeços, medo, devoção, desgaste e desejo de permanecer.

Essa dimensão é também sublinhada no texto editorial* assinado por Hugo Van der Ding, que acompanha o lançamento e lê o disco como um lugar onde música, trabalho e amor se cruzam de forma íntima e profundamente humana. Essa leitura ajuda a iluminar o centro de "Crónicas do Monte Zeus": um conjunto de canções onde o amor não surge desligado do mundo, mas inscrito nas suas rotinas, tensões, fragilidades e formas de resistência.

Nas próprias letras, esse universo afirma-se com clareza. Em "Amor Operário", faixa que acompanha o lançamento do álbum, o amor aparece como prontidão, empenho, labor e liberdade, tornando-se uma chave evidente para a leitura de todo o disco. Em "O Fim da Greve", esse mesmo campo semântico ganha uma dimensão ainda mais concreta num dueto com Lena d'Água, onde a linguagem laboral se transforma em matéria íntima e afectiva. Em "Viver, Viver e Amar", a resistência abre-se a uma forma de entrega mais luminosa, onde amar é também insistir, aceitar e partilhar o tempo. Mesmo nas canções em que o desencanto, a ansiedade ou a desorientação surgem com maior nitidez, há sempre qualquer coisa que procura recompor-se, reparar-se, salvar-se.

Benjamim constrói assim um mapa sentimental em que aquilo que destrói e aquilo que conserta muitas vezes coincide. É nesse ponto de tensão entre lucidez e ternura, entre observação do presente e pulsação íntima, que o disco encontra a sua maior força.

Se As Berlengas era um disco marcado por um trabalho quase solitário e por uma construção fortemente apoiada em máquinas, sintetizadores e artifícios de estúdio, "Crónicas do Monte Zeus" faz o movimento inverso: traz as pessoas para dentro das canções. Também aí a ideia de trabalho ganha novo sentido. Este é um disco de recursos humanos no sentido mais literal e mais afectivo da expressão - um disco povoado por músicos, vozes, amigos e cumplicidades, onde a presença física de quem toca se torna parte essencial da sua identidade.

Produzido por João Correia e Benjamim, este é também o primeiro disco em que Benjamim convida alguém a partilhar consigo a produção, o que torna particularmente relevante o papel de João Correia na definição do som do álbum. Gravado e misturado por ambos no Submarino, com gravações adicionais em Alvito, e masterizado por Nelson Carvalho, o disco assume um processo de construção deliberadamente mais directo, mais próximo e menos polido. As bases foram gravadas ao vivo com um gravador de fita de 8 pistas, e essa opção técnica faz parte da própria identidade do álbum: ouve-se a fita, ouve-se a respiração da sala, ouve-se até o gravador a parar. Num tempo dominado pela eficiência, pela velocidade e por formas cada vez mais artificiais de produção, "Crónicas do Monte Zeus" escolhe uma espécie de intimidade imperfeita, humana e frontal, em absoluta sintonia com a escrita das canções.

À autoria de Benjamim juntam-se contributos que alargam e adensam o universo do disco, entre os quais o dueto com Lena d'Água em "O Fim da Greve", um solo de guitarra de Bruno Pernadas em "Os Dias do Nada", e a participação de José Soares no saxofone em "Recursos Humanos", "O Fim da Greve" e "Cola Quente". Nuno Lucas e Manuel Pinheiro assumem o comando do baixo e das percussões, respectivamente. Ao longo do álbum, várias canções contam ainda com a participação, nos coros, de artistas e amigos que reforçam a dimensão colectiva deste trabalho: António Vasconcelos Dias, Raquel Pimpão, Rita Cortezão, Inês Sousa, Joana Campelo, Margarida Campelo, Tipo e Francisca Cortesão.

Editado pelos Discos Submarinos, "Crónicas do Monte Zeus" confirma Benjamim como um autor único, capaz de transformar a experiência quotidiana em canções de grande densidade humana. Mais do que um novo capítulo na sua discografia, este é um disco que reafirma o amadurecimento inequívoco da sua escrita e uma capacidade rara de encontrar, no meio do ruído do mundo, uma forma clara, directa e profundamente comovente de cantar o amor.

