É reconhecido, Samuel Úria tem nas suas prestações ao vivo um dos principais factores da sua afirmação como o mais interessante cantautor da actualidade.
Em Outubro passado apresentou o último trabalho, o aclamado “2000 A.D.”, em duas noites nos Coliseus de Lisboa e Porto, a sua estreia em nome próprios nestas salas, em que contou com convidados especiais. Por entre as presenças de Manuela Azevedo, Gisela João, Milhanas, Carol ou As Velhas Glórias, destacou-se a interpretação ao vivo de “Kuchisabishii” com a participação de Margarida Campelo e do colectivo vocal “Os 12 Ao Todo”.
É esse o momento - LINK - que chegou hoje às plataformas digitais numa versão contagiante, enérgica e dinâmica de um dos temas que mais se tem evidenciado do seu último disco. Ao rigor da mensagem, uma entrega singular em palco.
A edição desta gravação ao vivo antecede a transmissão pela RTP no próximo dia 3 de Março do concerto realizado a 11 de Outubro do ano passado no Coliseu de Lisboa. Numa produção RTP com realização de Filipe Vasconcelos, em cerca de duas horas de energia e sensibilidade é possível confirmar estarmos perante um invulgar intérprete que faz de cada minuto passado em palco uma experiência única ainda que sempre de partilha, seja com os que o acompanham, seja para o público que teima, compreensivelmente, em fazê-lo crescer.
Ainda que com foco em “2000 A.D.”, o alinhamento do espectáculo incluiu ainda um percurso pela sua discografia em que os convidados foram peças fundamentais. Aliás, aproveitando a sua presença, surpreendeu ainda o Coliseu com a reinvenção de “O mundo” com Milhanas, de “Canção de água doce” com Manuela Azevedo ou, em estreia absoluta, “Um dia depois”, o original que compôs para a voz de Gisela João e que ali teve a sua primeira interpretação.
A vida de “2000 A.D.” vai prosseguindo em cena com a tournée que tem percorrido o país desde a sua publicação. Hoje mesmo estará na Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, na Ericeira, seguindo-se já em Março passagens por Fafe e Tomar.
"Eu já falei muito e muitas vezes sobre o conceito temático da canção Kuchisabishii, até porque é um termo estranho a dar-lhe título, mas eu tenho falado muito pouco do conceito musical e isto porque é demasiado complexo explicar como é que na minha cabeça o Tito Puente dialoga com os Jane’s Addiction e com o Beck, e depois dialogam todos comigo.
E perante estas pontas tão soltas e tão distantes, só uma Margarida Campelo harmonizada e harmonizante é que teria capacidade de pôr ordem na casa. E depois de um ano a tocar esta canção só com a minha banda, eis que no Coliseu dos Recreios pude finalmente apresentá-la como foi idealizada e gravada. A Maggie veio a palco pela primeira vez, mostrar como é que se galvaniza uma canção, como é que se galvaniza uma banda, como é que se galvaniza um coro, como é que se galvaniza um coliseu inteiro."

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