segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

DESFAZER O MITO



 












MITO é a raiz que nasce e cresce nas ruas de uma Lisboa apagada. É quando a luz natural se extingue e os candeeiros brilham com todo o seu esplendor que a raiz emerge, tímida, entre as pedras da calçada. Com um comportamento próprio, um olhar clínico, espreita a cidade de uma perspectiva escondida ao olho comum. O imaginário URBANO, CONTEMPORÂNEO, NEON, POP e ELÉCTRICO funde-se a um profundo desejo da experimentação e, nesse momento, forma-se um líquido mágico, com traços de um pop-electrónico de origens indefinidas, e que que explora a nossa língua materna de uma forma única.

As palavras do disco de estreia de MITO, composto por 10 temas a editar no começo do próximo ano, e deste primeiro tema em particular, “Vida de Cão”, não deixam de carregar uma verdade e um romantismo profundo quando proferidas pela boca de Pedro Zuzarte, compositor e vocalista que largou Direito na Universidade Clássica para levar uma vida de criação - dividida entre o fazer música e o fazer vinho. A outra metade da banda é Manuel Siqueira, guitarrista e multi-instrumentista que partilha uma amizade e uma colaboração musical com o Pedro há mais de uma década.

Em “Vida de Cão”, as palavras de Agostinho da Silva vêm à cabeça, "o homem não nasce para trabalhar, o homem nasce para criar", e levantam o véu para a questão fundamental que é compreendermos o propósito das nossas vidas, muitas vezes em choque directo com as expectativas geradas para as mesmas - pela sociedade e pela família. É o dilema do artista, poderá dizer-se, embora, na verdade, seja o dilema de todos.

Sobre o primeiro tema a ser revelado, referem: "Vida de Cão" é sobre a luta de perseguir um sonho. Persegui-lo apesar da resistência familiar, social e até vinda de nós mesmos. Descreve, sarcasticamente, a percepção desta nossa vida aos olhos dos outros, que a encaram de forma leviana“. E prosseguem Se a origem da canção tem um teor muito pessoal e parte das vivências de um artista que se deseja focar na sua arte e desprender-se do resto, a materialização destas ideias em música passa por uma série de outros filtros menos óbvios à primeira audição - por um lado uma combinação invulgar de estilos e influências, como qualquer artista que ambicione trazer algo de valor terá necessariamente de conjugar, e as barreiras do "género", às quais MITO não é certamente excepção. Por outro lado, a tentativa racional de um afastamento dessas influências, procurando obter uma qualquer combinação paradoxal de estranheza e familiaridade, criando um produto de difícil classificação. A vontade de descoberta está presente na banda, e a intenção é óbvia: quem ouvir deverá dizer "pois claro, isto é MITO".

Estes nomes não surgem agora no panorama musical português, tendo já uma carreira de três discos lançados com a banda Lotus Fever, da qual são ambos fundadores. Tocaram em grande parte das rádios nacionais e deram concertos por todo o país.

Na sua procura musical, o Manuel e o Pedro não se agarram a um estilo ou a ideias pré-concebidas - e MITO surge como afirmação disso mesmo. O Pedro e o Manuel não se agarram a uma estética, a sua procura diária é de um caminho novo a descobrir, de um som novo por explorar, de uma ideia não pensada, sem nunca fugirem ao que é a sua essência mas expandindo-a para áreas que certamente não compreendem à primeira. Daí que, no álbum que aí vem, cada música seja uma espécie de miradouro futurista desta cidade. Sempre com um ponto de vista diferente. Sem repetições ou monotonia. As várias faces do MITO.

Para a realização do teledisco que acompanha a distribuição da canção, MITO convidou Joana Linda, realizadora, que trouxe para o universo do grupo uma visão quase que literal e fotográfica de “Vida de Cão”.

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