sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

LUCA ARGEL EDITA NOVO ÁLBUM "O HOMEM TRISTE"





















Pintura original da artista plástica Mariana Poppovic

O Homem Triste, o novo álbum de Luca Argel, é editado a 23 de janeiro, após a apresentação dos singles “Primeiro Mar” (2 de janeiro), “Arqueologia do Armário” (9 de janeiro) e “Se Acabou” (16 de janeiro). Produzido por Moreno Veloso, o disco reúne canções que refletem sobre a forma como os homens aprendem, ou não aprendem, a lidar com as próprias emoções.

Partindo de uma experiência íntima, Luca Argel aborda temas como a frustração, a tristeza, o fracasso e a dificuldade em reconhecer a fragilidade. O Homem Triste nasce da consciência de que muitos homens crescem sem vocabulário emocional para compreender o que sentem, sendo ensinados a esconder a dor, a evitar o pedido de ajuda e a confundir força com invulnerabilidade.

Ao longo do álbum, essas questões são trabalhadas sem discursos fechados ou respostas definitivas. As canções funcionam como espaços de escuta e identificação, onde a fragilidade surge não como fraqueza, mas como condição humana inevitável. A produção de Moreno Veloso acompanha essa abordagem com subtileza e rigor, criando um ambiente sonoro que respeita a palavra, o tempo e a respiração de cada tema.

Musicalmente, O Homem Triste constrói-se a partir de uma linguagem orgânica e plural, onde o violão e a voz de Luca Argel assumem o centro, em diálogo com uma formação que cruza bateria, baixo, percussões, guitarras e teclados, filtrados por um olhar atento à canção popular e ao cancioneiro contemporâneo. A presença da orquestra de cordas, com arranjos assinados por Marcelo Caldi e interpretados pela Arnema Orchestra sob a direção de Sílvio Cortez, adiciona uma dimensão sinfónica que expande o universo sonoro do disco e sublinha a sua ambição estética. Neste percurso, encontram-se ecos de tradições que vão da canção popular brasileira ao folk intimista e à música de autor contemporânea, atravessando referências à tradição acústica e às texturas orquestrais que, tal como em singles como “Primeiro Mar”, “Arqueologia de Armário” e “Se Acabou”, articulam sobriedade, lirismo e uma sensibilidade narrativa própria. A escolha de Moreno Veloso como produtor reforça essa ponte entre universos, raízes e territórios musicais que fazem parte da identidade artística de Luca Argel.

A acompanhar o disco, o músico desenvolveu também o Mapa d’O Homem Triste, uma cartografia simbólica que amplia o universo do álbum. Neste mapa, emoções, silêncios e zonas de conflito surgem transformados em lugares e percursos imaginários, convidando a uma leitura livre e subjetiva. Longe de funcionar como guia ou interpretação fechada, o mapa assume-se como uma extensão visual e poética das canções, reforçando a dimensão artística e emocional do projeto.

Mais do que um exercício autobiográfico, O Homem Triste propõe um olhar generoso sobre o que significa ser homem num mundo cheio de perigosas fórmulas prontas. O disco convida à empatia, ao cuidado e à possibilidade de relações mais ricas e conscientes — consigo próprio e com os outros.

Com este álbum, Luca Argel aprofunda um percurso artístico atento às contradições e desafios das dimensões emocionais e humanas da experiência humana contemporânea, afirmando O Homem Triste como um trabalho de maturidade, escuta e coragem.

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