Quando os cozinheiros acertam no tempero, podem servir o mesmo todos os dias. Tendo criado uma receita própria para o formato "baixo, bateria e voz", BALEIA BALEIA BALEIA servem "OUTRA VEZ ARROZ" com o toque de mestres de sushi. Não há como deixar no pratoos ritmos de caril e mandioca, o tostar das sementes da ironia na voz, e a caramelização das malhas de baixo. A esta combinação tão aromática, basta juntar arroz.
Riffs, melodias e refrões lembram que o rock alternativo dos 90s não só entrou na intemporalidade, como ainda deixou caminhos por explorar. Enquanto houver combinações de especiarias por experimentar, o arroz terá sempre um gosto diferente, e os BALEIA BALEIA BALEIA são mestres da colher de pau. O pára-arranca é mais caótico que no grunge, o punk leva efeitos nunca antes ouvidos por alguém de crista, e embora as preocupações sociais continuem a ser o foco principal das letras (como atesta "ANTIFA AO CONTRÁRIO É OTÁRIO", que abre o disco com Scúru Fitchádu e Evaya), a banda aventura-se despudoradamente no humor ("SUPER-AGROBETO"), no niilismo ("NPC") e polvilha os intervalos de um horizonte duro de aceitar com o açucar e canela da fragilidade acolhida ("DEIXA O FRIO ENTRAR") e do prazer como salvação ("HEDONINHO").
"OUTRA VEZ ARROZ" é BALEIA BALEIA BALEIA a entrar na meia-idade sem queimar no tacho, malandrinho no trato, agulha no tempero.
Daniel Catarino
BALEIA BALEIA BALEIA
Bio
BALEIA BALEIA BALEIA é uma dupla formada por Manuel Molarinho (baixo e voz) e Ricardo Cabral (bateria e voz), sediada no Porto. A banda surgiu no final de 2015 a partir de jams informais, no estúdio Quarto Escuro em Cedofeita.
Lançam, a 12 de Fevereiro de 2026 OUTRA VEZ ARROZ. É o 5º lançamento da banda, 3º álbum de originais depois de ‘Botaperna’ (primeiro EP pirata ao vivo) em 2017, do disco de estreia homónimo (o disco dos óculos) em 2018, Suicídio Comercial’ em 2022 e ‘Das Margens Lamacentas da Tuga’ (disco duplo ao vivo) em 2024.
Os álbuns têm tido acolhimento da crítica, programadores e público, com lugares nas listas de destaque e presença constante em palcos de vários cantos. Para além de percorrerem constantemente o país de norte a sul e passarem por festivais como Bons Sons, Paredes de Coura, Alive, Circuito Super Nova ou ZigurFest, já pisaram palcos em Espanha, Bélgica, Irlanda e Brasil.
O palco tem sido o habitat natural do duo. A banda é uma das mais ativas no panorama underground português (que caminham a passos largos para os 300 concertos) e muitos quilómetros de estrada. As performances são muitas vezes longas, carregadas de energia e poesia visceral, culminando frequentemente em momentos de sintonia e catarse com a audiência.
Alicerçados no espírito DIY, o mote é simples: fazer à sua maneira e tempo, inspirando-se na inesgotável fonte de ideias absurdas que a realidade apresenta

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