terça-feira, 20 de janeiro de 2026

THE BATELEURS REGRESSAM À "CANÇÃO DO MAR"















Há momentos em que olhar para trás é a melhor forma de avançar. Entre sessões de escrita e pré-produção de novo material, os The Bateleurs decidiram revisitar canções antigas — algumas suas, outras herdadas — como quem testa o pulso à própria identidade artística. O resultado são registos crus, ao vivo, sem rede, captados num espaço onde a música portuguesa também deixou marcas profundas: os Estúdios Namouche, em Lisboa.

Um desses momentos é agora partilhado em vídeo: uma interpretação intensa e inesperada de “Canção do Mar”, tema eternizado por Amália Rodrigues e mais tarde projetado internacionalmente pela voz de Dulce Pontes. Uma canção que, neste “pequeno quintal da Europa Ocidental”, pode parecer excessivamente conhecida, mas que, fora dele, continua a ser uma porta de entrada poderosa para a cultura musical portuguesa.

Os Bateleurs assumem o risco: pegar num tema clássico, revisitado vezes sem conta, e abordá-lo a partir de um território onde raramente foi colocado — o de uma banda de rock’n’roll. Não há arranjos ornamentais nem artifícios de estúdio. Tudo o que se ouve foi tocado ao vivo, num único take, sem overdubs, edições ou truques. O que fica é a verdade do momento: respiração, tensão, entrega.

Há também uma camada simbólica que não passa despercebida. Foi nestes mesmos estúdios que, em 1993, Dulce Pontes gravou “Lágrimas”, um disco fundamental da música portuguesa contemporânea. E foi a sua versão de “Canção do Mar” que viria a integrar a banda sonora de Primal Fear, levando esta melodia a um público global. Esse percurso ecoa agora nesta leitura dos The Bateleurs: uma canção profundamente local, embrulhada numa estética que fala uma linguagem mais universal.

Este vídeo é o primeiro de uma série de sessões que a banda promete partilhar, registos de experimentação, memória e descoberta — exercícios de liberdade criativa que ajudam a perceber para onde pode apontar o próximo capítulo dos The Bateleurs. Um convite simples: ouvir, sentir e reconhecer que a tradição não é um lugar fixo, mas algo que se transforma cada vez que alguém lhe pega com honestidade.

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