quarta-feira, 22 de novembro de 2023

ARTWAY NEXT APRESENTA O DISCO “LAMENTOS” DE ANTÓNIO PINHO VARGAS

 













O conceituado músico e compositor António Pinho Vargas apresenta o novo trabalho, “Lamentos”. É uma edição da Artway Next, que conta com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e direção do maestro Pedro Neves, com as solistas Ana Pereira no violino e Joana Cipriano na viola.

“Lamentos” apresenta três obras: Concerto para violino, composto em 2014-15 in memorian Gareguine Aroutionian, encomendado pelo CCB, onde estreou, por Tamila Kharambura que acompanhou a composição e reviu a parte solista, e a Orquestra Metropolitana dirigida por Garry Walker em fevereiro de 2016. Posteriormente foi tocada em Montemor-o-Novo e na Gulbenkian por André Gaio Pereira (2018) e Pedro Amaral com a Metropolitana e por Tamila Kharambura na Casa da Música com a Orquestra Sinfónica do Porto, dirigida por Pedro Neves (2019) e Ana Pereira com a Metropolitana no CCB (2023); Concerto para viola - resultou do honroso convite e encomenda de Diemut Poppen, a obra foi composta em 2016 e estreada por Diemut Poppen e a Orquestra Gulbenkian, dirigido por Jan Wierzba no Festival Cantabile nas Ruínas do Carmo em Lisboa. Segundo Pinho Vargas, “como metáfora fundadora usei (O Livro de Job: leituras, é o subtítulo) como títulos dos quatro andamentos: Fé; Dúvidas; Lamento, Dúvidas e Fúrias, Coda: fé. A ligação é meramente especulativa, pessoal e posso descrevê-la deste modo: uma situação estável, uma turbulência inesperada, uma meditação perplexa (III-Lamento) e um desenlace próximo da grande intensidade quer das dores quer do vislumbre de uma pacificação final”. Foi reposta no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian por Diemut Poppen e a Orquestra Gulbenkian dirigida por José Eduardo Gomes em 2021 e por Joana Cipriano, Pedro Neves e a Metropolitana no CCB (2023); e Sinfonia (Subjectiva): esta obra resultou de uma encomenda do CCB. Estreou em Abril de 2019 pela Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida por Pedro Amaral, na primeira parte do concerto com a obra Six Portraits of Pain (com Pavel Gomziakov) e o filme-mudo com o mesmo título de Teresa Villaverde feito propositadamente para este concerto. Na Sinfonia (subjetiva) entabula-se, em última análise, um diálogo com a tradição, que é sempre também a tradição do seu autor.

Segundo António Pinho Vargas, “A música tem de se realizar em obra enquanto música. Heidegger passa muitas páginas a tentar demonstrar, com a sua persistência circular, que antes de ser obra, uma obra de arte é uma coisa. Estamos tão habituados à expressão ‘obra de arte’, seja qual for o seu meio de expressão específico, que podemos muito bem esquecer esse carácter primordial e milenar: ‘coisas’ resultantes do trabalho humano na sua ânsia de tratar, de trabalhar, de enfrentar na obra, os seus medos, anseios, desejos, enfim, o seu desejo último de expressão, de dar uma razão de ser secreta à sua vida. Nesta ambivalência sempre presente reside tanto o lado mais maravilhoso como o mais duro. No longo tempo do fazer das obras ‘os criadores’ – um termo que por si só exprime o inalcançável divino perfeito que paira por cima – fazem sempre o melhor que podem e quando acontece uma emoção estética somos obrigados a celebrar: a obra conseguiu existir, interpelar e tocar os ouvintes.

Não me é fácil, nesta altura, falar destas três obras. Cada uma destas composições tem uma motivação muito particular, muito íntima, no que respeita mais aos segredos da vida do que a quaisquer segredos de composição (inexistentes). Desse modo - depois da interrupção trágica e já quase esquecida da pandemia - que as tenha podido ouvir nos três dias das gravações no CCB tão admiravelmente tocadas, não deixou de me surgir como uma aparição quase miraculosa e muito comovente.”

Mais informação em https://www.artway.pt

BIOGRAFIA

Licenciado em História, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, António Pinho Vargas completou o Curso de Piano do Conservatório do Porto em 1987 e o Curso de Composição no Conservatório de Roterdão em 1990 onde estudou com Klaas de Vries como bolseiro da Fundação Gulbenkian entre 1987 e 1990. Professor Coordenador de Composição na Escola Superior de Música de Lisboa de 1991 a 2019 e Investigador-colaborador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Em 1995 foi condecorado pelo Presidente da República Portuguesa com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2012 recebeu o Prémio Universidade de Coimbra pelo conjunto da sua obra e em 2014 recebeu o Prémio da SPA Autores pela sua obra Magnificat para Coro e Orquestra e, em 2015, a mesma entidade concedeu-lhe a Medalha de Honra.

Compôs 4 óperas, 5 oratórias, 14 peças para orquestra, 8 obras para ensemble, 26 obras de música de câmara, 11 obras para solistas. Entre as obras mais recentes incluem-se Requiem (2012), Magnificat (2013), De Profundis (2014), Concerto para Violino (2015), Concerto para Viola (2016), Memorial (2018), Sinfonia (subjetiva) (2019), e Oscuro (2022). As suas obras foram tocadas pelas Orquestras Gulbenkian, Metropolitana de Lisboa, Sinfónica do Porto Casa da Música, Sinfónica Portuguesa, Coro Gulbenkian, Arditti Quartet, Artis Quartet de Viena, The Smith Quartet, Ronald Brautigam, Gloria Chen, Margaret Leng-Tan, Tânia Achot, Miguel Henriques, Tamila Kharambura, Madalena Soveral, Ana Mafalda Castro entre outros solistas.

Com uma vasta discografia, destacam-se Outros Lugares (Vertigo,1983), Cores e Aromas (EMI, 1985), As folhas novas mudam de cor (EMI,1987), Os Jogos do Mundo (EMI,1989), Selos e Borboletas (EMI, 1991), A Luz e a Escuridão (EMI,1996), Requiem & Judas (Naxos,2014), Ópera Os Dias Levantados (EMI Classics 2004 reed. Naxos 2015), Verses and Nocturnes (Naxos 2015), Monodia (EMI Classics 1995 reed. Warner 1994), Magnificat - De Profundis (Warner 2017) e Concerto para violino (MPMP 2017).

Mais informações em www.antoniopinhovargas.com

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