*Desliguei-me das coisas que nos enchem os dias para ouvir o novo trabalho do Benjamim. E escolho escrever 'trabalho' e não álbum, ou disco ou canções, porque nelas ouve-se justamente o trabalho. O trabalho de compor música e o ofício de escrever palavras que a sustentem. O trabalho de insistir quando o mundo nos empurra para uma velocidade incompatível com aquilo que demora, ou quando só nos apetece puxar o lençol para cima da cabeça e dizer: hoje não vou trabalhar. E depois há outra construção. Há operários no amor, há andaimes, há quedas que podiam ter sido fatais. E há uma espécie de redenção nestas coisas, a Música, o Trabalho, o Amor. Coisas maiúsculas que nestas canções também podem ser minúsculas, a música, o trabalho, o amor. Porque o amor de que aqui se fala não é diferente do amor pelas outras coisas que fazemos, que tentamos, que repetimos. Dêem mais ou menos trabalho.

Há palavras concretas nestas canções, entre greves e recursos humanos, saídas de um mundo de esforço e de desgaste, mas que vão revelando que o amor se constrói aí, nesse território onde se insiste, onde se falha e onde se recomeça. Há o medo de perder e há também esse gesto mais simples e mais raro de viver, viver e amar. E depois, cola quente, para remendar o que se vai partindo. No fundo, uma viagem entre aquilo que nos destrói e o que nos conserta que, muitas vezes, é exactamente a mesma coisa. Volto às coisas que nos enchem os dias. O mundo não está melhor. Mas que bom quando a música nos lembra que sim, é sempre o amor que nos salva. E o amor, claro, dá muito trabalho.

- Hugo Van der Ding

OS MUSICOS DO TEJO REVELAM "MIO BEL TESORO"

 

















Evento de lançamento:
4 de setembro às 18h no Museu do Teatro Romano, Lisboa

Os Músicos do Tejo (dirigidos por Marcos Magalhães e Marta Araújo) têm desenvolvido um percurso assinalável no panorama europeu da música antiga, dando a conhecer obras do património musical português inéditas ou pouco acessíveis. Este novo registo editado pela Artway é dedicado a Francisco António de Almeida (1702-1755), um dos nomes mais importantes da música barroca portuguesa e na corte de D. João V. O concerto foi gravado pela RTP/Antena 2 no Museu do Dinheiro, em Lisboa, a 22 de novembro de 2024.

O programa do disco é fruto da descoberta de excertos das partituras manuscritas do “dramma per musica” Gl’Incanti d’Alcina (1730) e da serenata Il Vaticinio di Pallade e di Mercurio (1730-31). As respectivas árias tiveram a sua estreia moderna pelos Músicos do Tejo e por quatro cantores com profunda experiência e conhecimento sobre o período barroco: dois dos mais reputados cantores portugueses – a soprano Sandra Medeiros e o tenor Marco Alves dos Santos – e duas jovens estrelas em ascensão no panorama internacional – a soprano austríaca Johanna Falkinger e a mezzo-soprano espanhola Lucía Caihuela.

Com lançamento agendado para 4 de setembro, em CD e nas plataformas de streaming, Mio Bel Tesoro é um mergulho na música que marcou o rico ambiente artístico da Capela Real e da Patriarcal na Lisboa setecentista. Os Músicos do Tejo reafirmam o seu papel pioneiro na redescoberta do património musical português, oferecendo ao público e à comunidade internacional um contributo essencial para o conhecimento da música barroca europeia.

BLAYA LANÇA SINGLE COM MANGA LIMÃO





















"Pau Santo"
- um tema que junta Portugal e Brasil através dos ritmos tropicais, boas energias e muita dança.

Blaya junta-se aos Manga Limão em “Pau Santo”, o quarto single do próximo álbum Gingado Misturado, depois de “No Meu Tempo de Escola”, “Biri Bam Bam” e “Bate o Pé no Chão”. O novo tema cruza o universo provocador da artista com o groove tropical afro-pop da banda Manga Limão, num ritual de música, movimento e boas energias, e integra um álbum que reúne diferentes fases, memórias e experiências de Blaya numa espécie de autobiografia cantada.

