segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Joana Guerra - “Gralha” (Monstro de Gila)



















Original. É esta  palavra  que melhor define o primeiro trabalho de Joana Guerra. Música para voz e violoncelo. Apenas. Sim, apenas!
O violoncelo solta, maioria do tempo, acordes minimais. A voz essa é presença, muitas vezes, quase em canto lírico. Música descarnada, despida de grandes arranjos. A entregar-se  ao ouvinte livre e sem preconceitos.  Nua à espera de se aconchegar no nosso coração.
Joana, lança-se, neste seu primeiro voo sem medo de mostrar aquilo que sabe fazer. Cantar bem, e tocar ainda melhor violoncelo. Arrisca a fazê-lo sozinha. Sim, porque pode ser difícil para alguns penetrar neste mundo de Joana. Um mundo encantado onde as fantasias e os mais belos sonhos se misturam. Mas não há que ter medo de entrar.
Este disco não é demasiado erudito. Não é feito apenas para mentes iluminadas e vanguardistas. Qualquer mortal tem capacidade para absorver esta linguagem. Um som onde também se mistura algum rock e bela pop.
Joana Guerra de forma inteligente cozinha tudo a seu belo prazer, tornando este num prato rico em proteínas. Tarefa difícil, que poderia ter corrido mal. Mas felizmente, Joana teve a perspicácia suficiente  para saber até onde ir de forma a não tornar este num disco demasiado estranho.
Por isso podemos afirmar que este disco não é uma gralha, apesar de o ser efectivamente.

Nuno Ávila

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