A Porta, um dos mais emblemáticos festivais de artes de Leiria, volta a ocupar espaço na cidade de 3 a 7 de junho, numa edição maioritariamente localizada na antiga Pousada da Juventude (Largo Cândido Reis 9). A programação é agora anunciada.
Num ano desafiante como o de 2026, num contexto pós tempestade Kristin, A Porta continua num esforço de manter a sua programação plural, interdisciplinar e eclética em géneros: como noutras edições, a música continua a ter um lugar central na programação, uma junção de alguns dos talentos mais representativos da nova música portuguesa com nomes já estabelecidos do som independente nacional; mas a juntar à música há também artes visuais e plásticas, oficinas, workshops e uma programação infantil, A Portinha.
Na música os grandes destaques vão para Sensible Soccers, que se apresentam em ano que vão lançar um novo disco - o primeiro em 5 anos -, La Valentina, cantautora colombiana sediada em Paris, conhecida por misturar rap, trap, salsa e rock experimental em espanhol e francês, os Lavoisier ou Cachupa Psicadélica, o vibrante artista cabo-verdiano que se prepara para também lançar novo disco.
Além destes nomes já conhecidos do universo indie português, há muito talento emergente a descobrir; do mais recente fenómeno da pop nacional Herlander, que acabou de lançar o disco “CÁRIE”, ao rock das Lesma, Chat GRP ou Marquise. Há ainda palco para nomes como Candy Diaz, Esquerda, L-ALI, Maria Grep, Mike El Nite (em DJ Set), Monstera, Mutaca, NÃOBODY, PMDS, Rafa Lázaro, REI TIER & VersuK, This Page e Rui Miguel Abreu (em DJ Set).
Na Casa Plástica 2026, programa de artes visuais, instalação e intervenção artística do festival, reúne-se um conjunto de artistas de diferentes áreas - do som à pintura, da arquitetura à escultura, do vídeo à criação multidisciplinar - cujas propostas partem de uma reflexão crítica sobre a vulnerabilidade do conceito de casa e o passado transitório da antiga Pousada da Juventude, espaço que durante anos acolheu quem estava de passagem. Entre abrigo e instabilidade, pertença e deslocação, os artistas convidados exploram a casa como lugar físico, simbólico, emocional e por vezes transitório, sujeito às pressões do tempo, da memória e das transformações sociais. Participam nesta edição Andreas Trobollowitsch, MAISMENOS, Patrick Hubmann, Aires de Gameiro e João Aires Gama, bem como o projeto Khana, desenvolvido com participantes do programa Barakat, da InPulsar, em co-criação com o Colectivo Til e a Casota Collective.
Na Portinha; Valdevinos Teatro de Marionetas apresenta O Som das Coisas, um espetáculo sensorial para bebés inspirado no quotidiano, onde tudo é descoberta e encantamento. Numa evocação do tema “khana”, o espetáculo transforma o espaço doméstico num território de exploração, pertença e imaginação. Para além desta criação, a companhia traz também o tradicional e cómico Teatro Dom Roberto e uma Oficina de Marionetas, reforçando o convite à participação e ao encontro entre gerações.
O Galinheiro Criativo, espaço de criação enraizado na ruralidade e na força das redes colaborativas, chega às ruas de Leiria pelas mãos de Carlos Roxo e Francisco Chichorro. Juntos, propõem uma experiência onde narrativa e desafio se entrelaçam: a partir de histórias recolhidas junto de quem habita a Pousada da Juventude de Leiria, irão criar uma escape room original — Espreitar pela Fechadura — marcada pelo mistério e por enigmas interligados. Paralelamente, com Quantas Portas Tem a Porta?, o seu Galinheiro Criativo transforma-se numa oficina artística ambulante que convida o público a participar na construção de objetos e narrativas, abrindo espaço à imaginação, à partilha e à descoberta coletiva.
Criador de jogos e instalações sonoras, Bitocas Fernandes desenvolve dispositivos que tornam a criação acessível e profundamente coletiva, convidando todos a entrar no processo criativo. Em Optimix, objetos de casa e utensílios do quotidiano ganham uma nova vida sonora, dando forma a uma orquestra-jogo aberta a todas as idades.
Há ainda na programação outras atividades como Musicanto (de Inês Graça), Rita Rovisco, Sílabas ritmadas, Projeto Kalambaka e Coletivo Til.
2026 nunca seria um ano normal para A Porta e para a comunidade da região de Leiria, depois da passagem da tempestade Kristin na madrugada de 28 de janeiro. Por essa razão a organização do festival coloca em forma de manifesto as intenções para esta 11.ª edição e toda a programação tem como fio condutor estas mesmas intenções:
Em 2026, A Porta explora o conceito de Khana, uma palavra de raízes antigas que significa literalmente «casa», «morada» ou «lugar de pertença». Mais do que um teto físico, Khana representa o nosso refúgio interior e o espaço de segurança onde nos podemos voltar a erguer. É uma escolha deliberada de habitar a intimidade da antiga Pousada da Juventude para redescobrir o que significa, hoje, ter um abrigo, assumindo em simultâneo a extrema fragilidade desse mesmo conceito. Num ano em que tantos viram os seus telhados voar e a ilusão da permanência desabar, escolhemos as paredes sólidas do centro da cidade não como um esconderijo, mas como um espaço de reconstrução.
"O que o Vento não Levou" é o nosso lema e a nossa prova de vida. O vento levou árvores e alterou paisagens, mas não levou a resiliência de uma comunidade que sabe que, para caminhar lá fora, precisa primeiro de entender o seu centro.
A programação completa d’A Porta 2026 pode ser acedida através de festivalaporta.pt e é quase totalmente gratuita. Os bilhetes para as sessões pagas encontram-se disponíveis aqui.

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