Os Murdering Tripping Blues regressam ao discos com a mesma força de sempre. Este seu segundo longa duração volta a trazer até nós um projecto que centra a sua existência na guitarra e na bateria. A espaços aparece embutido na musica um teclado e lá mais para o fim um saxofone.
Os Murdering Tripping Blues são três. Henky Lone Johnson nas vozes e guitarra; Mallory Let Eye nas vozes, teclas e visual e Johnny Dynamite na bateria e precursão.
“Share The Fire” mostra-nos nove temas potentes, que não pedem licença para entrar no ring e nos começam logo a acertar em cheio. Quem não conhece a mestria táctica do grupo pode à primeira vista ficar atordoado. Tal adormecimento faz com que o ouvinte fique totalmente viciado neste som. Levamos uns murros fortes, mas queremos continuar em jogo. E não é masoquismo, isto! É paixão…
Mas afinal quais os ingredientes que tornam este som tão atractivo? Pelo que se depreende, os Murdering Tripping Blues pintam um quadro em que o rock ocupa quase toda a tela. A paisagem mostra ainda em cores vivas um esboço de blues. A banda moderniza o blues, juntando-lhe ainda uns salpicos de soul. Completam esta obra de arte, com umas pinceladas de experimentalismo e aqui e ali uns toques de noise. Como se pode constactar a modernidade domina o espírito criativo da banda.
“Share The Fire” é um disco que pode ser dividido em duas partes. Uma primeira contendo os seis temas iniciais e outra com os restantes três. Mas porquê esta divisão tão nítida? Explica-se facilmente. Apesar de o disco ter sido gravado, produzido e misturado no Algarve, no Serra Vista Studio, por Boz Boorer (Morrissey, Polecats, Jools Holland), as três canções do fim sofreram gravações e misturas adicionais, feitas em Londres no Voltaire Recording Studios por Cam Balackwood ( The Horrors, CSS, Jamiroquai, Florence And The Machine).
As três canções finais, são aquelas em que se escuta o saxofone, aqui tocado por Terry Edwards (Nick Cave, PJ Harvey, Tinderrsticks). O Tema oito tem uma guitarra adicional de 12 cordas dedilhada por Boz Boorer.
Parecendo que não, pois a mesma garra e as mesmas influências continuam patentes ao longo de todo o CD, a verdade é que a ida a Londres produz efeito no resultado final do disco. Principalmente divido à mistura, que nestes três temas finais “esconde” a voz na restante muralha sonora. Henky Lone Johnson perde assim a sua posição de vocalista, ficando a sua voz encaixada na musica como se de mais um instrumento se tratasse. Uma opção que não se deveria discutir, pois não retira beleza ao som. Podemos é questionar o facto de ela não ser assumida ao longo de todo o registo, partindo assim como se disse o registo em dois. Se bem, que a opção tomada no inicio, seja para nós, a mais adequada às necessidades do grupo. Melhor resultado teriam estas experiências se realizadas noutro laboratório.
Contudo, isto não implica que este disco não seja enorme. Um conjunto explosivo de som que nos deixa sem fôlego ao final de cada audição. Um registo que se quer bruto e feito para magoar. Sem dó nem piedade.
Mas amigos, entrem sem medo… Sim sem medo…. Vão ver que durante uns tempos não querem outra dose!
Nuno Ávila
Os Murdering Tripping Blues são três. Henky Lone Johnson nas vozes e guitarra; Mallory Let Eye nas vozes, teclas e visual e Johnny Dynamite na bateria e precursão.
“Share The Fire” mostra-nos nove temas potentes, que não pedem licença para entrar no ring e nos começam logo a acertar em cheio. Quem não conhece a mestria táctica do grupo pode à primeira vista ficar atordoado. Tal adormecimento faz com que o ouvinte fique totalmente viciado neste som. Levamos uns murros fortes, mas queremos continuar em jogo. E não é masoquismo, isto! É paixão…
Mas afinal quais os ingredientes que tornam este som tão atractivo? Pelo que se depreende, os Murdering Tripping Blues pintam um quadro em que o rock ocupa quase toda a tela. A paisagem mostra ainda em cores vivas um esboço de blues. A banda moderniza o blues, juntando-lhe ainda uns salpicos de soul. Completam esta obra de arte, com umas pinceladas de experimentalismo e aqui e ali uns toques de noise. Como se pode constactar a modernidade domina o espírito criativo da banda.
“Share The Fire” é um disco que pode ser dividido em duas partes. Uma primeira contendo os seis temas iniciais e outra com os restantes três. Mas porquê esta divisão tão nítida? Explica-se facilmente. Apesar de o disco ter sido gravado, produzido e misturado no Algarve, no Serra Vista Studio, por Boz Boorer (Morrissey, Polecats, Jools Holland), as três canções do fim sofreram gravações e misturas adicionais, feitas em Londres no Voltaire Recording Studios por Cam Balackwood ( The Horrors, CSS, Jamiroquai, Florence And The Machine).
As três canções finais, são aquelas em que se escuta o saxofone, aqui tocado por Terry Edwards (Nick Cave, PJ Harvey, Tinderrsticks). O Tema oito tem uma guitarra adicional de 12 cordas dedilhada por Boz Boorer.
Parecendo que não, pois a mesma garra e as mesmas influências continuam patentes ao longo de todo o CD, a verdade é que a ida a Londres produz efeito no resultado final do disco. Principalmente divido à mistura, que nestes três temas finais “esconde” a voz na restante muralha sonora. Henky Lone Johnson perde assim a sua posição de vocalista, ficando a sua voz encaixada na musica como se de mais um instrumento se tratasse. Uma opção que não se deveria discutir, pois não retira beleza ao som. Podemos é questionar o facto de ela não ser assumida ao longo de todo o registo, partindo assim como se disse o registo em dois. Se bem, que a opção tomada no inicio, seja para nós, a mais adequada às necessidades do grupo. Melhor resultado teriam estas experiências se realizadas noutro laboratório.
Contudo, isto não implica que este disco não seja enorme. Um conjunto explosivo de som que nos deixa sem fôlego ao final de cada audição. Um registo que se quer bruto e feito para magoar. Sem dó nem piedade.
Mas amigos, entrem sem medo… Sim sem medo…. Vão ver que durante uns tempos não querem outra dose!
Nuno Ávila
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