Tenho medo. Tenho medo que as palavras me fujam. O pior que pode acontecer a um escritor é a folha permanecer em branco por mais que ele tente escrever.
Tenho medo. Tenho medo de não ter adjectivos. De não saber como os usar. De eles serem poucos.
Que dizer deste novo disco dos The Unplayable Sofa Guitar? Tudo é pouco. Há discos assim, que nos deixam com os dedos presos. Tudo o que possa preencher a folha poderá parecer curto, quando se está frente uma obra como esta.
Iniciemos a viagem. Estamos em Viana do Castelo a ver a América lá ao longe. Ao longe? Não, a América fica aqui mesmo ao lado.
As guitarras transpiram country e projectam no nosso olhar grandes descampados. O pó espalha-se pelo ar. Fuma-se um cigarro por entre um golo de gin. Batem-se as cartas na mesa. As portas do saloon agitam-se novamente.
A inspiração vem de um filme de John Ford ou de um disco dos Mazzy Star. A inspiração vem da alma e salta-nos para o coração.
A Ana o Francisco e o Paulo constróem canções de corpo inteiro. Perfeitas. Azuis como o céu. Músicas que se guardam em caixas para mais tarde recordar. Tal e qual como postais. Músicas que cheiram a violeta.
Está tudo arrumado. Está tudo no lugar. Este disco tem o peso e a medida certa. Foi moldado por mãos de mestre. O Paulo Miranda para além de excelente produtor, revela-se um músico com sentimento.
O Francisco Silva, que já nos habituou a brindar nos Old Jerusalem com algumas das mais bonitas canções que este país conhece, volta a abrir a sua veia neo-country para salpicar este disco de sonhos.
A Ana Figueiras, transporta para este disco a sua voz, ora doce ora mais agreste a lembrar os campos americanos, por vezes repletos de trigo outras vezes descampados.
Pois, não vale a pena dizer mais nada. Foi difícil parir este texto. Envolvi-me demais com a música. Foi difícil ser de outra maneira. As músicas entram em nós e colam-se ao esqueleto.
Se estou a exagerar? Por favor ponham o disco a rodar! E agora? Conseguem dizer alguma coisa.? Perderam a fala?… Eu não vos dizia…
Há discos assim…. grandes como o sol…
Nuno Ávila
Tenho medo. Tenho medo de não ter adjectivos. De não saber como os usar. De eles serem poucos.
Que dizer deste novo disco dos The Unplayable Sofa Guitar? Tudo é pouco. Há discos assim, que nos deixam com os dedos presos. Tudo o que possa preencher a folha poderá parecer curto, quando se está frente uma obra como esta.
Iniciemos a viagem. Estamos em Viana do Castelo a ver a América lá ao longe. Ao longe? Não, a América fica aqui mesmo ao lado.
As guitarras transpiram country e projectam no nosso olhar grandes descampados. O pó espalha-se pelo ar. Fuma-se um cigarro por entre um golo de gin. Batem-se as cartas na mesa. As portas do saloon agitam-se novamente.
A inspiração vem de um filme de John Ford ou de um disco dos Mazzy Star. A inspiração vem da alma e salta-nos para o coração.
A Ana o Francisco e o Paulo constróem canções de corpo inteiro. Perfeitas. Azuis como o céu. Músicas que se guardam em caixas para mais tarde recordar. Tal e qual como postais. Músicas que cheiram a violeta.
Está tudo arrumado. Está tudo no lugar. Este disco tem o peso e a medida certa. Foi moldado por mãos de mestre. O Paulo Miranda para além de excelente produtor, revela-se um músico com sentimento.
O Francisco Silva, que já nos habituou a brindar nos Old Jerusalem com algumas das mais bonitas canções que este país conhece, volta a abrir a sua veia neo-country para salpicar este disco de sonhos.
A Ana Figueiras, transporta para este disco a sua voz, ora doce ora mais agreste a lembrar os campos americanos, por vezes repletos de trigo outras vezes descampados.
Pois, não vale a pena dizer mais nada. Foi difícil parir este texto. Envolvi-me demais com a música. Foi difícil ser de outra maneira. As músicas entram em nós e colam-se ao esqueleto.
Se estou a exagerar? Por favor ponham o disco a rodar! E agora? Conseguem dizer alguma coisa.? Perderam a fala?… Eu não vos dizia…
Há discos assim…. grandes como o sol…
Nuno Ávila
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