quarta-feira, 6 de maio de 2020

LUÍS VARATOJO PRATICA LUTA LIVRE





















A cantiga é uma arma que a Luta Livre dispara com estrondo contra o adormecimento coletivo. A desinformação é o ópio do povo. A ignorância facilita a manipulação das massas. A apatia permite que outros tomem decisões por nós. Luta Livre é pois música de intervenção alicerçada na melhor tradição de Zeca Afonso, José Mário Branco, Clash ou Gil Scott-Heron, mas com uma linguagem estética aplicada à vida contemporânea, feita de ecrãs, redes sociais, frases curtas, movimentos rápidos. Musicalmente, também responde a essa nova essência mesclada, algures entre o jazz, o pop e o hip-hop, mas sem nunca se dispersar ao ponto de pôr em causa a clareza da mensagem. Mudam-se os tempos mudam-se as canções. Mas a Luta continua.


Manuel Halpern
(Jornalista)

Política (1º single)

“O refrão repete que as classes dominantes têm horror aos colectivos, e fico com a sensação de que as classes dominantes têm horror a tudo o que esta canção diz e representa. Há 46 anos, em Abril, ganhámos a liberdade de poder falar publicamente de política, de poder discuti-la e, no entanto, "política" tornou-se uma palavra desagradável, é falta de etiqueta levantar esse tema na maioria das situações de convívio. O próprio vocabulário desta canção - "associações, sindicatos e partidos" - é amplamente considerado obsoleto e rejeitado por discursos "modernos", é visto como datado e inconveniente. As próprias classes dominantes não querem ser chamadas por esse nome, ao fazê-lo teriam de aceitar uma visão social que considerasse classes e, assim, admitir a desigualdade classista. Hoje, o estudante e cidadão exemplar, que é evocado na canção, já interiorizou que as desigualdades são fruto das diferenças de mérito. A cartilha do mercado e dos "gostos" nas redes sociais afirma sem pudor que a pobreza nasce da falta de mérito para ser rico. Desde há 46 anos que, em Abril, regressa a memória daquilo que o sonho de liberdade é capaz. Precisamos muito de quem nos avive essa memória. Ainda bem que continua a haver quem não tenha medo de dizer certas palavras, de cantá-las.”

José Luís Peixoto

Ninguém Quer Saber (2º single)

“A cantiga é uma arma que a Luta Livre dispara com estrondo contra o adormecimento coletivo. “Ninguém quer Saber”, o segundo vídeo do projeto de Luís Varatojo, tem uma construção irónica e original, como se colecionasse os mais insólitos títulos do Jornal do Incrível na direção de um refrão esclarecedor. A desinformação é o ópio do povo. A ignorância facilita a manipulação das massas. A apatia permite que outros tomem decisões por nós. Luta Livre é pois música de intervenção alicerçada na melhor tradição de Zeca Afonso, José Mário Branco, Clash ou Gil Scott-Heron, mas com uma linguagem estética aplicada à vida contemporânea, feita de ecrãs, redes sociais, frases curtas, movimentos rápidos. Musicalmente, também responde a essa nova essência mesclada, algures entre o jazz, o pop e o hip-hop, mas sem nunca se dispersar ao ponto de pôr em causa a clareza da mensagem. Mudam-se os tempos mudam-se as canções. Mas a Luta continua.”

Manuel Halpern
(Jornalista)
LUTA LIVRE é um projecto de Luis Varatojo (Peste & Sida, Despe e Siga, Linha da Frente, A Naifa, Fandango).




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