terça-feira, 7 de junho de 2022

NO SALÃO BRAZIL
















 MARIA REIS APRESENTA "BENEFÍCIO DA DÚVIDA"
10 de Junho, 22h00

Uma noite, no Porto, Maria Reis ouviu alguém dizer que “o amor sem imaginação é um estado”. Encontramos estas palavras no poema que figura na contracapa de Benefício da Dúvida. Ao longo de sete músicas, Maria conduz-nos pelo estreito e inebriante caminho que o amor desenha sobre o abismo, equilibrando-se entre o risco das certezas vazias de imaginação e o risco da queda. Depois da colorida tristeza e raiva que encontrámos em Chove na Sala, Água nos Olhos, álbum em que colaborou com vários músicos e produtores, e da ternura e ironia de A Flor da Urtiga, produzido por Noah Lennox (Panda Bear), Benefício da Dúvida aparece consideravelmente mais despido, com arranjos simples e crus criados no seio de um grupo íntimo: Júlia Reis, na voz e no pandeiro, e Leonardo Bindilatti que, com Maria e Júlia, assina a produção. O uso de meios mínimos espelha um longo período de digressão a solo, que incluiu duas residências de criação (no Teatro Viriato, em Viseu, e no Gnration, em Braga), onde nasceram algumas destas músicas, depois gravadas entre Braga e Lisboa.

Benefício da Dúvida traça um arco entre a primeira e a última faixas, mais sombrias e interrogativas, que abertamente citam o grunge. A primeira, “Lobisomem”, rasga o silêncio com feedback, distorção e uma batida dupla de tambor, que evoca o bater do coração. As palavras apresentam o amor como jogo de reconhecimentos e enganos (afinal, os lobisomens são apenas “todos cães”), questão que se desdobra ao longo do álbum, não só a propósito do amor, mas também da relação consigo mesma, bem expressa no grito de “Desaparece” (que evoca “Akon”, canção das Pega Monstro que integra o disco homónimo de 2012) ou na melancólica “Fórceps”. Mas as faixas que compõem o núcleo do álbum são igualmente marcadas por uma tonalidade solar, que parece insistir na acção, na afirmação e no cuidar, apesar da dúvida. Assim o mostram “Virgem Maria”, calmante hino de liberdade tocado com a viola campaniça de Maria e o pandeiro de Júlia (em lugar da habitual bateria) e “Benefício da Dúvida”, faixa habilmente plantada no meio do disco, pontuada pela urgência do ritmo e pelos arranjos de vozes exuberantes que celebram o puro êxtase de escolher arriscar.

O rush alegre de provar o desconhecido e os perigos do caminho estão ambos igualmente plasmados na capa do disco que, como nos dois anteriores, é da autoria de Sara Graça. Benefício da Dúvida termina em modo crepuscular, com “Elefante na Sala”, bela canção que faz pensar nos sussurros de Elliott Smith, e poema que não hesita em conviver com o desconforto. Como escreve Maria, dar o benefício da dúvida é “prosseguir, no limite desta jogada desconhecida”. Porque, afinal, “quem não tenta, desiste”.
Filipa Cordeiro

Abertura Portas: 21h30
Bilhetes ( Lojas Parceiras e Bol.pt): 10€

REPERCUSSION TRIO COM MANUEL DA SILVA GAIO: CICLO DE MÚSICA DE CÂMARA "CAMINHOS CONJUNTOS"

A II edição do Ciclo de Música de Câmara Caminhos Conjuntos apresenta Repercussion Trio com Manuel da Silva Gaio.

Caminhos Conjuntos é um ciclo de música de câmara com promissores grupos portugueses de prestígio nacional em início de carreira profissional. Os concertos deste ciclo interrelacionam a Música e a Poesia num casamento inacabado entre o legado patrimonial e a vanguarda artística.

Repercussion Trio apresenta-se no Salão Brazil (JACC - Jazz ao Centro Clube) pelas 21:30 de dia 12 de junho. Apresenta repertório contemporâneo e alusivo num convite à sua ligação com a herança de Manuel da Silva Gaio.
A Associação À Corda convida-vos a caminharem conjuntamente entre a música e a poesia.

Abertura Portas: 21h00
Entrada gratuita sujeita à lotação do espaço

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