O lançamento da editora do coletivo lisboeta mina celebra, a 24 de março, o seu 9.º aniversário. Nove anos de raves, festas, festivais, espaços culturais comunitários e até um clube entretanto desaparecido, o Planeta Manas. Foi uma década a marcar uma geração de ravers e amantes da música eletrónica. Juntos, desafiaram tendências, extinção, polícia, separações e uma vida nómada em plena mudança urbana.
Para o minacore, com lançamento também no dia 24, quatro residentes da mina reúnem-se para compilar quatro faixas. Cada uma reflete um fragmento da sua devoção à história do coletivo. O resultado move-se entre a alegria frenética, a magia caótica, a tensão partilhada e a nostalgia melancólica acumulada ao longo destes nove anos.
Phoebe - “Swamp Head” é uma euforia ácida e imparável. Um pulso alegre e obstinado, assombrado por uma voz danificada e distorcida, repetitiva e cortante. Para quem sabe, é uma ode a uma era disfuncional, marcada por desafios duros e pela beleza da repetição coletiva.
Violet - “Early Shift” faz-nos suar com o seu ritmo em cascata. O corpo vacila entre o head-untz e o dog-woof, num jogo cúmplice com o legado da drum and bass. É uma celebração da energia quebrada mas uníssona da pista de dança. Dedicada a quem faz o turno cedo - às 23h ou às 6h.
BLEID - “8AM PM” é um despertador de dança espirituoso. Saúda o corpo exausto que desperta não na cama, mas no meio da névoa trespassada pela luz da manhã. Ali, renasce um êxtase de corpos mantidos vivos pelo baixo, pela teia veloz de congas, snares e claps, e pelas palmadas insistentes de um amigo - “Hey!”.
Marum - “nothing gold can stay” oferece uma viagem longa e atmosférica. Um banho de ondas sonoras que revelam emoções invisíveis, aquelas que emergem quando a festa termina e o espaço se esvazia. O pó assenta sobre os corpos que restam, e o tempo convida-nos a aceitar a perda. Nada tão belo pode durar para sempre.

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