segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Danças Ocultas - “Tarab” (Numérica)





O grupo de Águeda das quatro concertinas voltou com o seu quarto disco. Chegam a mais este destino sem se afastarem um milímetro que seja da sua rota. E se há coisa que valoriza em muito um grupo é sua frontalidade e a capacidade que tem para contornar obstáculos.
Já com uma década e meia de vida os Danças Ocultas continuam a fazer um uso da concertina que a leva a entrar por mundos que ela própria nunca pensou vir a conhecer.
“Tarab” é mais uma vez a prova de que a imaginação deste quatro artistas está muito para além do tradicional uso que normalmente se dá a este instrumento.
Estamos diante de um disco denso, a principio dificil de penetrar, mas que à medida que se vai desbravando, nos oferece uma bela paisagem rica em surpresas.
Estamos assim, perante um diálogo de concertinas, com um respirar muito próprio e onde uma certa experimentação dá um colorido ainda mais diferente ao quadro.
Escute-se “Pulsão” para se perceber até que patamar os Danças Ocultas querem levar o tocar, ou neste caso “não tocar” (no bom sentido) da concertina.
Mais uma vez estamos frente a um som acústico, dificil de catalogar. Não há comparações possíveis. Dizer que aquilo que os Danças Ocultas fazem está próximo da música contemporânea não será totalmente correcto. Mas é esta a mentira menor que se pode dizer para caracterizar o som deste quarteto.
Os Danças Ocultas voltam em grande forma à nossa companhia, trazendo na bagagem um disco imenso. Um registo do tamanho do mudo. Sim, porque dentro de cada uma das suas concertinas estão pedaços variados desta que é a nossa terra. Isto meus amigos, no fundo é música global…


Nuno Ávila

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