sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

OS QUAIS COM MEIO DISCO




16 Jan 23:30 Maus Hábitos, Porto
17 Jan 22:00 Teatro Municipal da Guarda
01 Fev 18:30 Fnac Colombo
08 Fev 16:00 Fnac Almada


Entre o angular blues bossado pela recta Rua Áurea e a negra batucada banhada na alva Lisboa-ilha-do-Atlântico-menor traça-se um destino. OS QUAIS são o som da TRAVESSIA. As suas letras dão vida a uma geografia esbatida pela rotina ou rotineira pela mesma batida (que tem hoje o som de batida nenhuma) e tornam tudo mais como se vê mesmo, mais quente, com mais cores-nomes. Em arte essas coisas normalmente pagam-se caro. E isso é muito natural. Cantam-se Mercês, Calçada do Combro, Chiado ou um Mar que não é de Caymmi. O Haiti não é aqui, nem o Leblon, nem Abbey Road. Pegam na terra-centro-do-mundo com a leveza que só a vida pelas colinas da cidade permite. Com aquele amor de grupo pop que tudo mastiga porque em tudo ouve-lê-cheira-vê-toca música. Leiam postado aí abaixo: há quase vinte anos. Mas o som do AGORA tem andado sempre com umas décadas de atraso. VIVAM! Por isso ouçam-nos e falem-lhes. Às vezes o espaço que se inventa tem que ser mesmo para ocupar. O MEIO DISCO está a chegar às lojas, a meio preço.

OS QUAIS: são Tomás Cunha Ferreira (guitarra eléctrica, violão, omnichord, coro) e Jacinto Lucas Pires (voz, coro, assobio).

Tomás Cunha Ferreira é pintor. Expõe regularmente desde 2000 (Estufa Fria, Galeria Palmira Suso, Bartolomeu 5, Galeria Alecrim 50). E é, desde 2002, professor de Pintura, Desenho e Comunicação Visual na Universidade de Évora – Curso de Artes Visuais.

Jacinto Lucas Pires é escritor. Publicou vários livros pela editora Cotovia, entre os quais “Azul-turquesa” (ficção, 1998), “Livro usado” (viagem ao Japão, 2001), “Perfeitos milagres” (romance, 2007), “Assobiar em público” (contos, 2008). Realizou duas curtas-metragens, e escreve teatro para diferentes grupos e encenadores.

Os dois conheceram-se em Tóquio, num colégio dos Jesuítas – ou terá sido em Faro, a fazer teatro? Bem, é uma longa história. A verdade é que fazem música há vinte anos, quase, sob diferentes disfarces. Gostam de Beatles, Caetano, Variações, Prince, Piazzolla, Donato. Têm duas ou três certezas: não são nem um “dueto”, nem um “colectivo”, e muito menos um “projecto”. Talvez uma “dupla”, como se diz dos detectives. Ou um, quem dera, “bando à parte”, como naquele filme. Senhoras e senhores, OS QUAIS!

Começar pelo MEIO. Depois de séculos de clandestinidade, OS QUAIS aterram com um MEIO DISCO voador. Seis canções que rockam-popam-dançam em cima do tempo, sem medos, desabitualmente. “Vem pôr fogo a tudo”, “o teu olhar tem tudo a ver”, “u-u-uuu”. Fundar o mundo em Portugal, imaginar um sotaque do meio-do-Atlântico. Falar música! Um cd-zinho de altas e baixas referências mas também distraído quanto baste. Um MEIO DISCO que vai inteiro para cada um e cada qual. Começam assim, aqui, OS QUAIS, pergunta sem ponto de interrogação.

No MEIO DISCO: Bernardo Barata (baixo, coro), João Lencastre (bateria), Péricles Cavalcanti (boogie futurista), José Castro (teclado, palmas, pandeireta), José Tolentino Mendonça (sobre um improviso de John Coltrane) e Carlos Martins (saxofone).


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