segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

TIAGO SOUSA PREPARA O CORO DAS VONTADES













Em pano de fundo, encontra-se a preparação do espectáculo Coro das Vontades, a ser apresentado no Teatro Maria Matos dia 14 de Julho. Para breve será também anunciada uma nova tour pela Europa central no início de Maio.

O Coro das Vontades tem como inspiração inicial um conceito desenvolvido por dois artistas finlandeses Tellervo Kalleinen e Oliver Kochta-Kalleinen que em 2005 organizaram o primeiro Complaints Choir (Coro de Queixas) na cidade de Birmingham. O sucesso foi imediato e, em vez de patentear a ideia, os artistas decidiram disponibilizar o conceito na Internet em open source. Os coros de queixas começaram a emergir em todo o mundo: Helsínquia, Hamburgo, São Petersburgo, Melbourne, Jerusalém, Budapeste, Chicago, Florença, Vancouver, Singapura, Copenhaga, Filadélfia, Milão, Hong Kong, Tóquio, Roterdão.

Partindo deste conceito, Tiago Sousa, desloca a questão da queixa e torna-a em vontade. Ao fazê-lo pretende focar-se na necessidade de opor à tendência autocrática que assumimos, quando confrontados com a resposta a dar aos enormes desafios que a humanidade enfrenta, a consciência individual e o que ela acarreta de responsabilização e realização. Durante cerca de um mês foram recolhidos manifestos de entre o público que serão a base a partir da qual o músico português pretende reflectir sobre a relação entre arte e política.

Não a relação entre as esferas especializadas que tendem para a noção da intelectualidade enquanto um desafio posto às elites, e cuja razão tentam impor aos demais. Antes a relação que cada um experimenta no seu dia-a-dia ao ver-se confrontado com as questões éticas sobre como edificar a sua obra. Compreende-se assim a obra de arte como um produto em que a autoria não é apenas atribuída pela marca da individualidade mas sim da relação dialética entre o indivíduo e a sociedade. Que busca, a cada momento, uma harmonização entre diferentes expressões. Este espectáculo não segue, por isso, a dialética hegeliana na sua aspiração à síntese, pretende apenas deixar um contributo que possibilite manter em devir a discussão através da praxis.

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