O nome do tema inspira-se no pau santo, conhecido como “madeira sagrada”, tradicionalmente usado em rituais de purificação e associado à limpeza energética, tranquilidade e bem-estar — um imaginário de renovação que Blaya transporta para a música.

UM ENCONTRO NATURAL ENTRE BLAYA E MANGA LIMÃO

A colaboração com os Manga Limão surge de forma particularmente natural. A banda portuguesa, formada por Pedro Baptista, Yuri Dias, Henrique Hauzer e Tommaso Antico, tem vindo a construir uma identidade assente na fusão entre disco, hip-hop e ritmos tropicais, criando uma sonoridade vibrante, luminosa e feita para o movimento. 

É precisamente nesse território de cruzamento que os universos de Blaya e Manga Limão se encontram.

HORTUS MUSICALLIS EM SETEMBRO NO JARDIM BOTÂNICO DE COIMBRA





















Hortus Musicalis regressa ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra nos dias 4, 5 e 6 de setembro para a segunda parte da edição de 2026. Fish Dish, Lantana e Made of Bones encerram um programa dedicado à música improvisada e à criação contemporânea, sob o tema “Plantar Liberdade”. Os três concertos têm início às 18h00 e entrada livre.

Depois do primeiro fim de semana de programação, realizado em julho, o Hortus Musicalis regressa ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra nos dias 4, 5 e 6 de setembro, sempre às 18h00, para a segunda parte da edição de 2026. Promovido pelo Jardim Botânico da Universidade de Coimbra em parceria com o Jazz ao Centro Clube (JACC), com curadoria de Marcelo dos Reis, o ciclo mantém o mote “Plantar Liberdade” e volta a aproximar música, natureza e criação contemporânea. Todos os concertos têm entrada livre.

A programação de setembro começa a 4 de setembro, com Fish Dish, seguindo-se, no dia 5, Lantana. O ciclo encerra a 6 de setembro com Made of Bones. Três propostas que dão continuidade a um programa dedicado à experimentação, à improvisação e à exploração de novas linguagens sonoras, reunindo diferentes percursos e abordagens à criação musical contemporânea.

Ao longo de dois fins de semana, o Hortus Musicalis propõe o Jardim Botânico como espaço de escuta e encontro, onde a música dialoga com a paisagem e com as características singulares deste património natural. Sob o tema “Plantar Liberdade”, o ciclo parte da improvisação e da música livre enquanto práticas de criação, partilha e transformação, abrindo espaço para a descoberta de diferentes formas de construir e experimentar a música.

Com esta segunda parte, o Hortus Musicalis conclui a sua edição de 2026, reafirmando a vontade de apresentar no Jardim Botânico projetos que exploram os limites da criação musical e que encontram na liberdade artística um território de experimentação e diálogo.

Programa

HORTUS MUSICALIS
4, 5 e 6 de setembro
18h00
Jardim Botânico da Universidade de Coimbra
Capela de São Bento

4 de setembro | 18h00
Fish Dish

5 de setembro | 18h00
Lantana

6 de setembro | 18h00
Made of Bones

ELA JAGUAR PREPARAM NOVIDADES
















Os Ela Jaguar iniciam um novo capítulo no seu percurso. Depois da edição do álbum de estreia homónimo em 2025, e pela passagem pelo Jardins do Marquês, o coletivo prepara atualmente novas novidades para os próximos meses e confirma também a sua presença no Indie Music Fest.

A nova etapa surge na sequência de um período de consolidação para o projeto nascido em Oeiras em 2019, inicialmente fundado por Pedro Sacchetti, na guitarra, e Nuno Henriques, no baixo, a partir de uma filosofia assente na independência e numa abordagem Do It Yourself. A entrada de Filipe Ferreira, na bateria, João Fonseca, na percussão, e João Gil, nas teclas, viria posteriormente a consolidar o núcleo criativo responsável pela identidade atual dos Ela Jaguar.

Com músicos que acumulam experiências em projetos como For Pete Sake, LOT, Cais Sodré Funk Connection, Suzie and The Boys, Diabo na Cruz e You Can't Win, Charlie Brown, a banda desenvolveu ao longo dos últimos anos uma linguagem própria a partir do cruzamento de diferentes referências e percursos musicais.

