Augusto Brázio
Cristina Branco é a vencedora da 38.ª edição do Prémio José Afonso, galardão atribuído pela Câmara Municipal da Amadora ao álbum "Mulheres de Abril". O disco ilumina as mulheres que José Afonso cantou, as suas narrativas íntimas e a visão progressista que o compositor revelou sobre o papel feminino numa sociedade em transformação.
Criado em 1988, o Prémio José Afonso visa prestar homenagem ao cantor e compositor português que lhe dá o nome, além de incentivar a criação musical de raiz portuguesa. O júri desta 38.ª edição — composto pelo músico e compositor Sérgio Azevedo, em representação da Câmara Municipal da Amadora, pelo maestro Pedro Teixeira da Silva, em representação do Teatro Nacional de São Carlos, e pela vencedora da edição do prémio anterior, emmy Curl —, considerou por unanimidade que «a recriação da artista dos temas de José Afonso resultou numa homenagem ímpar, que não só não desvirtua os originais como lhes imprime uma camada de originalidade e de frescura que transporta José Afonso para os dias de hoje de forma exemplar. Quase 40 anos após a morte de José Afonso, esta é uma das provas mais evidentes de como a sua música e exemplo continuam a inspirar as novas gerações de artistas, artistas vindos das mais variadas áreas musicais e adeptos das mais variadas correntes estéticas.»
Em “Mulheres de Abril”, Cristina Branco revisita e reinterpreta o universo de José Afonso, sublinhando a dimensão humana e social das suas canções e trazendo para o presente histórias de mulheres que marcaram a poética do autor. O projeto afirma-se como uma homenagem sensível e contemporânea à herança musical e cultural do cantor e compositor. O álbum reúne oito composições emblemáticas: “Endechas a Bárbara Escrava”, “De Não Saber o Que Me Espera”, “Canção do Desterro”, “Teresa Torga”, “Canção da Paciência”, “Mulher da Erva”, “Verdade e Mentira” e “Verdes São os Campos”.
«Num mundo de ruído e distração, escolho a presença, a música, a mensagem. A mensagem do amigo Zeca. O meu mais profundo agradecimento por este reconhecimento do nosso trabalho, da nossa inquietação. Que essa seja sempre e para sempre a brecha no muro da indiferença. Algumas palavras e gestos não são pensados para aplausos, mas para nos lembrar que a decência ainda existe. "Mulheres de Abril" é isso e talvez seja isso que o poder também teme: para além do protesto que grita, aquele que recusa ajoelhar-se.»
CRISTINA BRANCO
Depois da estreia ao vivo no Auditório Carlos do Carmo (Lagoa) e da apresentação apoteótica na Casa da Música (Porto), o espetáculo "Mulheres de Abril — Cristina Branco canta José Afonso" acaba de regressar à estrada. Em abril, estão já agendados concertos no Espaço Multiusos de Almeirim (dia 10), no Cine-Teatro São Pedro em Alcanena (dia 24), no Cine-Teatro Avenida de Castelo Branco (dia 25). A 17 de maio, a cantora atua n'A Voz do Operário (Lisboa), num concerto com a participação do Coro Infantil daquela instituição.
Tanto no disco como em palco, Cristina Branco é acompanhada pelos músicos Alexandre Frazão (bateria), Bernardo Moreira (contrabaixo), Mário Delgado (guitarras), Ricardo Dias (piano) e Tomás Marques (saxofone).
COMPRAR BILHETES

Sem comentários:
Enviar um comentário