Depois de encher o Musicbox, o artista lança o tema original do filme “A Consulta”, acompanhado por videoclip.
Chega esta sexta-feira às plataformas digitais o novo single do autor e músico Ruben Portinha, “Um bom final”. A canção foi criada especificamente para integrar a banda sonora da curta-metragem “A Consulta”, um filme realizado por Rita Féria onde o artista se estreou na arte da representação, ao assumir o papel do personagem principal.
Totalmente produzido por Ruben Portinha, o tema inédito “Um bom final” é uma espécie de resumo do que vai na cabeça de António (personagem principal do filme), em face de todas as peripécias vividas durante aquele dia onde o imprevisto esteve sempre lá. “Inspirei-me no enredo para lhe tentar ser fiel, ao mesmo tempo que quis transmitir algumas perspetivas que eu próprio, na vida real, acabo por ter sobre o mundo que me rodeia; digamos que é a minha visão de tudo isto”, sublinha o cantautor.
O videoclip, montado por Rita Féria, é composto por algumas imagens da curta.
A estreia ao vivo do tema aconteceu a 9 de junho, no Musicbox, em Lisboa, com uma sala cheia que, para além de um concerto de aproximadamente 45 minutos, pôde também assistir à estreia da curta-metragem, que voltará a ser exibida esta quarta-feira (dia 1), no âmbito da iniciativa “O Quadro”, destinada a mostrar obras cinematográficas de vários cineastas portugueses e estrangeiros a viver em Lisboa. O evento decorre entre as 19:00 e as 22:00 no Tribe Social Club, no Chiado.
Sobre o filme:
Nascida há mais de vinte anos, a curta-metragem “A Consulta” chega finalmente ao público pela mão de Rita Féria, uma realizadora talentosa e com um percurso diversificado, premiada nacional e internacionalmente.
“Em 2002, quando estava no último ano do curso de Arquitetura de Design, participei numa conferência sobre acessibilidade. Os testemunhos que ouvi de pessoas com deficiência impressionaram-me. Algumas eram situações que imaginava poderem acontecer, mas outras pareceram-me totalmente insólitas e difíceis de acreditar. Percebi, mais tarde, que algumas dessas situações são acontecimentos regulares na vida de quem tem mobilidade reduzida e se tenta movimentar numa cidade. Foi essa conferência que me inspirou e me deu a ideia para uma história, o meu primeiro argumento. Nesta história, um dos objetivos era mostrar um dia normal de uma pessoa com deficiência visual numa cidade, as situações pelas quais passa e até frases que costuma ouvir. Por outro lado, nessa história, o personagem principal, que é cego, é aquele que apresenta uma maior presença de espírito e clareza na maneira como observa as situações”, explica a realizadora.
“Em 2015conheci o Ruben Portinha. Desde aí, colaboramos juntos em alguns trabalhos. Conversámos sobre o meu argumento e até lhe pedi sugestões sobre atores com deficiência visual. Anos mais tarde percebi que era o próprio Ruben a pessoa indicada para interpretar este papel. Não só pela experiência enquanto pessoa com deficiência visual, mas sobretudo pela sua maneira de agir, sentir e observar. Desafiei-o e ele aceitou imediatamente o papel”, acrescenta Rita Féria.
Um dia na vida de um homem cego que sai de casa pela manhã para ir a uma consulta médica. É este o ponto de partida para o argumento, protagonizado por Ruben Portinha. “Embora já tivesse passado por várias experiências em frente às câmaras, nunca tinha vivido tal coisa e foi extraordinário. Não sou ator e tenho o máximo respeito por quem verdadeiramente é, mas confesso que me deu um gosto enorme ter assumido este papel e dar vida ao personagem da Rita que, afinal, não estava assim tão distante da minha realidade. Senti-me um privilegiado, ainda para mais tendo tido a oportunidade de contracenar com atrizes e atores fantásticos, além dos grandes profissionais que estiveram atrás das câmaras e que me ensinaram tanto”, confessa o artista.

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