Depois do EP “Ela Jaguar Vol. 1”, editado em 2023, os Ela Jaguar deram um novo passo em maio de 2025 com a edição do primeiro longa-duração, também intitulado “Ela Jaguar”. O disco aprofundou uma linguagem de fusão onde o groove associado à Motown e à Daptone Records se cruza com elementos de R&B, hip-hop e influências de world music, num universo marcado pela dimensão rítmica e por uma abordagem simultaneamente contemporânea e orgânica.

Essa identidade ganha uma dimensão distinta em palco. Ao vivo, os Ela Jaguar apresentam-se num formato alargado que junta ao núcleo da banda João Cabrita, no saxofone, e as vozes de Tiago Cardoso (NOMI) e Concha Sacchetti. Entre secções rítmicas vincadas, arranjos construídos para o formato ao vivo e uma forte componente de groove, os concertos assumem-se como uma extensão natural da linguagem desenvolvida em estúdio, privilegiando a energia coletiva, o movimento e a relação direta com o público.

É precisamente nesse contexto que surge a presença no Indie Music Fest, onde os Ela Jaguar voltam a apresentar ao vivo o repertório construído ao longo dos últimos anos, num momento em que a banda começa simultaneamente a preparar o próximo capítulo do projeto.

A entrada para a BarTrender, com Catarina Monteiro enquanto manager, acompanha agora essa nova fase e a vontade de ampliar o percurso ao vivo da banda. Depois de um caminho desenvolvido de forma independente desde a sua formação, o novo agenciamento representa um passo na estruturação e crescimento do projeto, mantendo a identidade artística construída pelos músicos desde 2019.

Paralelamente, os Ela Jaguar encontram-se a trabalhar em novidades que serão reveladas em breve, dando continuidade ao universo apresentado no álbum de estreia e abrindo caminho para uma nova etapa criativa.

Com seis anos de percurso, dois trabalhos editados e uma identidade construída entre diferentes linguagens da música de fusão contemporânea, os Ela Jaguar entram assim numa nova fase, entre o regresso aos palcos, o novo agenciamento e aquilo que se prepara para chegar nos próximos meses

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

PROGRAMA DE 24/08/26

1 - John Mercy - Prince of Babylon
2 - Devil of a Woman - Heaven needs a sinner
3 - Shadowmare - The will to resist
4 - Siul Sotnas - Aconteceu
5 - Tiago Nóia - Comem tudo
6 - Celso - Indiecorno
7 - Noves Fora Nada - Peço desculpa por ser pouco
8 - La Trouxa Mouxa - Fai como José Maria
9 - Sétima Legião - Noutro lugar
10 - Jonny Abbey com denada. - (rain in my) cup of tea
11 - Tipo - Já perdeu
12 - Quadra - Paixão
13 - Orange 3 - paixão 
14 - Afonsinhos do Condado - Rolar no chão

MÚSICOS UNEM-SE PARA HOMENAGEAREM O FORMATO MTV UNPLUGGED

 













As icónicas sessões acústicas que definiram a cultura musical dos anos 90 estão de regresso aos palcos, reinventadas pelas vozes e instrumentos de um novo power trio.

Os músicos, autores e compositores Bruno Celta, Tatiana e Peter Strange uniram forças num projeto intimista que presta uma sentida homenagem ao lendário formato MTV Unplugged.

O projeto nasce da paixão partilhada pelos três artistas pelas atuações despojadas que marcaram uma geração. Em palco, o trio revisita os arranjos acústicos de cortar a respiração que imortalizaram bandas e artistas como Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains, Eric Clapton ou Alanis Morissette, devolvendo ao público a crueza, a emoção e a proximidade que caracterizaram as míticas gravações em estúdio da estação televisiva.

Com uma vasta bagagem no panorama musical, Bruno Celta, Tatiana e Peter Strange, fundem as suas identidades artísticas para recriar a energia crua dos concertos acústicos de 90. Mais do que um concerto de tributo, o espetáculo apresenta-se como uma viagem no tempo e uma celebração da arte de fazer música ao vivo, sem filtros ou eletricidade em excesso.

O espetáculo está desde Maio a percorrer várias salas de concerto e festivais pelo país, tendo já em poucos meses dado perto de vinte concertos. Prometem noites de nostalgia e grandes temas reinventados.

