Formados em 2007 em Lisboa, os dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS (dSCi) são uma banda com um currículo tão intenso como a sua música, uma mistura única de noise-rock, pós-rock, pós-punk e free-jazz que pode ser descrita como urgente, enérgica e feroz.
Ao longo dos anos deram cerca de quatro centenas e meia de concertos nos mais variados sítios e situações e com as mais diversas bandas e músicos, incluindo inúmeros festivais e treze digressões que os levaram a países como Espanha, França, Alemanha, Suíça, Itália, Bélgica, Holanda, República Checa, Eslováquia, Polónia, Hungria,Eslovénia e Rússia.
Depois de terem comemorado o 15º aniversário em Maio de 2022, os dSCi estão de momento a apresentar o seu novo disco “卌“, lançado em Setembro do ano passado por ocasião da Piknik Tour.
E também têm estado envolvidos em muitos outros projectos e colaborações, nomeadamente através da Associação Terapêutica do Ruído, a sua entidade siamesa que se dedica à organização e promoção de concertos e à edição e distribuição de discos, graças à qual já receberam centenas de músicos e bandas de todo o mundo.
«“Recomecemos tudo de novo” grita A. Pedro Ribeiro a descerrar o novo álbum dos Sereias, abrindo espaço para o deambular de uma guitarra abrasiva sobre um ritmo persistente e incursões de teclados com reminiscências jazz-rock à anos 70. É este o mote para o novo álbum, um recomeço onde encontramos o free rock dos Sereias em todo o seu esplendor, uma mistura de post-rock e kraut em progressão contínua, tenso, obsessivo, massacrante, em jogos de texturas e piscar de olhos ao free-jazz e à música contemporânea e mesmo a algum tribalismo. Deste caldeirão sónico sai a voz psicótica de A. Pedro Ribeiro, ora gritada ora murmurada ora declamada, ora colérica ora depressiva, e a sua poesia bruta, de poeta de café em invectivas contra o mundo ou em lamentações existenciais. Mas contrariamente a “O País A Arder”, o disco de estreia, há aqui menos palavras de ordem sonantes, tipo “quero um primeiro-ministro para comer ao pequeno-almoço” ou “as putas da tv”, e um maior desespero face ao mundo, com as ambiências musicais a ganharem um protagonismo e um espaço inesperado, como em “Cadena” – onde as vozes electronicamente traficadas desenham estritas narrativas sonoras –, e as ladainhas recitadas a serem repetidas uma e outra vez, a sublinhar a sensação de perda e o tom melancólico e angustiado que percorre todo o disco. “Ela vem, volta sempre, a depressão”, como rediz à exaustão A. Pedro Ribeiro, abandonando-se ao fado da inadaptação social e da carência afectiva que o faz cair “no fundo do copo, no fundo do abismo” por entre farrapos de melodia. E de nada valem as visões apocalípticas nem os avisos de que “a coisa vai estoirar” apoiados num crescendo rítmico de tramas explosivas, pois o destino está traçado: “voltar, voltar sempre”. E que bom que é este regresso! Numa altura em que a música portuguesa navega maioritariamente por um nacional-cançonetismo modernizado disfarçado de pop é uma bênção ouvir estes Sereias e a sua quimera disruptiva sob a forma de música, onde a criação é um impulso vital e urgente. Bem hajam!» by Adolfo Luxúria Canibal.
Todos os dias às 19h, o mais antigo programa de rádio pela música portuguesa
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quinta-feira, 13 de abril de 2023
ATR APRESENTA
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