sexta-feira, 17 de abril de 2026

MAGANO "A CAMINHO DE CASA"





















O projeto Magano surge de uma história comum a muitos alentejanos que se mudaram para Almada em busca de uma vida melhor. O avô João, que cantava no grupo coral de Safara, trabalhava na Lisnave. Rosa era costureira. Aí criaram duas filhas que já não voltariam para a aldeia. Os netos, que sempre estiveram ligados à música, tiveram a ideia de criar um projeto musical que unisse os seus dois mundos.

Foi assim que as modas que sempre cantaram em família se tornaram a raiz de Magano, um projecto de jovens que nasceram na cidade mas que têm uma ligação profunda às suas raízes alentejanas.

Ficaram conhecidos do grande público em 2018, com a edição do seu álbum de estreia. Esse trabalho contou com 12 temas do cancioneiro popular alentejano, trouxe-nos as origens da banda e do seu nome. Magano é um rapaz malandro, e era assim que a Avó Rosa chamava a Nuno Ramos, elemento da banda.

Numa fusão de irmãos, amigos e colegas da música, nasce “A Caminho de Casa” que é a caminho do abrigo, das origens ou do regresso delas, que se ouve e se canta. Em “A Terra dos meus pais” contamos com letra de João Espadinha, mas este segundo disco traz-nos também letra e música da autoria de Joana Espadinha, Edumundo e André Santos, no que toca aos originais.

A sonoridade dos novos temas talvez se possa afastar da sonoridade original do Cante, mas junta três temas transversais a todo o disco: o Alentejo, a Família e Almada. O nome do novo álbum surge das viagens entre cá e lá, como já foi referido - “A caminho de Casa” - é nos quase 10 anos de Património Imaterial da Humanidade de Cante, que os Magano apresentam mais um disco onde o Alentejo é o palco não só das canções mas dos visuais que acompanham o próprio disco.

Este segundo álbum dos Magano conta com voz de Sofia Ramos, voz e guitarra de Nuno Ramos, contrabaixo de Francisco Brito, bateria e percussão de André Sousa Machado e guitarra e braguinha de André Santos.

A viagem começa na ‘Dança da Planície’ sem fim, por onde cada ‘Girassol’ roda até que nos leva ‘A Terra dos meus Pais’. É graças às ‘Filhas da Rosa’ que hoje os ‘Netos dos filhos’ ouvem as raízes, mesmo que distantes, e as dançam, sabendo que no passado existiu vida lá e que agora pode ser cantada cá.

Seguem-se as ‘Nuvens’ que nos trazem a ‘Eh Calma’, numa ‘Figurinha de Santo’ que não sai debaixo das ‘Saias da Mãe’ cantando sempre uma moda da terra, como a ‘Senhora Santana’ era cantada em pleno Alentejo, nas procissões de Safara e nas festas da terra.

Sem comentários: