Depois do álbum de estreia Horta da Luz (2023), falso nove regressam com “Blusa”, o primeiro avanço do seu segundo longa-duração, Não Sonho Quase Nada, com edição prevista para 2026 e produção de Pedro Joaquim Borges. Um regresso intenso, onde a banda aprofunda a escrita direta e a dimensão emocional que tem vindo a marcar o seu percurso no indie rock cantado em português.
“Blusa” nasce de um gesto simples e irreversível: crescer. A canção parte da consciência de que aquilo que fomos deixa, inevitavelmente, de nos servir, “a blusa não serve mais”, e transforma essa imagem numa reflexão sobre o desencanto, a perda da inocência e a distância crescente em relação ao lugar onde os sonhos eram “possíveis”. Não se trata de um retrato leve da idade adulta, mas de um olhar mais sombrio sobre as circunstâncias que nos empurram para longe do desejo de sonhar. Revisitar a infância surge, assim, como uma tentativa de reencontro com essa inocência perdida.
Musicalmente, “Blusa” preserva a simplicidade e frontalidade que os caracteriza, amplificadas por uma produção que acentua o lado mais cru da canção. O baixo e a bateria assumem uma presença direta, enquanto as sobreposições de guitarras acústicas e elétricas criam uma atmosfera densa e nostálgica. A introdução de guitarra elétrica, marcada por um som indefinido e ecoante, reforça a inquietude que atravessa todo o tema.
A voz, gravada quase integralmente num primeiro take, tornou-se um dos momentos mais marcantes do processo de gravação. A emoção crua dessa interpretação revelou-se irrepetível e acabou por definir a versão final da canção, deixando intacta a sua fragilidade.
Este novo single é acompanhado por um videoclipe recheado de imagens de infância dos próprios músicos, de amigos e familiares, prolongando visualmente essa viagem íntima ao passado e à memória coletiva.
Mateus Carvalho (voz, guitarra acústica e saxofone), Afonso Lima (voz e guitarra elétrica), José Amoreira (baixo), Francisco Leite (piano e teclados) e Francisco Marcelino (bateria) são os falso nove, projeto de indie rock cantado em português. Surge da vontade de criar um espaço independente de escrita e experimentação, a banda junta influências que vão do jazz à música tradicional portuguesa, num corpo de rock alternativo de forte dimensão lírica.
Em 2023, editaram o álbum de estreia Horta da Luz, um disco pensado como um ciclo de dias e de vida em torno da procura de luz, que lhes valeu as distinções de Melhor Projeto Musical no Festival Emergente e no Festival NOVA Música. Integram ainda a coletânea Fnac Novos Talentos e a bolsa OuTonalidades. Com Não Sonho Quase Nada, falso nove aprofundam o seu olhar sobre a ansiedade, a depressão e a precariedade da existência contemporânea, ligando infância e velhice como dois pólos de uma mesma interrogação sobre o sentido da vida, o amor e a liberdade.
“Blusa” encontra-se agora disponível em todas as plataformas digitais.

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