© Rodrigo Castaño
5678 é um avanço ao passado de Filipe Sambado.
A numeração que dá título a este disco remete para o 1234, EP de quatro canções editado em 2012, e invoca a ideia do passar do tempo. Não só na sua diegese como musicalmente, num redescobrimento do cancioneiro de Sambado arranhado pela guitarra eléctrica para cantar dores românticas ora sussurradas, ora vociferadas.
Na suspensão do presente e na celebração do passado, em 5678 Filipe Sambado continua a contar - e a olhar - para a frente.
Este lançamento é englobado na comemoração do décimo aniversário de “Vida Salgada”, disco que serviu de rampa de lançamento para a sua carreira, no Porto (27 de Março, RCA) e em Lisboa (4 de Abril, Casa Capitão).
Faz sempre muito frio no Lidl e eu já tinha cantado sobre essa sensação na dor e no medo da solidão. O espectáculo de onde a provocação para estas canções surge acontece no Lidl da A5. Eu sei como é sobreviver num supermercado quando não vejo ninguém, no Minipreço da Bobadela, no Minipreço da Guerra Junqueiro, a minha ausência no mundo, a minha invisibilidade que é uma distorção da existência des outres. Há muitas vidas, muitas histórias e tragédias, mas só a minha existe. Ninguém me compreende. É assim que eu sinto.
O nome do disco 5678 é uma continuação ou um retorno ao 1234 lançado em 2012 e estas canções retornam da mesma maneira às memórias de outros momentos e outros tempos. É um disco em que regresso a estas memórias como se as tivesse a viver agora no LIDL da A5.
- Filipe Sambado


Sem comentários:
Enviar um comentário