segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004

THE ULTIMATE ARCHITECTS - Elevata (Edição de Autor/Musicactiva)



Num ano em que os sons electrónicos parecem querer invadir as edições portuguesas, os The Ultimate Architects são mais uma banda que se deixa dominar pelas máquinas. Só que, ao contrário da maioria dos grupos, os The Ultimate Architects, não olham para a musica com uma perspectiva futurista. Neste seu primeiro EP, a banda oferece ao público que os escuta uma quantidade de sons que mergulham fundo no imaginário electro-pop dos anos 80. Não se pense contudo, que isto é um defeito, já que que, retirando a maioria dos projectos editados pela Thisco, não existem em Portugal muitos grupos a criar este tipo de música. Só o é, na medida em que a banda não se consegue descolar a cem por cento das suas influências, criando musicas que facilmente associamos a outros projectos.
Ao ouvirmos as primeiras notas do tema “Neon Moon” logo a imagem dos Depeche Mode nos salta à cabeça. Ao continuarmos a escutar “Elevata” facilmente nos apercebemos que da colecção privada de discos dos elementos do grupo fazem igualmente parte bandas como os Front 242, Cassandra Complex ou Nitzer Ebb.
Se isto pode passar por ser um problema menor, que facilmente se combate com trabalho, já o facto de a maioria dos temas ser servido por uma voz pouco madura e encorpada se torna num mal que deve ser corrigido a curto prazo. A solução passaria por a banda assumir novamente a sua posição inicial em que a ideia era criar maioritáriamente temas instrumentais, até porque, desta maneira, conseguiriam imprimir um cunho mais original à sua criação.
Facilmente se nota que com este seu primeiro registo, os The Ultimate Architects dão um passo atrás relativamente à maquete inicial, onde as influências do projecto se escondiam por entre sons mais inspirados e onde a voz mal se ouvia.
Por vezes a pressa de editar traz consigo alguns riscos. Agora, não adianta chorar sobre o leite derramado, à é que olhar para o futuro com a certeza de que se é capaz de fazer bem melhor. No fundo, “Elevata” não é um registo que envergonhe a banda, até porque não aparecem nos escaparates muitas edições com esta qualidade gráfica.

Nuno Ávila

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