domingo, 10 de agosto de 2008

Rose Blanket - “Our Early Balloons” (Edição de Autor)






Ao chegar ao segundo registo os Rose Blanket encontram-se substancialmente diferentes. Esta diferença deve-se toda ao facto de agora o projecto já não funcionar como um colectivo. Da formação inicial resta apenas Miguel Dias.
Esta situação transportou para este “Our Early Balloons” uma nova abordagem musical. A acrescentar a isto, temos presente neste registo um leque de participações que fizeram voar o som dos Rose Blanket para outros campos. Aqui os músicos não se limitam a tocar o que está na pauta, já que Miguel Dias deu a cada um espaço para mostrarem o seu talento.
Por este segundo disco dos Rose Blanket passam Ana Deus - voz (Três Tristes Tigres); Pedro Oliveira - bateria e percussões (Green Machine, Old Jerusalem); André Simão - baixo (La La La Ressonance); Pedro Amaro - trompete (Madame Godard); Petra Pais - voz (Nobody’s Bizness); Bárbara Reis - violino; Miguel Gomes - guitarra (Complicado); Francisco Silva - voz (Old Jerusalem) e Ana Figueira - voz (Unplayable Sofa Guitar).
Primeiro aspecto que salta à vista, e se a isto se juntar o leque de instrumentos tocados por Miguel Dias, é o de que neste disco são utilizadas algumas ferramentas que no primeiro ficaram guardadas na caixa. E só isto é suficiente para trazer novas cores a este quadro.
Mas como já acima escrevi, estes Rose Blanket estão diferentes. Se no primeiro registo de nome “Rose Blanket” o colectivo se deixava inspirar pelos grandes descampados americanos, dando valentes pinceladas folk às suas notas, neste e apesar de o som continuar leve e intimista, o resultado final apresenta-se mais urbano. “Our Early Balloons” é um disco muito mais citadino. As suas musicas reflectem enormes prédios. Apesar disto, este não é um disco de grande agitação. Pelo contrário, é um registo sereno e apaziguador. Excelente para se escutar ao fim da tarde quando se regressa a casa do trabalho.
Difícil de equiparar, “Our Early Balloons” traz dentro de si um conjunto de temas, que estão cheios de um experimentalismo que pode assustar ouvidos menos preparados. Sim, e aqui muito mais vincado que no anterior cd. Mas atenção que Miguel Dias nunca perde o sentido da canção.
Faz isto, com que este seja um disco difícil de penetrar, mas daqueles que dá enorme excitação ao desbravar. Quando estamos totalmente metidos dentro dele, descobrimos uma série de sublimes pormenores, que o tornam numa obra que nos atira para campos de escrita só possíveis de alcançar por mentes de espírito bastante aberto e sem medo de arriscar.
“Our Early Balloons” é assim um disco de pop alternativa, de tons pardacentos, que nos deixa de corpo leve e com a certeza de que estamos perante um dos discos que irão fazer parte das listas de fim de ano.


Nuno Ávila

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