Filipe da Graça é a faceta musical de Filipe Fernandes, que o acompanha desde as suas origens no caloroso Algarve. Foi no local onde britânicos, germânicos, franceses e holandeses passam as suas férias que cresceu este jovem compositor influenciado pelo pôr-do-sol algarvio e os neons luminosos da praia da Oura. Depois do disco de estreia, "Filipe da Graça LP", em 2011, que lhe valeu elogios de gente tão insuspeita como Jorge Cruz (Diabo na Cruz) ou Tiago Guillul e alguma atenção nas redes sociais e rádios mais alternativas, devidamente retribuida com concertos explosivos, seguiu-se um breve exílio em terras de sua Majestade. Mas os gélidos ares britânicos não esmoreceram a inspiração, bem pelo contrário. Para além de ter produzido trabalhos de outros músicos como Diego Armés, Mandrax Icon, C de Croché e Os Naperãos ou O Deserto Branco, e de ter também contribuido com uma faixa (a meias com C de Croché) para a compilação "10 anos de Ruptura Explosiva", novas canções começaram a brotar e um novo disco começou a nascer. Foi então entre o Algarve, Lisboa e Londres que foi tomando forma o trabalho que agora apresenta, apropriadamente intitulado "Quando É Que Voltas Para Casa?". Ficam umas palavras de Samuel Úria sobre o mesmo:
"Novo disco do Filipe da Graça é uma notícia terrível. Sabê-la é como receber a intimação para um divórcio litigioso, unilateral e indesejado desta parte. Isto porque eu tinha uma relação estável, apaixonada e duradoura com o antigo disco do Filipe. Não estávamos em crise, ainda nos falávamos, ainda nos ouvíamos. Por que haveria eu de querer abrir mão dessa relação, conhecer novas caras, voltar a apaixonar-me? É uma coisa terrível, a perspectiva de um grande amor depois de um grande amor.
Entretanto reconheci que a teimosia deste coração só tem paralelo na tontice desta cabeça. Nem precisei de ouvir o “Quando É Que Voltas Para Casa?”, disco novo do Filipe, para saber de antemão que eu ia ser um bígamo muito feliz. Dei uma mirada aos títulos das canções e, logo, a cabeça (tonta) disse ao coração (teimoso): “tens espaço para este disco; não vês a hora de o receberes”.

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