Com a edição de dois singles, onde se destaca o excelente tema “Ferrugem a Atacar”, os Ovo conseguiram em pouco tempo o reconhecimento que muitas bandas levam anos a atingir. E quando tudo corria de vento em poupa, com as passadeiras vermelhas a anunciarem os caminhos dos palcos, mas sem a banda conseguir transpor para os concertos a garra conseguida em estúdio, eis que num golpe reflectido, a banda se retira para repensar o futuro.
Foram quase dois anos de pausa, que serviram para olhar para o passado e pensar no dia de amanhã. E foram sobretudo dois anos de trabalho para dentro. Agora passado que está este período de reflexão, a banda volta a espreitar a luz do dia com o seu primeiro CD debaixo do braço.
Este disco dos Ovo, vem com os Ovo lá dentro. Com o mesmo pop. Com o mesmo sabor electrónico. Com o mesmo ritmo de escrita. Apenas, não vem munido daquele tempero analógico que dava um gosto tão especial ao som da banda. Parece que não, mas esta mudança faz toda a diferença. Faltam aqui violinos a ecoar no ar.
E é pena que passado este tempo todo os Ovo, não consigam fazer a sua musica arrebitar, e trazer consigo aquela mais valia que se impunha. Falta mais sal a este disco. Falta ao grupo conseguir surpreender, para não ser apenas mais uma banda. É urgente criar a marca Ovo.
Mas não se pense, contudo, que o colectivo, não soube usar bem os ovos para fazer esta omoleta. Estamos perante um disco com bons momentos. Com canções pop escritas como manda a regra. “O Mundo É Já Aqui” e “Não Conselho”, são músicas feitas a pensar no top. A produção deixa o disco respirar por todos os poros e assim as canções flúem a um bom ritmo.
Só é pena que este registo por vezes tropece em águas mais tépidas, ficando a boiar sem sair do sitio.
Os Ovo tinham tudo para triunfar. E é uma pena que o tapete lhes fuja debaixo dos pés. É que por aqui existe talento, humildade, frontalidade e fome de vencer.
Só que por vezes, isto só não é tudo e se a máquina não for bem oleada lá volta a “ferrugem a atacar”.
Mas o que vale, é que o futuro é grande e começa a “estrelar-se” já hoje…
Nuno Ávila
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