Encontro marcado na SMUP para a noite de 22 de Abril com Scúru Fitchádu e Prétu
Dois artistas com várias interseções em comum apresentam-se pela primeira vez ao vivo no mesmo alinhamento.
"A Luta Continua"
Scúru Fitchádu é Marcus Veiga e faz referência direta tanto à música cabo-verdiana como de matriz africana, dentro de uma estética punk e eletrónica disruptiva, onde aí se alinham influências e cruzamentos tão díspares e de diferentes universos musicais. É o resultado das vivências de um afrodescendente de pai cabo-verdiano e mãe angolana, nascido em Portugal que acumulou estímulos artísticos e de vivências geográficas variadas. Em Janeiro de 2023 lançou o seu mais recente trabalho "Nez Txada skúru dentu skina na braku fundu" [Nesta achada escura dentro da esquina num buraco fundo], esta uma obra conceptualmente inspirada nos movimentos revolucionários anticoloniais e de libertação africana, nos seus intervenientes e poetas, nas suas diretrizes e legados, sendo estabelecido um paralelismo dessa mesma temática com uma interpretação poética visceral do atual espetro urbano. Este disco, cuja sonoridade aspira a novas metas experimentais, tem forte incidência na oralidade, com versos subversivos e de protesto.
Prétu (Xullaji) é um afronauta numa viagem sónica e visual pelo seu cosmos sampladélico, parando em estações à procura de viajantes que queiram fugir do metaverso imperial, previsível e vigiado.
Usa o sampler como anacronizador para dissolver o Relógio do Mestre. O tempo é encolhido, esticado, acelerado e desacelerado, corrido em várias direções, sobreposto, loopado, espiralizado, warpado.
O velocímetro deste Objeto Sónico Não Identificado marca BPMs variados. Samples são a ignição. Poliritmos acústicos e electrónicos aceleram partículas e os sintetizadores, misturados com delays, reverbs e distorções, abrem fendas entre géneros +e criam portais que atravessam dimensões. Não existe gravidade. Quem precisa de chão não embarca. Fragmentos de electrónica, dub, morna, batuku ou colaboi chocam, colapsam e da, poeira estelar, e da chuva cósmica, nasce a música. Não há mapa. Navega-se à vista através de tecnologia ancestral africana em busca da profetizada “Strela Negra”. Por vezes com co-pilotos, às vezes sozinho. Porém, há uma entidade, que se materializa aleatoriamente no cockpit, usando o corpo e o movimento como oráculo. Mensagens disponíveis no arquivo cósmico africano são intuídas, descarregadas, reinterpretadas e oralizados em diversos fluxos e linguagens. Retransmitidas à procura de chegar a guerrilheiros de outros quadrantes na luta contra o colonialismo e o império, que depois da terra e dos corpos colonizou a consciência com o algoritmo. No multiverso de Prétu “A Luta Continua”.
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Entrada: 8€ - Bilhetes disponíveis em www.seetickets.com
SMUP

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