Vitor Joaquim
METASONIC II
Paisagens sonoras Concretismos Field recordings
19 a 21 de Outubro
Auditório do Goethe Institut
Produção: Granular (apoios Goethe Institut / Restart)
Bilhetes: 7 euros (3,50 euros Restart, CEM, Guilherme Cossoul, Goethe)
19 Outubro quinta-feira
>21:30
MIGUEL CABRAL: TAPE-A-WAY
O projecto "Tape-a-Way" consiste na manipulação directa sobre quatro a oito leitores de fita ligados entre si, contendo gravações diversas de ambientes do quotidiano. A "composição" em tempo real é feita em actuações directas sobre os mecanismos dosgravadores, inclusive perturbando o seu funcionamento normal, sem recurso a mesa de mistura e com o uso ocasional de um processador simples de efeitos. Os gravadores estarão dispostos sobre uma mesa, com pequenos altifalantes estrategicamente situados, e serão captados por dois microfones garantindo somente a estereofonia. Além dos sons reproduzidos, quaisquer movimentos que acontecem na mesa serão igualmente captados e, logo, "considerados". A ideia é fazer uma abordagem assumidamente rudimentar, nos aspectos técnico e tecnológico, em que de dadas provocando atrasos nas fitas, cortes nas leituras, perturbações na alimentação eléctrica dos leitores ou gravações no momento sejam elementos base, em oposição ao uso de tecnologia digital. A acção sobre o tampo da mesa será projectada em vídeo.
>22:30
ULRICH MITZLAFF + MANUEL GUIMARÃES + CARLOS SANTOS: COLLAGE MÉTRIQUE
Improvisação estruturada com base na criação de materiais concretos produzidos porinstrumentos convencionais (violoncelo, piano) e cruzados com "found sounds"(computador). Em "Collage Métrique" o espectro sonoro estende-se desde os ruídos e os sons da realidade que nos circunda, tal como o compositor Luc Ferrari fazia com as suas recolhas, até às notas tocadas nos instrumentos e processadas pela electrónica interactiva, com uma dinâmica do ppp em crescendo até ao fff e desde acontecimentos singulares e separados no tempo até uma densidade máxima complexa eintensa. Com formação clássica, o violoncelista Ulrich Mitzlaff movimenta-se na áreada improvisação, com repetidas colaborações com músicos como Carlos "Zíngaro", Nuno Rebelo, Carlos Bechegas e Rodrigo Amado. Senhor de um grande sentido de oportunidade e medida, o pianista Manuel Guimarães tem dividido a sua actividade entre aexperimentação e a música popular. Antigo elemento dos Vitriol, Carlos Santos é um dos mais interessantes nomes da electrónica nacional.
20 Outubro sexta-feira
>21:30
FILIPE BONITO: A CIDADE NÃO É UMA ÁRVORE
Parafraseando Christopher Alexander, uma tentativa de resposta à pergunta: como será olhar para Lisboa como se fosse a primeira vez, sem mapas, sem horários e sem caminhos? Com base em registos vídeo / áudio, "A Cidade Não é Uma Árvore" é um exercício subjectivo e híbrido que estabelece relações, conjugações e escolhas, num processo de descoberta em que a memória dos lugares tem uma importante função. As imagens e os sons serão recolhidos por quatro lisboetas e combinados ao vivo por Filipe Bonito sem conhecimento prévio dos seus conteúdos, a partir de sequências, fades, acelerações / atrasos, repetições, etc. Constituir-se-á assim um novo registo audiovisual que procurará dar ordem ao caos através das relacionações possíveis. Tal como escreveu Bernardo Pinto de Almeida, "a imagem talvez seja, afinal, apenas a expressão da coincidência (da simultaneidade) da ideia com a sensação", de vendoentender-se como "imagem", neste caso, tanto a visual como a sua contraparte sonora.
>22:30
IAN FERREIRA + ALBERTO ARRUDA + RUBEN COSTA + VÍTOR JOAQUIM
Um jovem "laptoper" - Ian Ferreira - de quem muito se espera grandes coisas no futuro próximo e um consagrado da música digital feita no nosso país - Vítor Joaquim- encontram-se em concerto com os dois elementos do projecto One Might Add, Alberto Arruda e Ruben Costa, músicos que somam habitualmente o ambientalismo com o "beat" e que aos seus instrumentos-base, teclados, computador e bateria, acrescentam outros de sua própria invenção, a que chamam "barulhómetros". A utilização dos sons concretistas da electricidade será uma forte componente de um concerto totalmente improvisado em que a opção pelo paisagismo sonoro poderá ser interferida pela introdução dos ritmos do hip-hop ou da house.
21 Outubro sábado
>21:30
FRANCISCO JANES + CARLOS PEREIRA: PARQUE
Um parque é, por definição, um lugar circunscrito e com uma significação que só lheé atribuida por quem o frequenta e lhe dá uso. Pode ser muitas coisas diferentes, para pessoas diferentes, mas é quase sempre um local de refúgio para uma actividade específica. A peça sonora desenvolver aborda uma vivência particular deste espaço eum conjunto de significações que lá encontramos. Francisco Janes trabalhará com material sonoro recolhido "in situ"e posteriormente processado ou simplesmente seleccionado/seccionado, procurando colocar em evidência determinadas ideias ou emoções sugeridas pela experiência do lugar. Carlos Pereira verterá em som algumas impressões provocadas pelo espaço em questão, servindo-se para o efeito de matéria sonora gerada por computador sob a forma de pequenos apontamentos de cariz marcadamente tonal.
>22:30
RODRIGO AMADO CONCRETE ENSEMBLE
Agrupamento formado por computadores (a cargo de Carlos Santos e André Gonçalves, aka OK Suitcase) e instrumentos convencionais (os saxofonistas Rodrigo Amado e Paulo Curado, o guitarrista Nuno Rebelo e o percussionista José Oliveira), o Concrete Ensemble associará "found sounds" e música instrumental, num entendimento da"musique concrète" que passa pelos conceitos da livre-improvisação, do jazz e do rock. Amado tem-se notabilizado, precisamente, na área do free jazz, mas os seus interesses musicais são bastante latos, indo desde o hip hop (colabora com os Rocky Marsiano) ao experimentalismo electroacústico (colaborações com Vítor Joaquim e comos Vitriol).
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