Durante mais de duas décadas, ouvir os Loto implicava procurar CDs esquecidos, vinis guardados em prateleiras ou ficheiros partilhados entre quem os acompanhou nos anos 2000. Numa era anterior ao streaming, grande parte da obra do grupo ficou fora das novas formas de escuta e descoberta musical. Isso muda agora.
Pela primeira vez, toda a discografia dos Loto chega às plataformas digitais, recuperando uma das obras mais originais da pop electrónica portuguesa da primeira metade dos anos 2000.
"Parece que houve toda uma vida entre o final dos Loto e hoje. Passaram-se 20 anos desde o último disco e 16 desde o último concerto. Com excepção dos velhos CDs, não deixámos forma de passar a nossa discografia para ficar na escuta de quem fosse. Enterrámos a nossa música numa cápsula do tempo e, há alguns meses, decidimos que seria hora de a abrir. Se calhar tínhamos só saudades nossas"
LOTO
Uma discografia completa, finalmente acessível
O lançamento inclui o EP Swinging on a Star, os álbuns The Club (2004) e Beat Riot (2006), e We Love You (2005), edição de remisturas de The Club. Junta-se-lhe We Love You Too, novo volume com remisturas de Beat Riot nunca antes disponibilizadas, e um álbum de novas versões gravadas ao vivo este ano.
Formados no final dos anos 90 em Alcobaça por Ricardo Coelho, JT e Pedrosa, os Loto tornaram-se um dos nomes mais relevantes da música electrónica portuguesa do período. Depois do impacto inicial de Good Feeling, foi com Back to Discos — retirado de The Club — que a banda alcançou o topo do airplay nacional e consolidou um percurso singular dentro da pop portuguesa.
The Club foi produzido pelos próprios Loto e por Armando Teixeira, e masterizado por Nilesh Patel (nome associado a trabalhos com Chemical Brothers, Daft Punk, Air, Pulp e Pet Shop Boys). O disco tornou-se uma referência da pop nacional daquele período e ajudou a consolidar a chamada "Madbaça", expressão que ficou associada à inesperada efervescência musical saída de Alcobaça nos anos 2000.
Em 2006, Beat Riot contou com colaborações de Peter Hook (Joy Division, New Order) e Del Marquis (Scissor Sisters). Ao longo de sete anos, a banda editou três álbuns, realizou mais de 400 concertos e passou por praticamente todos os grandes festivais portugueses, Paredes de Coura, Sudoeste, Super Bock Super Rock, Alive, partilhando palco com New Order, Scissor Sisters, Black Eyed Peas, The Hives, MGMT e Vampire Weekend. A banda encerrou actividade em 2010.
O grupo não descarta um regresso especial aos palcos, sobre o qual serão divulgados detalhes em breve. O formato, ainda a ser definido, deverá revisitar o universo clubbing e electrónico dos anos 2000 através de novas versões do repertório.











Rodrigo Simas







20 maio 18h
FNAC NorteShopping — Porto




