segunda-feira, 17 de abril de 2006

X-Wife - “Side Effects” (Nortesul)




Em equipa que ganha não se mexe. Poderia ser este o lema que norteou a banda do Porto na altura em que partiu para a criação do seu segundo registo. É que o primeiro longa duração do grupo apesar de não se um disco 5 estrelas, caiu bem no goto de muita gente.
Depois de se ouvir “Side Effects”notamos nele a mesma formula criativa. A única diferença que vimos a olho nu, prende-se com o facto de este disco ser um pouco mais analógico, derivado ao facto de grande parte das baterias ser real. E não ouvimos, infelizmente, aqui um tema do calibre de “Eno”.
De resto, continua a ser a grande vaga das novas bandas rock, que bebem inspiração no punk e pós-punk de finais de 70 inícios de 80, a dar força ao trio para escrever canções.”Bright Light, Big City” é disso exemplo maior. Mas atenção, que se ouvirmos com cuidado “Panic”, descortinamos que são, sem duvida, os Franz Ferdinand, a gasolina que faz andar “Side Effects”.
Uma verdade tem de ser dita, não se vá ter os X-Wife em má conta, por serem uma banda demasiado da moda. Ainda bem que assim acontece. Desta vez a cena musical do país não está adormecida, levando com sons na cara, que fazem todo o sentido, e não aterram aqui quando já cheiram a mofo.
Pondo esta virtude de lado, ficamos com um disco em mãos que enferma dos mesmos problemas do anterior. O maior de todos continua a estar patente no registo de voz de João Vieira, que ao longo de 12 temas se apresenta sempre da mesma forma gritada.
E isto é que nos entristece. O facto de a banda não ter conseguido absorver as criticas que lhe foram feitas, e neste disco não dar o passo seguro que se impunha. E ficamos ainda mais tristes, pois neste disco encontramos alguns rebuçados que nos dão muito gozo a chupar. É de facto pena este disco não funcionar como um todo. Tinha tudo para ser um vencedor.
Mas meus amigos não vamos desanimar. “Side Effects” não é um disco que envergonhe os X-Wife. Antes pelo contrário… E eles sempre foram um grupo de palco. E aqui, temos temas que ao vivo iram fazer explodir qualquer plateia.
E como diz o povo e com razão: “à terceira é de vez!”…


Nuno Ávila

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