sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

FILHO ÚNICO APRESENTA



Noite de três etapas-concertos dedicada ao trabalho de dois dos músicos mais produtivos e consequentes do nacional som dos últimos anos. Três concertos diferentes, a terminar com a recentíssima colaboração entre os artistas.
Magina (também Aquaparque) editou o aplaudido 'Nazca Lines' no ano que agora finda (pela Ruralfaune e em edição de autor) e está prestes a lançar uma cassete pela norte-americana Not Not Fun. Constrói paisagens pós-irónicas e efervescentemente sentidas de uma palete vocabular que filtra várias músicas dos anos 70 até hoje, do piroso e sentimentalão, ao épico e devastador, ao singelo e proletário, feito com a verdade dos honestos.
Cóclea (Guilherme Gonçalves, também membro dos Gala Drop) é um veículo de exploração estelar. O Guilherme cavalga nos mesmos territórios do space rock mais abstracto, em busca das iluminações e visões que só os mais intrépidos viajantes têm o privilégio e acaso de encontrar.
Os June são o duo destes dois músicos nacionais, e o que já pudemos escutar do projecto cruza a poética da neblina suburbana dos teclados de Magina e uma aterragem num paúl da nave Cóclea. O encontro dá-se no palco do bar de um hotel de 4 estrelas em 2072 perto da Trofa, onde o ajuntamento local de vereadores PSD se encontram a beber Metropolitans radioactivos enquanto escutam estas visões futuristas pós-Trax Records via Popul Vuh, educadas pela escola de cosmética de teclados Martin Hannett. Primeiro concerto dos rapazes nesta formação.

Myspace http://www.myspace.com/june.pt

Concerto: June / Cóclea / Magina
Data: 19 de Janeiro
Horário: 22h30
Entrada: LIVRE

“A guitarra portuguesa suporta aos seus ombros a maior e mais pesada das heranças lusitanas ao assumir-se como o veículo do fado e, consequentemente, o nosso mais legítimo instrumento. No entanto, há uma espécie de destino cruel para o seu repertório solístico, parecendo permanentemente refugiar-se no valioso espólio que Carlos Paredes nos deixou, não admitindo nem muitos, nem importantes concorrentes, como se a guitarra portuguesa tivesse esgotado o seu léxico. Aliás, é o próprio Ricardo Rocha – talvez o melhor solista da actualidade – que confessa regularmente o seu relativo desapego que nutre pela guitarra, desiludido pela sua rigidez musical. A relação de todos nós com o instrumento que melhor nos poderia singularizar é, também por si, a maior prova das nossas características e um modo muito idiossincrático de como nos definimos colectivamente. Ainda assim, na exígua lista de soberbos executantes, o nome de Ricardo Rocha parece alumiar um pouco do futuro que esperamos para a guitarra, atirando-a para um mundo novo de referências – incluindo as tradições lavradas por Carlos Paredes e Pedro Caldeira Cabral – que nos devolve a esperança que a história do instrumento não se afunde nas páginas e nas gravações de um arquivo etnográfico. Também por isso, esta noite é rara; tal como as hipóteses de ouvirmos Ricardo Rocha em palco, sozinho com a sua e nossa guitarra.”

Editora http://www.mbarimusica.com/
Blog não-oficial http://ricardorochaguitarrista.blogspot.com/
Concerto: Ricardo Rocha
Local: Teatro Maria Matos
Data: 29 de Março
Horário: 22h
Entrada: 12€ excepto <30>

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