segunda-feira, 9 de junho de 2014

A PROMESSA DE BULLLET



















A promessa feat. A. F. Diaphra e Samuel Úria
Single de avanço de COSMIC NOISE VOL. 2

Vladimir Orlov não é apenas uma máscara. É uma moldura ou uma tela específica que Armando Teixeira usa para um determinado tipo de pintura. Dono de um vasto e variado currículo – que se estende dos da Weasel aos Bizarra Locomotiva e daí até ao seu trabalho a solo como Balla e Bulllet – Armando é um músico e produtor profissional habituado a múltiplos contextos com um armário cheio de diferentes casacos que veste consoante o laboratório onde tem que realizar experiências. Pode acontecer ter que produzir trabalhos para outros artistas – como sucedeu com Rui Reininho ou os Lacraus – ou então ter que imaginar bandas sonoras para anúncios ou genéricos de programas televisivos, como o recente «Melhor do Que Falecer» de Ricardo Araújo Pereira, por exemplo. Mas constante é a minúcia, o cuidado com o som, o recurso a soluções menos óbvias.
 
Com Bulllet, Armando pode ser mais livre adotando balizas mais apertadas, por paradoxal que isso possa parecer. Pode fugir ao presente, à lógica pop, pode até fugir à necessidade de ter vozes. Não é o caso no single que apresenta o segundo volume da sua por enquanto apenas digital nova aventura, Cosmic Noise. Com uma toada algo blues, a soar como se tivesse sido gravado no meio da selva – ou pelo menos no centro da Estufa Fria - «A Promessa» inclui um homem da palavra falada e outro da palavra cantada: Alexandre Francisco Diaphra, também conhecido por Biru, veterano das sessões de poetry slam, rapper underground, e Samuel Úria, cantautor de uma nova geração que trata com deferência a nossa língua e a usa para fazer canções que se colam aos ouvidos e à vida.
 
A combinação é improvável: um ex-agente soviético, um subversivo manipulador do verbo e um evangelizador folque-pope-roque. O curioso é que funciona. Deixamos-vos com «A Promessa»!

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