O GAJO AO VIVO


Casa cheia para receber O GAJO no Auditório do Centro de Artes de Sines.

Obrigado a todos os que participaram nesta noite e parabéns à Biblioteca Municipal pelo seu 21º aniversário.

PRÓXIMAS DATAS:
28 Agosto - Castelo de Vide
5 Setembro - Tavira
19 Setembro - Salvaterra de Magos
20 Setembro - Aveiro
25 Setembro - Castelo Branco
17 Outubro - Mafra
20 Novembro - Cine-Concerto - Castelo de Vide

FALTAM MENOS DE DUAS SEMANAS PARA A 11.ª EDIÇÃO DO FESTIVAL F





















A menos de duas semanas do arranque, o Festival F prepara-se para regressar à Vila Adentro, em Faro, entre 3 e 5 de setembro. A 11.ª edição volta a juntar alguns dos nomes mais relevantes da música portuguesa, novos projetos, propostas internacionais e uma programação que se estende muito para lá dos concertos. Entre palcos, ruas, exposições, encontros e diferentes formas de descobrir a cidade, destacamos 10 razões para não perder esta edição:

1. Carminho e Ricardo Ribeiro com Orquestras do Algarve

O Festival F volta a criar encontros únicos pensados especialmente para Faro. Nesta edição, Carminho junta-se à Orquestra do Algarve, enquanto Ricardo Ribeiro atua acompanhado pela Orquestra de Jazz do Algarve, em dois concertos que aproximam duas grandes vozes do fado a formações profundamente ligadas à região.

2. Artists & Fleas leva uma comunidade criativa à Rua Galp

A Rua Galp recebe este ano o Artists & Fleas, uma plataforma dedicada a criadores, artistas e pequenos produtores independentes. Artesanato, design, ilustração, moda, joalharia, cosmética natural e outros projetos autorais encontram aqui um espaço de encontro com o público. O Artists & Fleas procura criar comunidade em torno da criatividade e dar visibilidade a projetos independentes, muitos deles ligados ao Algarve.

3. Tz da Coronel traz o rap brasileiro a Faro

O rapper brasileiro Tz da Coronel é um dos nomes internacionais da 11.ª edição do Festival F e reforça a presença da música lusófona no cartaz. Ao lado de Nelson Freitas, um dos nomes de referência da música cabo-verdiana contemporânea, contribui para uma programação que cruza diferentes geografias e linguagens.

4. O regresso da Silent Party by Citroën

A Silent Party by Citroën está de volta ao Festival F, desta vez no Palco Castelo, onde todos os dias o público poderá escolher entre dois DJ’s através dos auscultadores disponibilizados pelo festival. Uma pista onde cada pessoa dança ao seu próprio som e onde, para quem está de fora, o silêncio também faz parte da experiência.

5. A estreia dos Mind da Gap e uma história incontornável do hip hop português

Com mais de três décadas de percurso e um lugar incontornável na história do hip hop nacional,

os Mind da Gap atuam este ano pela primeira vez no Festival F. O grupo do Porto leva a Faro um repertório que atravessa diferentes gerações e ajuda a contar a evolução do rap português.

6. Espaço Fagar Kids F

No Largo de São Francisco, junto ao Palco Ria, o Fagar Kids é o espaço dedicado às crianças entre os 6 e os 10 anos. Entre as 20h00 e as 24h00, os mais novos poderão participar em diferentes atividades e experiências lúdico-pedagógicas, reforçando uma programação pensada para que o festival possa ser vivido por diferentes gerações.

7. Chico da Tina de regresso ao Festival F

Com uma identidade imediatamente reconhecível e uma abordagem que cruza rap, portugalidade e humor, Chico da Tina tornou-se uma das figuras mais singulares da sua geração. Este ano regressa ao Festival F, depois de um concerto memorável em 2022 e traz a Faro o seu universo muito próprio, construído entre tradição e códigos da cultura contemporânea.

8. Arte contemporânea e exposições por descobrir

A música não é a única forma de criação presente no Festival F. O Museu Municipal de Faro recebe as exposições “Olhar a Paisagem: A partir das coleções do MNAA” e “Arte Portuguesa Século XIX-XX: Coleção Miguel Duarte”, enquanto a Galeria Municipal Trem “Manuel Baptista” apresenta “Manuel Baptista — Arquivos (in)visíveis”.

