A música dos Lobster é difícil de catalogar. Em cinco temas ela assenta essencialmente na guitarra e na bateria. Não tem voz. Ao sexto tema, o duo deita mão a alguns pequenos instrumentos que os rodeavam e a um vibrofone, criando uma faixa bastante planante.
Neste seu trabalho, Ricardo Martins (bateria) e Ricardo Canhão (guitarra) criam uma amalgama de sons que passam pelo rock, pelo hardcore, pelo noise, pelo sónico, pelo experimental/improviso e pelo minimal. Tudo nas doses certas. Uma pitada disto, outra daquilo e o prato está pronto a sair do forno para ser servido. Tem muito bom aspecto.
Mas porque a música dos Lobster é muitas coisas ao mesmo tempo, torna-se difícil arranjar uma prateleira onde colocar este registo. E é precisamente isto que torna este conjunto de canções tão apetecível. Aqui não se cai facilmente na monotonia.
Estamos então perante sons que nos são violentamente cuspidos na cara, obrigando-nos a reagir. É difícil ficar indiferente a estes seis temas. No fim da audição deste trabalho, parece que passou por nós um “tornado”.
A bateria e a guitarra conjugam-se de forma a não atropelarem o resultado final, ajudadas pela excelente produção de Makoto, vocalista dos If Lucy Fell.
Convém no entanto esclarecer que é a bateria que dá o sabor mais hardcore e de improvisação a alguns momentos deste registo, enquanto a guitarra enche o ar com notas de fúria trazendo para dentro das músicas todo o resto. Cada tema tem assim muitas coisas para nos segredar ao ouvido. E assim, o nosso cérebro é atacado por descargas electrizantes que nos deixam sem tempo para respirar.
Para comprovar o que se acaba de escrever, basta ir a http://www.merzbau.pt.vu/ e procurar estas 6 músicas. Tudo muito simples e à distância de um clique. Não percam tempo.
Apanhem este comboio, sentem-se à janela e apreciem as árvores a passar a alta velocidade.
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