
Mais uma edição do "Clubbing" na Casa da Música, que decorreu no passado dia 2 de Outubro, em noite que começou temperada e acabou em temporal (metereológica e musicalmente falando).
Dois nomes maiores que fizeram e continuam a fazer a história da música em Portugal juntos (privilégio raro) numa noite que esgotou a Sala 2 do espaço da cidade invicta: Mão Morta e Pop Dell'Arte. O mesmo será dizer, o melhor "frontman" (Adolfo Luxúria Caníbal) e o melhor vocalista (João Peste) fizeram as delicias dos muitos que não quiseram perder tamanha oportunidade.
Dos Mão Morta, que abriram as actuações nesse espaço, pode-se dizer que (quase) nunca dão maus concertos (bons ou menos bons, mas nunca maus): o desta noite foi dos bons. O novo disco teve o destaque merecido, entrecortado com os clássicos habituais ("Berlim", Amesterdão", "Barcelona", tríptico essencial de «Mutantes S.XXI») que não perdem o brilho, apesar dos anos que passam. Adolfo vibra (e faz vibrar o público) juntamente com as paredes de guitarras e com o compasso da bateria, que fornecem uma base (como se tal fosse preciso) para um inebriar dos corpos presentes. Refira-se que o público era maioritariamente maduro, o que se traduziu num maior comedimento no exteriorizar de emoções dançantes. Final, quase a pedido da plateia, com "1º de Novembro" cantado a plenos pulmões no refrão por toda a sala.
Os Pop Dell'Arte são, seguramente, das bandas mais geniais que Portugal viu nascer e, ao mesmo tempo, mais injustamente pouco (re)conhecidas pelo grande público. Mas esta constatação não é necessariamente má, no sentido em que quem gosta e quem vai aos concertos (como foi o caso) é um público claramente conhecedor e devoto da obra de João Peste e restante banda. O disco mais recente tem em "Ritual Transdisco" um single perfeito que serviu de mote a uma actuação perfeita, apenas "amputada" de um segundo «encore», onde se previa a melodia delicodoce "So Goodnite" e a arrebatadora versão de"20th Century Boy", dos T-Rex de Marc Bolan. "My Funny Ana Lana", clássico incontornável da sua discografia, sofreu um «up-grade» que a torna ainda mais dançável e contagiante. Mas mais que as músicas apresentadas, o mais importante é ver João Peste, ora sentado/encostado num banco, ora em pé, com o casaco meio a tiracolo,a demonstrar um empenhamento e uma limpidez vocal verdadeiramente assombrosos. Cada concerto dos Pop Dell'Arte é uma verdadeira experiência única. A ver e repetir o maior número de vezes possível.
Esta foi uma verdadeira ode ao Dia Mundial da Música, que também serviu de mote a mais um excelente "Clubbing"!
Fernando Alves
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