segunda-feira, 13 de abril de 2026

A MOSCA EDITA DISCO DE ESTREIA




















A Mosca
apresenta “a mosca mosca”, o álbum de estreia do coletivo, composto por onze temas criados em contexto de ensaio, de forma espontânea e livre. O disco surge como um objeto sonoro e visual marcado pelo ruído, pela crueza e por uma lógica de construção orgânica, refletindo a identidade de um projeto que se afirma na margem entre o impulso e a intenção.

Vestido de sujidade estética e atravessado por imagens fragmentadas, “a mosca mosca” constrói-se a partir de um universo onde corpos deambulam, porcos consomem cidades e figuras inertes se acumulam num espaço sem hierarquia aparente. Entre o concreto e o simbólico, o disco assume-se como um gesto de afirmação: uma vontade de ser, de dizer, de fazer emergir uma voz que recusa o silêncio.

Essa voz, descrita como a “mosca que habita em cada um de nós”, funciona como eixo central do trabalho - uma presença insistente que zune, que incomoda e que procura alojar-se em quem a escuta. Mais do que um conjunto de canções, o álbum propõe-se como um corpo coletivo em movimento, onde o político e o poético se cruzam numa linguagem aberta, instável e em permanente transformação. “a mosca mosca, não traça”, sintetiza o posicionamento do projeto, recusando leituras fechadas ou trajetórias previsíveis.

Musicalmente, o disco prolonga a abordagem já apresentada em temas como “Corpos em Stock”, onde a banda cruza elementos de jazz, rock e eletrónica experimental, explorando dissonâncias, ruído e estruturas mutáveis. A criação parte de um processo colaborativo, com songwriting assinado por A Mosca, refletindo uma dinâmica interna baseada na improvisação, na escuta e na construção coletiva.

A Mosca é composta por Diogo Lopes (bateria), Maria Ana Guimarães (teclados e sintetizadores), Sara Sousa (voz e teclados) e Tiago Nóia (guitarra e vozes secundárias). A captação, mistura e masterização ficaram a cargo de Tiago Nóia, realizadas na Sala 141 do Centro Comercial STOP, no Porto, espaço que serve também como ponto de encontro e criação da banda. O artwork do disco é assinado por Tiago Santos, prolongando visualmente o universo cru e fragmentado do projeto.

Formado em 2024, o coletivo tem vindo a afirmar-se através de uma prática independente e multidisciplinar, cruzando música, imagem e performance. A sua linguagem nasce da colisão de diferentes referências, traduzindo-se numa proposta que aborda temas como a precariedade, a alienação, a liberdade e a desobediência, num registo que oscila entre o íntimo e o coletivo.

Com “a mosca mosca”, A Mosca apresenta um primeiro longa-duração que se assume como extensão natural desse percurso - um objeto inquieto, imperfeito e vivo, que insiste em existir fora de formatos estáveis e que convoca uma escuta ativa, aberta à contaminação e ao desvio.

“a mosca mosca” encontra-se disponível exclusivamente no YouTube e no Bandcamp da banda, numa decisão consciente que reflete a posição do coletivo face às plataformas de streaming.

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