Existe aqui uma vontade em ser diferente. Em escrever canções que não sigam uma linha recta. A música aqui ganha novos condimentos, sabores que tornam cada tema numa surpresa muito doce.
A experimentação está sempre presente, enriquecendo cada nota mais pop, ou algumas guitarras mais rock. Tudo feito com mestria. No entanto, este é um disco que pode à primeira audição ser complicado para ouvidos menos codificados. Não se deixem levar por uma opinião tirada aos primeiros acordes. Mergulhem fundo em “Taxi Ballad” e vão ver que descobrem uma obra rica em conteúdo.
Este é um trabalho criado por gente que nos tem sempre mostrado, em todos os projectos que se envolvem, uma inegável qualidade enquanto músicos. Gente que prova que na música se pode fazer diferente. São eles: André Simão (voz, baixo, guitarra e teclas), Graciela Coelho (vozes e teclas), Pedro Oliveira (bateria e programações) e Ricardo Cibrão (teclados, guitarra e guitarra lep steel).
Este disco mistura uma série de linguagens. Mistura uma série de ritmos. Mistura vozes. Mistura prazer. Um disco que mostra que a criatividade pode ser um caminho a dar bons frutos. Estamos, assim, perante nove temas que se afirmam como umas das melhores colheitas de a música portuguesa actual. Canções que depois de ouvidas com muita atenção nos revelam um equilíbrio certo, sem se tornarem demasiado agrestes.
Se conseguirem superar a estranheza inicial, vão ver que este disco se entranha em vós de tal maneira, que jamais vão querer saber de canções com refrães cantaroláveis.
Nuno Ávila

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