Há várias definições de inferno: enquanto lugar físico imaginário e enquanto lugar mental (imaginário, também, pois o que conhecemos de inferno serão sempre conceitos e nunca uma realidade concreta). GEHENNA poderá ser mais um dos nomes que o inferno pode ter… O inferno como local físico de punição e/ou purificação. É, também, o nome do primeiro disco de Fjords. Não porque nos remeta para um possível inferno, mas porque aborda o percurso interno de chegar lá, ficar lá e sair.
É um disco que tem por base a divina comédia de Dante Alighieri. É composto por 4 intensas e densas faixas e tem início com “Virgílio" que apresenta o poeta e o guia da personagem principal. As outras três faixas representam, cada uma, uma fase da viagem do herói. “Inferno” explora a viagem de Dante pelos 9 círculos infernais; tem 9 partes diferentes, cada uma inspirada na temática individual de cada círculo, sendo que as letras também andam de mãos dadas com estas temáticas bebendo muito do julgamento próprio e de como as ações praticadas no passado podem corromper, ou não, o futuro. A “Purgatorio" vai beber a um sentido repetitivo, onde a mudança advém da consciência de que para enfrentar o futuro e mudar, há que olhar para o passado e enfrentar os erros. Por fim, a ”Paradiso” aborda a morte de deus como conceito, o homem deixa de acreditar no julgamento falível de um ser superior, passando a acreditar na força dos seus atos por onde este cria o seu próprio caminho. O homem enfrenta a mentira que é o apoio de deus e a noção de salvação divina!
Este primeiro disco tem um conceito mais teatral do que a banda já fez anteriormente nos seus dois EP’s: não só pela referência cultural, como pela criação de uma banda sonora para a viagem. Estão prontos para a fazer?
GEHENNA, teve gravação e mistura por André Figueiredo, produção da banda e masterização por João Pires (Hetta). Teve como cartões de visita "Purgatório" e "Virgílio" e sai hoje em formato CD e cassete. Vai ser apresentado no dia 21 de Fevereiro na Cooperativa Mula, no Barreiro.
Fjords surge em 2019 no distrito de Coimbra. Nasce da união de dois amigos com um mesmo amor em comum: o gosto por viagens sonoras por vales densos e opacos.
É uma banda de stoner doom progressivo que desafia as convenções dos géneros com o seu som poderoso e atmosférico.
É uma banda de stoner doom progressivo que desafia as convenções dos géneros com o seu som poderoso e atmosférico.
A dupla formada por Rafael Borges no baixo e voz e André Figueiredo na bateria, sintetizador, caixa de ritmos e voz, cria paisagens sonoras épicas, fundindo riffs de baixo pesados e ritmos viciantes de bateria com histórias inspiradas numa ampla gama de influências culturais.
A adição de sintetizadores à sua sonoridade elevou a sua música a novas fronteiras, explorando texturas e ambientes únicos que convidam o ouvinte a vivenciar uma jornada de autodescoberta e aventura musical, enquanto continuam a empurrar os limites do rock pesado rumo à transcendência.
Já com dois EP’s lançados em 2020 (Fjords e Dunes), percorreram vários palcos do país passando por Aveiro, Figueira da Foz, Coimbra, Freamunde, Ovar, Porto, Barreiro, Almada, Cadima, Lisboa, Évora, entre outros.

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