segunda-feira, 14 de março de 2005

BLASTED MECHANISM - “Avatara” (Metrodiscos/Universal)


Ao pegarmos na capa do novo cd dos Blasted Mechanism reparamos que estão diferentes. Aparecem trajados a fazer lembrar cavaleiros medievais. Vamos então dar inicio a esta batalha. Quem irá vencer?
Os primeiros sons que pintam este combate, trazem até nós uns Blasted Mechanism que já conhecemos de gingeira. São 4 temas, onde voltam a estar bem presentes todas as influências que a banda vai buscar ao norte de África e que muito bem ficariam em qualquer um dos anteriores discos. É assim, com algum sabor amargo na língua que damos início à audição de “Avatara”.
Mais eis que ao quinto tema, o sol brilha no campo de batalha. Os Blasted Mechanism resolvem usar novas lanças neste combate. Com “Power” a banda disfere o seu primeiro golpe certeiro, deixando o adversário ko. Maria João empresta a sua voz a este tema dando-lhe um colorido fora de série. Genial!…
E a partir daqui a banda mostra enorme vontade de querer lutar de forma diferente. E as batalhas só se ganham se as técnicas usadas se forem renovando. Se se forem experimentando caminhos novos.
E até ao fim os Blasted vão mostrar porque é que são de facto uma das mais inovadoras bandas do actual panorama da música nacional.
Neste segundo lote de temas só “Memories Will Fade” é carta fora do baralho, podendo muito bem ter ficado no topo do disco.
Imaginem, que até o que parecia impossível acontece. Os Blasted com a ajuda dos Dealema trazem em “Hand Full Of Nothing” o hip-hop ao seu som. Segundo grande golpe disferido. Mais uma vez sublime!
Por minutos, com a ajuda de “So Space Out” a batalha acalma, para voltar a ganhar novo folgo com os ritmos tribalistas de “Take That Shot” e “Pink Hurricane” onde Maria João se transforma numa feiticeira índia.
A batalha está ganha e os Blasted Mechanism fazem a festa ao som dos ritmos dançáveis de “Space Hopper”.
Estamos então perante um disco quente e inovador que só peca pelo facto de não nos conseguir entusiasmar sempre da mesma maneira. Mas apesar de nesta batalha os nossos sentimentos atravessarem montes e vales, chegamos ao fim cansados mas com o sabor da vitória estampado no rosto.
Se “Avatara” podia ser um disco melhor? Talvez. Contudo seria impensável ver os Blasted Mechanism desligarem-se de forma violenta do passado. Já o fizeram uma vez e por pouco a corda não quebrava. Tiveram arte e engenho para se manterem no topo.
Por isso há que dize-lo com frontalidade, que “Avatara” é o disco certo no momento certo. E quando as bandas conseguem ter esta visão sobre a arte então é porque mais uma batalha foi ganha.
A lança acertou, picou, fez abanar o nosso corpo, que não ficou indiferente. E entre feridos e mortos alguém há-de escapar… para ouvir “Avatara”.
É o sinal de fumo… de vitória que se espalha no ar. Agora é altura do repouso do guerreiro. Que durma em paz…

Nuno Ávila

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