segunda-feira, 13 de junho de 2011

Filho da Mãe - “Palácio” (Rastilho Records)



Sobre Rui Carvalho, Filho da Mãe, escreve Tó Trips: “Ele há guitarristas com electricidade lá dentro, e este é um deles, é o tipo de guitarrista que eu admiro, gosta do seu instrumento neste caso a guitarra e redescobre-a cada vez que pega nela seja eléctrica seja acústica, basta ser uma guitarra! Mais que músico é um
Aqui Rui Carvalho pega na guitarra acústica. Antes, de guitarra eléctrica em punho já nos tinha mostrado o seu virtuosismo em projectos como If Lucy Fell e Asneira.
Ao lado de artistas como Tó Trips e Norberto Lobo, Filho da Mãe faz crer que a guitarra acústica é um instrumento tão válido como qualquer outro para criar belas músicas.
Filho da Mãe, apresenta uma técnica apurada, que deixa transparecer que sente enorme paixão por Carlos Paredes.
Neste seu primeiro registo, Filho da Mãe, apesar, de não criar melodias totalmente lineares, anda perto do formato canção. E em boa verdade se diga, que não cria melodias de todo lineares, porque, os seus dedos mágicos o “obrigam” a correr as cordas da guitarra, muitas vezes de forma improvável.
“Palácio” é um disco que se entranha em nós com tal força, que sem darmos por ela ficamos totalmente viciados. Só me lembro de sensação semelhante ao escutar “Guitarra 66” de Tó Trips e “Mudar de Bina” de Norberto Lobo. Discos todos eles, a beberem inspiração nas mesmas fontes, mas apesar disso diferentes, pois cada artista tem uma alma própria e uma forma muito peculiar de atacar as cordas do instrumento.
Este “Palácio” é um luxo. Habitação de um senhor virtuoso que muitas vezes dedilha as cordas a tal velocidade que nos deixa estonteados. Por isso a audição desta obra requer de nós alguma atenção de forma a podermos saborear cada nota e cada dedilhar que sai desta guitarra.
João Nogueira e Makoto são cúmplices na faixa que fecha o disco, abrindo outras possibilidade a este som. Contudo, estamos perante 11 temas que fazem deste disco um todo.
Resta agora fazer uma visita obrigatória a este palácio sem medo de nos perder-mos deliciosamente nestes enormes corredores.

Nuno Ávila

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