A estas propostas junta-se ainda um espaço dedicado à arte contemporânea desenvolvido pela associação algarvia 289, reforçando a presença das artes visuais ao longo do festival.

9. Dança, poesia e animação percorrem a Vila Adentro

Entre concertos, a programação continua pelas ruas. Arruadas, poesia, dança, animação de rua e a presença do Grupo Coral Ossónoba fazem parte das artes performativas previstas para esta edição.

10. Videomapping no Palco Fábrica Idealista

Durante os três dias do Festival F, o Palco Fábrica Idealista recebe projeções de videomapping que cruzam imagem, luz e som. Os trabalhos, apresentados pela Fuse - design lab, são uma forma de levar a criação visual para o espaço público e acrescentar uma nova dimensão ao percurso pelo centro histórico durante o festival.

11. Ver Faro a partir do Festival F

Assistir a um concerto junto à Fábrica da Cerveja, perder-se pelas ruas e recantos da Vila Adentro, visitar o Museu Municipal, antigo Convento de Nossa Senhora da Assunção, ou ver o pôr do sol sobre a Ria Formosa enquanto decorre um concerto no Palco Arco. Ao longo de três dias, o Festival F volta a convidar o público a descobrir não apenas a programação, mas também Faro e alguns dos lugares que fazem parte da identidade da cidade.

Organizado pela Câmara Municipal de Faro, Ambifaro e o Teatro das Figuras, o Festival F continua a crescer e a reforçar a sua missão: valorizar a música portuguesa, apoiar novos talentos e contribuir para o desenvolvimento cultural e social da cidade de Faro.

A 11.ª edição do Festival F decorre entre 3 e 5 de setembro, na Vila Adentro, em Faro.

Bilhetes e programação em festivalf.pt.

ESTÃO A CHEGAR AS TAGUSPARK MUSIC SESSIONS





















O Auditório do Taguspark recebe, entre os dias 30 de setembro e 18 de novembro, a primeira edição do Taguspark Music Sessions, um novo ciclo de concertos promovido pela Luckyman Music e dedicado à música portuguesa contemporânea. Carlos Bica, Cabrita e Ricardo Reis Soares são os artistas confirmados para uma programação que cruza canção de autor, jazz e composição original, reforçando a oferta cultural da Cidade do Conhecimento. Os bilhetes já se encontram disponíveis na BOL.

Ao longo de três datas, o ciclo reúne propostas artísticas de diferentes gerações e percursos, afirmando uma programação assente na diversidade estética, na proximidade entre artistas e público e na valorização da criação musical portuguesa. Mais do que um conjunto de concertos, o Taguspark Music Sessions nasce com a intenção de se afirmar como uma proposta de programação cultural regular, criando um espaço de encontro entre diferentes linguagens musicais num contexto pensado para a escuta atenta e para a experiência ao vivo.

A abertura acontece a 30 de setembro, com Carlos Bica, um dos nomes maiores do jazz europeu e figura incontornável da música portuguesa contemporânea. Com um percurso internacional consolidado e uma linguagem que atravessa jazz, música improvisada e composição autoral, o contrabaixista leva ao Auditório do Taguspark uma abordagem marcada pela subtileza, pela liberdade criativa e pela expressividade da interpretação.

O segundo concerto realiza-se a 21 de outubro, com Cabrita, músico e compositor que tem vindo a construir um percurso singular entre o jazz, a experimentação e a fusão contemporânea. Depois da edição do EP “Afterlife” e da preparação do seu terceiro longa-duração, “#partytime”, Cabrita apresenta uma proposta onde o saxofone convive com eletrónica, groove e exploração sonora, afirmando uma identidade artística em permanente transformação.

O ciclo encerra a 18 de novembro com Ricardo Reis Soares, singer-songwriter que se tem destacado por uma escrita intimista e centrada na palavra. Depois da edição do EP “contra tempo”, em novembro de 2025, o músico leva ao Taguspark um repertório onde as canções surgem como observações do quotidiano, desenvolvidas através de uma abordagem influenciada pela formação em jazz e pela procura de uma escuta mais demorada do mundo que o rodeia.

