Os Recante estreiam-se no dia 28 de fevereiro na Casa do Alentejo, em Lisboa, num concerto que se assume como um momento especial no percurso do projeto e que contará com a participação de uma panóplia de ilustres convidados, a anunciar em breve. A apresentação marca o arranque oficial da temporada de 2026 e afirma-se como um ponto estratégico na consolidação dos Recante enquanto proposta musical de referência no panorama nacional.
Encabeçado pela voz e interpretação de Maria João Jones, o grupo tem vindo a dar a conhecer o cancioneiro tradicional e as modas seculares alentejanas de uma forma singular, aliando a paixão pelo património imaterial do Alentejo a ambientes criados por sintetizadores e batidas energéticas. Partindo da música tradicional alentejana - dos seus modos, cadências e poéticas -, os Recante reinventam-na através de uma linguagem contemporânea, onde a eletrónica e a experimentação sonora surgem como ferramentas de expansão, nunca como substituição da identidade de raiz. A paisagem sonora criada pelo projeto dialoga com universos eletrónicos e experimentais das décadas de 1960 e 1970, assim como com abordagens mais recentes que cruzam tradição, espiritualidade e música do mundo.
“Desde o início, questionamos o que significa reinventar sem descaracterizar, criar sem romper com a raiz. Existe desde o primeiro dia, a vontade de experimentar mas também o respeito profundo pelo cancioneiro alentejano e a permanente ideia de que a tradição é um organismo vivo”. - explica Maria João Jones, voz inconfundível que lidera o projeto.
Desde a sua estreia em 2023, no Cineteatro Louletano, integrada no evento RHI-Think do Arte Institute, os Recante têm construído um percurso consistente e progressivo. Em novembro de 2023 editaram o seu primeiro EP, “As Horas que São”, e em 2024 a tour homónima percorreu várias localidades do país, dando origem a um documentário orgânico apresentado em cine-concerto nos Cinemas NOS do Fórum Algarve, numa sessão esgotada. Nesse mesmo ano, o ciclo “Em Volta Redonda” passou por palcos como o Cineteatro de Almodôvar, o Teatro Municipal de Portimão e a Fortaleza de Sagres.
Já em 2025, com a digressão “Põe-se o Sol vem a Geada”, o projeto afirmou-se em festivais e salas de referência como o Festival F, o Festival Periférico, o Teatro das Figuras e o Auditório da Música Nova, em Loulé. O ano ficou ainda marcado pela primeira atuação internacional do grupo, no Festival de Literatura de São Tomé e Príncipe, e pelo encontro em palco com o Grupo Coral Raízes do Cante, no Centro Cultural de Cuba.
É precisamente esse diálogo entre tradição e contemporaneidade que volta a acontecer na Casa do Alentejo, com a participação especial do Grupo Coral Raízes do Cante de Cuba, num momento de cruzamento entre a vertente mais tradicional do cante e a abordagem arrojada e contemporânea dos Recante. Trata-se de um encontro simbólico entre memória, território e presente, num espaço profundamente ligado à cultura alentejana.
Para a temporada de 2026, os Recante apresentam-se com uma formação que integra, para além de Maria João Jones e do multi-instrumentista, produtor e diretor musical Luís Caracinha (Alfaro), o pianista Miguel Guerreiro, que se juntou ao projeto em 2025, e o baterista Ivo Martins, cuja abordagem híbrida incorpora texturas da percussão tradicional portuguesa.
Mais do que um concerto, a apresentação de 28 de fevereiro na Casa do Alentejo assume-se como um gesto de afirmação cultural. A música que nasce do Alentejo regressa simbolicamente à sua casa, agora em contexto urbano e nacional, reforçando a dimensão identitária, patrimonial e contemporânea do projeto. O espetáculo propõe um encontro entre território, memória e contemporaneidade, num momento de escuta, proximidade e celebração da música enquanto herança viva.
Os bilhetes já se encontram à venda, com o valor de 15 euros até 31 de janeiro ou para os primeiros 50 bilhetes, passando a 18 euros em bilhete normal.

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