terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

NA ZDB EM MARÇO





















QUINTA 5 MARÇO / 21H 
Rún ← Parque Império

Conjura sagrada afecta ao horror dos dias, sem entrar por tácticas de choque gratuitas, Rún — trio formado por Tara Baoth Mooney, Diarmuid MacDiamarda e Rian Trench — absorve o peso do metal mais esotérico, o psicadelismo e hipnose do krautrock, a pureza e o encanto da folk e uma electrónica lascada do ruído para erigir um todo coerente de devaneio mental e impacto físico. No seu álbum de estreia homónimo, transcendem os confins desses géneros para os moldar num curso intenso e primordial que vai da beleza iridescente ao terror abjecto, sem concessão de partes.

Parque Império é um grupo de indie rock, post-punk com elementos da música tradicional portuguesa. Procuram a sua identidade refratária através de gritos antémicos, ritmos graves, do noise pop e da sua atitude crua. 

SÁBADO 7 MARÇO / 22H
Kimi Djabaté ← Maria da Rocha

Sempre otimista quanto ao poder da música e à sua mensagem de criar um futuro melhor para os africanos, as canções mágicas do músico da Guiné-Bissau Kimi Djabaté continuam cheias de esperança, mesmo quando refletem as lutas e os desafios contemporâneos da vida em África. Expressão das suas raízes griot, nos seus álbuns — desde Teriké (2005) a Dindin (2023) — Djabaté presta homenagem ao povo, à alma e ao espírito de África.

Maria da Rocha é uma violinista e multi-instrumentista com formação clássica e um particular interesse por linguagens de expressão contemporânea.

SÁBADO 14 MARÇO / 22H
Super Ballet: Oren Ambarchi & Will Guthrie ← Garoa

Esta parelha de luminários da Austrália vem desde a década de 90 do século passado a marcar encontros pontuais, nos quais o ride insistente de Guthrie vai sustendo os drones de guitarra subterrâneos de Ambarchi num caudal que ganha propulsão rítmica e harmónica num mútuo acordo entre peles e pratos atiçados pelo fogo free jazz e a cascata de electricidade cintilante na explosão de notas de Ambarchi. Se Guthrie tem sido uma presença recorrente na ZDB mais do que justificada, este regresso com o seu compatriota traz ainda mais motivos para celebração.

O duo lisboeta Garoa — formado pelos músicos brasileiros Raphael Soares (bateria e percussão) e Henrique Dias (piano, sintetizador, guitarra e percussão) — cria uma paisagem sonora que mescla ritmos afro-brasileiros com texturas ambientais.

QUARTA 18 + QUINTA 19 MARÇO / 21H
Rafael Toral: Guitar Concert

Naquela que é, sem grande espaço para a dúvida, uma aparição especial, que marca também o seu regresso à “casa” ZDB, Rafael Toral apresenta em duas noites consecutivas com alinhamentos diferentes um reencontro com o seu valioso repertório de guitarra ao abrigo do nome ‘Guitar Concert’.

Em estreia em Lisboa, e numa rara versão expandida, Toral apresenta de forma íntima e vulnerável todos os temas do mais recente Traveling Light, criações ainda não firmadas em disco como ‘Long Ways’ e ‘Layers’, matéria do consagrado Spectral Evolution e peças dos clássicos Sound Mind Sound Body e Violence of Discovery and Calm of Acceptance. 

No fundo, a celebração na guitarra de um trajecto já com quatro décadas de constante exploração.

SEGUNDA 30 MARÇO / 21H
Water Damage ← Força Maior

O rock no seu sentido mais expansivo continua a trazer-nos exemplos de vitalidade na repetição e no volume, como estes Water Damage. Partindo de um arsenal de guitarras, baixos, baterias e violino, a banda assenta as suas longas peças num groove ininterrupto que vai sendo abalroado por ondas de distorção, linhas de baixo pulsantes e rasgos de violino que, sem destino aparente, atiça um fogo sempiterno, tangente ao abismo de algum noise rock e que, sem ceder à riffagem, saca todo o balanço implícito nesse arquétipo do género. E o headbanging brando da hipnose. Para sempre.

Força Maior combina as explorações vitais de Pedro Alves Sousa no saxofone com o processamento eletrónico infinitamente subtil de Pedro Tavares. O seu último álbum, Morte Lilás, desenrola-se como uma tapeçaria saxofónica que respira com uma intensidade tranquila. Dia 30 de Março, Pedro Sousa irá actuar ao vivo na ZDB não com Pedro Tavares, mas com Bruno Silva (TCP Serpente ou Ondness) na eletrónica.

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