Com esta primeira edição, o Taguspark Music Sessions inaugura um novo espaço dedicado à música ao vivo na Cidade do Conhecimento, reunindo artistas com percursos distintos num ciclo que privilegia a qualidade artística, a diversidade das propostas e a criação de uma relação próxima com o público.

SOMA PLEASE AO VIVO





















Os Soma Please, projecto luso-britânico formado por Nuno Bracourt e Rob Williamson, levam aos palcos “ballet”, o EP de estreia editado em maio e que tem vindo a conquistar o público e a crítica dentro e fora de Portugal.

A 30 de agosto, o duo apresenta-se pela primeira vez em Lisboa, na Casa Capitão, num concerto com entrada livre. Já em setembro, no dia 4, passam pelo Indie Music Fest, em Baltar, Paredes, e no dia 24, pelo Festival Gliding Barnacles, na Figueira da Foz.

Além das canções do EP, os próximos concertos serão também uma oportunidade para ouvir, em primeira mão, uma série de canções inéditas, que chegarão ao público nos próximos meses.

Sobre SOMA PLEASE:

Soma Please é um projecto formado pela dupla de produtores Nuno Bracourt e Rob Williamson. O duo luso-britânico conheceu-se em Manchester e, desde então, tem desenvolvido uma colaboração moldada por viagens entre Inglaterra e Portugal, acompanhadas de longas videochamadas. Em novembro de 2025, marcaram o início do seu percurso com o lançamento de ‘Pockets On My Sleeves’, single que estreou na BBC Radio, no Reino Unido, e que desde então tem mantido lugar cativo no Top A3.30 da Antena 3.

Em maio, a dupla lançou o seu EP de estreia, ‘ballet’, que tem vindo a conquistar o público e a crítica dentro e fora de Portugal. Os mais recentes singles, 'Love' e 'I’m a Fan', evidenciam a diversidade sonora do EP, sendo este último marcado pela participação especial de Julien Barbagallo, baterista que integra a formação ao vivo de Tame Impala.

domingo, 23 de agosto de 2026

9ª EDIÇÃO DO VIALONGA FEST A 19 DE SETEMBRO


A Freguesia de Vialonga no Concelho de Vila Franca de Xira, volta a ser palco de um dos eventos culturais mais aguardados da região. No próximo dia 19 de setembro, realiza-se a 9.ª edição do Vialonga Fest, numa celebração que reúne música, cultura, talento e solidariedade.

Com entrada livre, o festival apresenta um cartaz diversificado e vibrante, dedicado sobretudo à música alternativa e independente, com atuações de Lesados, Endless 2.0, Dalai Lume, Last Piss Before Death, Faemine, Cobra ao Pescoço, Chaos Addiction e Vasco Rodrigues.

Mais do que um encontro musical, o Vialonga Fest afirma-se, ano após ano, como um espaço de convívio, expressão artística e participação da comunidade. Durante o evento, o público poderá também visitar diversas bancas de merchandising e conhecer projetos ligados à cultura e à comunidade.

A solidariedade volta igualmente a ter um papel de destaque nesta edição. Cada visitante é convidado a contribuir com um alimento para apoiar a associação Kausa Animal, numa iniciativa que pretende reforçar os valores de entreajuda e responsabilidade social que fazem parte da identidade do festival.

Ao longo das suas nove edições, o Vialonga Fest tem vindo a consolidar-se como uma marca identitária da freguesia de Vialonga. Mais do que um evento musical, o Vialonga Fest pretende ser um espaço de encontro e participação da comunidade, onde a cultura e a música se cruzam com valores como a partilha e a solidariedade. Através da valorização de artistas independentes, do envolvimento da comunidade e da recolha de alimentos para apoiar a Kausa Animal, o festival procura transformar a celebração cultural num momento de convívio, mparticipação e entreajuda.

A 9.ª edição promete, assim, mais um dia de música e convívio, aberto a todos.

9.ª edição do Vialonga Fest — música, cultura e solidariedade em Vialonga!
Data: 19 de setembro, 17h
Local: Vialonga – Sociedade Recreativa da Granja
Entrada: Gratuita

A organização convida todos a participar e, se possível, a trazer um alimento para apoiar a Kausa Animal.