segunda-feira, 23 de março de 2026

NOVO DISCO DE LLAMA VIRGEM

 
O "Síndrome do toque fantasma" é a condição que leva um indivíduo a ouvir recorrentemente o som do seu telemóvel a tocar, fruto da ansiedade do sempre presente e do ruidoso contacto.

Depois do ep homónimo (2017), do álbum desconseguiste? (2018) e do ep Não são as unhas que me roem (2022), a banda apresenta o quarto trabalho de estúdio composto por sete músicas, com as já habituais composições post-punk, acompanhadas por batidas electrónicas enleadas em letras corrosivas, dando continuidade à perspectiva crítica que sempre produziram.

O álbum abre com o tema Eu, que em tom catártico aponta para o individualismo privilegiado e no entanto paranoico, sustentado pelas fakenews e pelos algoritmos impostos pelas corporações capitalistas. , um tema mais calmo e hipnótico, pressente-se o sentir do corpo, como uma extensão de si próprio, numa ambiência desértica. Com Bichos, o primeiro single extraído do álbum canta-se um refrão orelhudo onde são enumeradas as pragas crescentes das cidades, incluindo os senhorios. Segue-se Esplanada Cínica, um tema que de uma forma inicialmente irónica, descamba num delírio sobre o cinismo verde, o cinismo extrativista e a catástrofe ambiental inevitável. Em Vai Orca, afundamo-nos numa ode a esses gentis animais com apetência para afundar iates. A partir desse momento, o tom muda para uma cadência mais lenta e introspectiva. Com Lagoa, embrulhamo-nos numa canção agridoce onde a batida é substituída por uma linha de baixo e por um drone ambiental que nos encaminha para a Noite Americana, um longo poema a dois tempos, onde é denunciada a vertigem fascizante dos Estados Unidos da América, as constantes crises económicas e as previsíveis vítimas das mesmas.

O álbum está disponível para download no Bandcamp da banda e nas plataformas de streaming

H.M

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> Tidal

Ficha Técnica

Letra e música: R.D.P.
Captação, mix e masterização: Francisco Dias Pereira (Black Sheep Studios, Sintra).
Captação de "Noite Americana" e guitarra final de "Bichos": Tiago Paiva (pequeno auditório do CCC, Caldas da Rainha, produzida no contexto da Residência Artística promovida pelo Festival Impulso, Novembro de 2025).

Rui Gonçalves: Voz e letras.
Daniel Antunes Pinheiro: Baixo, sintetizador (Bichos; Noite Americana), percussões (Esplanada Cínica) e batida, piano vertical (Eu; Vai Orca), Wurlitzer (Eu).
Pedro Januário: Guitarras, piano vertical (Bichos), pratos (Pé).

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