“Presença Inócua” fala sobre um caminho sem causar dano ao próximo, seguindo uma trajetória recta e individual, focando-se no interior e não no exterior. Fala sobre a importância do livre-arbítrio e de não ser sugado por forças exteriores. A hipocrisia e o cinismo daqueles que nos rodeiam por vezes podem influenciar-nos a fazer coisas que não estavam destinadas a acontecer.
Ao finalizar o instrumental, notei logo que não poderia ser um tema a sós e que a presença de um convidado iria trazer outra dinâmica ao som, e acima de tudo, outra perspectiva sobre o tema em questão. Convidei o Ferry porque, além de acompanhar o trabalho dele há alguns anos, senti que a sua escrita encaixaria na perfeição no tema. Eu prezo bastante a diferença e a possibilidade de criar algo com ela. Mesmo estando ligado a um rap mais de rua, o Ferry mostrou-se versátil neste tema, e era essa mesma versatilidade que eu procurava.
(NOIATT)
Gravado por Sara Cunha, o vídeo de "Presença Inócua" foi editado por NOIATT e dirigido por ambos. No vídeo existe uma personagem “aprisionada” a tentar libertar-se. A ideia por trás seria que essa pessoa estaria presa às ideias que tinham dela, restringindo os seus movimentos, capacidade de falar e agir, e mantendo-a literalmente presa. No final, a personagem liberta-se, resultando também numa libertação interior. Para chegar a este resultado, NOIATT decidiu dividir o ecrã em dois, não só para dar dinamismo ao vídeo, como também para dar uma ideia de dualidade de personalidade.
Com mais de 10 anos de presença assídua no universo do punk/ hardcore em Portugal, como vocalista e guitarrista, NOIATT (Nuno Cruz) acompanha o hip-hop de perto desde criança. As suas letras constituem histórias autênticas, deambulando por entre quadras dinâmicas e recheadas de acontecimentos narrados na primeira pessoa. Um dos pilares existenciais de NOIATT é a descrição, pura e dura, do que vê e sente, em si e no sistema social que o rodeia. Em paralelo, a sua paixão pelo beatmaking reforça a importância no expressar das emoções de forma genuína e sem filtro.
Sem qualquer medo de criar pontes entre géneros musicais, as produções arrojadas são outro factor que diferencia NOIATT dentro do espectro do hip-hop. Uma sonoridade de fusão, madura e com uma lírica anexada à nova realidade que vivemos.
A partir de 2020 tem tido uma presença assídua em projetos da Sons da Lusofonia, mais precisamente na Oficina Portátil de Artes e no JAZZOPA, que visa a mistura entre o Jazz e o hip-hop, tendo a possibilidade de tocar em salas como as do CCB, Teatro Municipal de Bragança, Titanic Sur Mer, Casa Capitão, e Palácio Pimenta (Museu de Lisboa), por exemplo.

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