sexta-feira, 1 de maio de 2026

A SEGUNDA COMUNHÃO DE ROMEU BAIROS





















© Mário Roberto

Pouco mais de um ano após Romê das Fürnas, Romeu Bairos apresenta o segundo volume daquela que virá a ser uma trilogia de compêndio de música tradicional e contemporânea dos Açores. Romê das Fürnas Vol. II: A Segunda Comunhão debruça-se sobre os mistérios e misticismos bem como as tradições profanas e religiosas do Vale das Furnas, filtrado por uma sensibilidade contemporânea, afirmando-se como um gesto de celebração enraizado na tradição da terra que viu Romeu Bairos nascer.

Romeu Bairos trabalha a canção como espaço de encontro entre o coletivo e o íntimo, onde a repetição e a economia melódica não são apenas traços formais, mas dispositivos que reforçam a dimensão coletiva da canção, com cores e coros que fazem dela um gesto partilhado, quase ritual. Os Açores emergem aqui como ex-libris afetivo, lugar de beleza insistente, cantado não apenas como paisagem, mas como experiência vivida, onde ser açoriano é motivo bastante para a felicidade.

Há também um traço folclórico de vaidade assumida, quase provocatória - uma malícia leve, de quem canta a sua terra com orgulho, de peito cheio, carregando na voz tanto brilho como dor.

Mais do que um exercício de evocação, Romê das Fürnas é um projecto que se inscreve numa lógica de afirmação territorial que ultrapassa o mero gesto celebratório. Um mergulho nos “Açores profundos” das fajãs de São Jorge ou a escalada ao ponto mais alto de Portugal, na ilha do Pico. Mudanças de altitude, longitude e latitude que expressam a essência deste disco e o significado de ser açoriano com todas as suas intempéries. Sair, ir embora, ficando.

A viola da terra de Romeu é acompanhada pelo açoriano e braço direito, Paulo Borges, que nosalegra e embala com a ternura do seu acordeão. O disco conta ainda com a particiação de Nuno Lucas no baixo, Ana Eduarda no violino, Manuel Pinheiro nas percussões e os coros do Grupo de Folclore da Casa do Povo de Ponta Garça. Gravado por Fred Ferreira nos estúdios SALVA entre novembro e dezembro de 2025 e com produção assinada por Romeu que, para além da voz e viola da terra, tocou cavaquinho, clarinete e percussão.

15 de Maio | Casa Capitão, Lisboa
30 de Maio | Feira do Livro de Lisboa
6 de Junho | Festa de Verão, Funchal
7 de Agosto | MEO Monteverde, Ribeira Grande
9 de Agosto | Bons Sons, Cem Soldos
19 de Agosto | Festas do Barreiro
2 de Outubro | Museu Lacerda, São Jorge
4 de Outubro | Festival Cordas, Pico
17 de Outubro | Festival InFinito, Funchal
4 de Novembro | AM Beatriz Costa, Mafra

PZ E MÃO MORTA UNIDOS EM SINGLE


© Rui Murka 

Hoje, 1 de Maio, Dia do Trabalhador, PZ lança o novo single “Mil Euros Por Mês”, uma colaboração com a histórica banda portuguesa Mão Morta. Depois de um início de percurso mais íntimo e focado no universo doméstico — com temas como “Todo o Santo Dia” (com Samuel Úria), “Quem é Que Vai Lavar a Banca” (com Joana Espadinha), “Sou Pai de Filhos” (com Retimbrar) ou “Empadão na Bimby” (com Emmy Curl) — este novo tema abre um lado mais frontal e político do "Álbum de Família", trazendo para o centro da mesa a velha questão: quanto é preciso, afinal, para uma família viver com dignidade?

Partindo de um refrão obsessivo — “Eu quero mil euros por mês” — a canção constrói-se como uma sátira mordaz à precariedade contemporânea, num momento em que o salário mínimo nacional em Portugal se aproxima desse valor simbólico, mas continua aquém de garantir estabilidade real. Entre a repetição e o desespero, a música transforma um desejo básico numa espécie de mantra geracional.

A participação de Adolfo Luxúria Canibal introduz um dos momentos mais incisivos do tema, aprofundando a crítica social com uma escrita crua e politicamente carregada, alinhada com o percurso provocador que os Mão Morta sempre cultivaram. Participam também Miguel Pedro (cofundador da banda), na bateria, e Ruca Lacerda, com camadas de guitarras elétricas que empurram o tema para um território de rock épico e cru.

Mais do que uma canção, “Mil Euros Por Mês” afirma-se como um gesto político: um retrato irónico de um sistema onde o trabalho nem sempre garante dignidade, e onde o sonho mínimo — mil euros por mês — ainda soa a reivindicação.

"Mil Euros Por Mês" integra o projeto "Álbum de Família", um ciclo de 12 edições mensais ao longo de 2026, cada uma acompanhada por um videoclipe realizado por Vasco Mendes, construído a partir das gravações nos Estúdios Arda.

Ficha Técnica

Música, letra, produção, voz, baixo e guitarras: PZ
Banda convidada: Mão Morta
Voz e letra adicional: Adolfo Luxúria Canibal
Bateria: Miguel Pedro
Guitarras: Ruca Lacerda

Gravação e mistura: Zé Nando Pimenta
Gravado nos Estúdios Arda

Realização vídeo: Vasco Mendes
Design: Studio Eduardo Aires
Fotografia: Rui Murka
Assistente de produção: Francisca Lacerda
Direção criativa: PZ, Studio Eduardo Aires, Vasco Mendes