©Kenton Thatcher
A aliança entre DJ Vibe e Paulo Pedro Gonçalves está pronta para bater às portas do mundo.
Hoje, 16 de Abril, Mão lança o seu álbum de estreia homónimo exclusivamente em vinil: oito temas instrumentais que traçam uma rota pelo mundo, da América à Ásia, partindo da electrónica para trilhar um leque de géneros como a pop, os blues, o ambient ou o rock.
Tó Pereira e Paulo Pedro Gonçalves são dois iconoclastas que, desde a década de 1980, continuam a escrever a narrativa da música portuguesa. O primeiro é DJ Vibe, um dos pioneiros da cultura de dança e da electrónica, na linha da frente da house music, dono de um culto que ultrapassa as fronteiras. Quanto ao segundo, conhecemo-lo como um dos fundadores da instituição pop chamada Heróis do Mar, fonte inesgotável de êxitos que ainda hoje acendem as almas de tantas gerações. Antes, fez parte de uma das incursões inaugurais em Portugal do punk, Os Faíscas, e da new wave, Corpo Diplomático, e, depois, do glam dance rock dos LX-90, para onde convida Tó Pereira.
Mão é o projecto que volta a juntar os dois, agora no primeiro quarto do século XXI.
Desta vez, surge por iniciativa de DJ Vibe, fruto da sua constante vontade de criar e, sobretudo, de explorar musicalmente outras áreas. O resultado cristaliza-se em oito viagens sonoras que traçam uma rota pelo mundo, com vénias às geografias e à música de cada lugar.
Oito países, oito viagens
Com arranque nos Estados Unidos, em “Pine Ridge”, e a terminar no Japão, com “Yokohama Clouds”, o grupo conduz uma viagem que cartografa um mundo sem fronteiras, um “que nos enriquece culturalmente, espiritualmente, em todos os sentidos”. A par desta expansão geográfica, homenageiam a música e os protagonistas desses lugares: a percussão singular de Fela Kuti, no funk cósmico e ritualista de “Motel Danakil”, ou os tapetes electrónicos e luxuriantes de Giorgio Moroder, na fragrância onírica de “Acqua Della Medici”. Em “Reeperbahn”, segundo single do álbum, situam-nos no bairro de Hamburgo, onde os Beatles se fizeram banda, para tributar os Kraftwerk e o krautrock. No primeiro single, “Brasil de Janeiro”, acenam à riqueza e ao calor daquele país. Já em “Electricity Will Kill You England”, DJ Vibe e Paulo Pedro Gonçalves sublinham a sua paixão pelas máquinas com que desenham estas paisagens sónicas, num piscar de olhos ao trip hop, enquanto alertam para uma nova Revolução Industrial que, nestes tempos escuros, assola o Reino Unido.
A génese de Mão remonta ao regresso dos LX-90, em 2023, para um espectáculo único em Lisboa, que colocou Vibe e Paulo novamente em contacto. Tó Pereira procurava fazer algo diferente; Paulo Pedro Gonçalves (que partilha com a música uma carreira ligada à moda, em Londres, onde vestiu David Bowie ou o elenco de Velvet Goldmine) trazia consigo a experiência das suas incursões a solo mais recentes, Scarecrow Paulo e Cabra, onde explora o seu lado de trovador. A cumplicidade voltou. “Trabalhamos muito bem juntos e conseguimos ser bastante criativos, com muita qualidade e, ao mesmo tempo, muita rapidez”, explica Paulo Pedro Gonçalves.
Fruto da inquietação dos dois artistas, o álbum representa também a procura por novos caminhos. Uma sonoridade em constante actualização, em sintonia com uma maneira de estar na música que os acompanha há quatro décadas. “É como se fôssemos um vulcão a expulsar a sua lava de ideias e de emoções”, exemplifica o outrora membro dos Underground Sound of Lisbon (quem não se recorda do intemporal “So Get Up”?), que, em 2024, lançou o seu primeiro longa-duração a solo, Frequências. Para ele, o projecto com Paulo Pedro Gonçalves “é uma forma de devolver todo o conhecimento e absorção ao longo dos anos”.
Para já editado apenas em vinil (100 exemplares numerados) e disponível no Bandcamp, Mão tem o selo da Chic Choc Music, fundada pelos próprios. Uma identidade que repesca ao passado um lugar que assinalou um dos seus primeiros encontros, o centro comercial Chic Choc, nos Restauradores, em Lisboa, onde o pai de Tó Pereira mantinha uma loja de discos cheia de pérolas importadas do estrangeiro. Uma paragem obrigatória para tantos ilustres, como António Variações, e lugar do contacto inicial de DJ Vibe com os discos e com os Heróis do Mar, banda pioneira em Portugal na introdução de maxi-singles (de 12 polegadas de diâmetro), a pensar nas pistas de dança.
Agora, tudo faz sentido. O círculo completa-se. A Mão está dada.
Agarrem-na e mergulhem nesta viagem de ida sem data de regresso.
Agora, tudo faz sentido. O círculo completa-se. A Mão está dada.
Agarrem-na e mergulhem nesta viagem de ida sem data de regresso.

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