A Mosca revela “Corpos em Stock”, novo single de antecipação ao álbum de estreia “a mosca mosca”, com edição marcada para o próximo dia 13 de abril. O tema ficará disponível exclusivamente no YouTube e no Bandcamp da banda, numa decisão consciente que reflete a posição do coletivo face às plataformas de streaming.
Mais do que um single, “Corpos em Stock” assume-se como um manifesto poético e político. Num fluxo de imagens densas e fragmentadas, a canção constrói uma reflexão sobre a multiplicação do eu, a alienação coletiva e a mercantilização do corpo, propondo uma rutura com a passividade contemporânea. “Corpos há muitos. Corpos nunca são demais. Se não gosta deste temos outro”, expondo um universo onde o corpo circula como objeto substituível, enquanto a alma permanece em expansão.
A composição desenvolve-se como uma matéria em constante transformação - “uma forma informe em metamorfose que se mexe dentro de águas paradas” - trazendo à superfície uma voz interior que se impõe sobre o ruído exterior. Entre a repetição, o excesso e a saturação, emerge um apelo à consciência: “É preciso acordar agora. Sair da multidão na montra pronta a esgotar-se”.
Musicalmente, o tema insere-se na linguagem singular d’A Mosca, marcada por uma fusão entre jazz, rock e eletrónica experimental, onde dissonâncias, ruído e paisagens sonoras cruas coexistem com elementos de estrutura pop. A banda é composta por Diogo Lopes na bateria, Maria Ana Guimarães nos teclados e sintetizadores, Sara Sousa na voz e teclados, e Tiago Nóia na guitarra e vozes secundárias, sendo também este último responsável pela captação, mistura e masterização do tema. O processo de criação e gravação decorreu de forma autónoma, entre a sala de ensaios e os espaços pessoais dos músicos, refletindo uma prática independente e orgânica. O songwriting é assinado por A Mosca, com artwork de Tiago Santos.
Formados em 2024, A Mosca afirma-se como um projeto de natureza híbrida e mutante, que cruza diferentes linguagens musicais e artísticas numa abordagem assumidamente experimental. “A Mosca é uma qualquer a passar por nós, com a sua visão caleidoscópica e distorcida do mundo”, descreve a banda, sublinhando um posicionamento que oscila entre o comentário social e a exploração estética.
A sua música nasce da colisão de universos distintos, traduzindo-se numa experiência sonora e performativa que aborda temas como a precariedade, a tirania social, a desobediência, a liberdade e a arte enquanto espaço de resistência. Com letras incisivas e uma voz que se desdobra entre o íntimo e o coletivo, o projeto constrói um discurso onde o político e o poético se entrelaçam.
Após a edição do primeiro single “32 Porcos”, A Mosca tem vindo a apresentar-se ao vivo em diversos contextos, incluindo o Milheirós Fest, o RCA Porto, o CAAA Guimarães, a Escola Normal do Porto e o Festival Novo - Povoar, consolidando uma presença marcada pela intensidade e pela entrega.
O lançamento de “Corpos em Stock” antecipa assim a chegada de “a mosca mosca”, álbum que será editado a 13 de abril e que prolonga este universo conceptual, assumindo-se como um corpo coletivo em permanente mutação. Em paralelo, o projeto prepara ainda uma componente visual associada ao disco, materializada numa fanzine - um prolongamento físico da identidade estética e política da banda.
Num tempo de excesso e repetição, A Mosca propõe uma escuta inquieta e ativa - um convite a olhar “de fora para dentro” e a reconhecer a voz que insiste em emergir sob o ruído.

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