sexta-feira, 27 de março de 2026

BANDUA EDITA ÁLBUNM DE REMISTURAS





















Bandua é um projeto musical colaborativo entre o músico e produtor luso-brasileiro Bernardo D’Addario e o músico português Edgar Valente. Focado em entrelaçar a memória e a cultura portuguesas com tendências musicais globais contemporâneas, o duo cria música eletrónica enraizada no território e nas suas origens. O seu som habita um espaço suspenso entre o digital e o orgânico, entre a tecnologia e a tradição, dissolvendo fronteiras entre o campo e a cidade, o passado e o futuro, o local e o global.

Este álbum de remisturas, editado pela editora independente britânica Earthly Measures, revisita o primeiro capítulo de Bandua através das perspetivas de sete artistas portugueses contemporâneos, cada um reinterpretando uma faixa do disco original. Em conjunto, estas versões formam simultaneamente uma retrospectiva e uma expansão: um gesto final em direção às origens do projeto e uma abertura para o que vem a seguir.

Mais do que simples reimaginações, as remisturas evidenciam a elasticidade da linguagem sonora de Bandua. Cada artista aborda o material a partir de um vocabulário musical distinto, revelando a multiplicidade já presente nas composições originais. Downtempo, Drum and Bass, psicadélico, ambiente ou orientado para o clube, as faixas desdobram-se como caminhos paralelos que brotam do mesmo sistema de raízes. Este álbum de remixes reúne um conjunto diverso de produtores que trazem novas leituras sonoras ao universo de Bandua, cada um com uma identidade bem marcada dentro da eletrónica contemporânea: Sickonce, Phragmant, Ohxala, Pedro Martins, Magupi, C4STRO e tarabela.

Se BANDUA foi movido por questões de identidade e interpretação, por aquilo que foi, este álbum de remisturas escuta atentamente aquilo que já está em movimento. Capta um momento de transição: um corpo de trabalho devolvido à circulação, transformado através do diálogo e reenquadrado coletivamente. Ao fazê-lo, encerra o primeiro ciclo de Bandua, ao mesmo tempo que afirma a sua abertura à pluralidade, à troca e à contínua metamorfose. Uma releitura coletiva das origens de Bandua: não como um fim, mas como ressonância.

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