Os Novos Românticos acabam de editar o seu álbum de estreia, “Criptopátria”, já disponível nas plataformas digitais. A acompanhar o lançamento do disco, o projeto revela também o novo single e respetivo videoclipe “Festival da Canção 2027”. O álbum será apresentado ao vivo amanhã, dia 18 de abril, no RCA - Radioclube Agramonte, no Porto, pelas 21h30. Os bilhetes estão disponíveis na BOL.
Depois de um percurso que se foi desenhando ao longo dos singles “Mesa Posta”, “Pátria” e “Comunidade Europeia”, “Criptopátria” apresenta-se como um retrato fragmentado do presente - um disco que cruza comentário político, tensão identitária e uma dimensão íntima que atravessa toda a narrativa.
Se os primeiros avanços estabeleciam uma leitura progressiva - dos alicerces da democracia portuguesa à construção simbólica da identidade nacional, culminando numa cartografia emocional da Europa -, o álbum aprofunda esse território, deslocando o olhar para um espaço mais difuso, onde o coletivo e o individual se contaminam.
Ao longo do disco, os Novos Românticos constroem um conjunto de imagens que oscilam entre o concreto e o abstrato, entre o quotidiano e o colapso iminente. Em “Portugal 2020”, a repetição de símbolos - “bomba atómica”, “paraíso fiscal”, “manifesto sindical” - expõe uma realidade suspensa entre a ameaça e a normalização, enquanto a pergunta recorrente (“Como vai o pai, o tio, o sócio gerente?”) introduz uma dimensão quase doméstica no meio do ruído estrutural.
Esse mesmo cruzamento entre escalas atravessa “Criptopátria”, tema que dá nome ao disco, onde o culto da personalidade, o capital e a lógica viral se sobrepõem, num cenário dominado por figuras mediáticas e discursos simplificados, refletindo um tempo marcado pela saturação informativa e pela erosão do pensamento crítico.
Em “Sangue Latino” e “Sonho Ibérico”, o disco desloca-se para um território mais instintivo e emocional, onde o desejo, a violência simbólica e a exaustão convivem com uma ideia de pertença em constante tensão. Entre imagens de vampirização, colapso e desencanto, emerge um olhar sobre o espaço ibérico como lugar simultaneamente afetivo e político.
Já “Festival da Canção 2027”, single que acompanha o lançamento do álbum, introduz um gesto de recusa - quase nihilista - perante a ideia de representação e espetáculo, desmontando a lógica de validação cultural associada a formatos competitivos. A canção afirma-se também como uma crítica à transformação da música em entretenimento televisivo despolitizado, sublinhando que a ausência de posicionamento é, em si mesma, uma forma de posicionamento.
Em “Putos”, esse desencanto condensa-se numa imagem crua e direta, onde a infância e a expectativa de conflito se cruzam, sintetizando uma tensão permanente que atravessa todo o disco.
“Criptopátria” constrói-se, assim, como um organismo instável, onde diferentes camadas - política, social e emocional - se sobrepõem sem se resolverem. Mais do que oferecer respostas, o disco insiste na formulação de perguntas, propondo uma escuta que reflete um tempo marcado pela ambiguidade e pelo excesso.
Num registo pós-punk marcado pela repetição, pela tensão e pela contenção, os Novos Românticos afirmam uma linguagem própria, onde a palavra assume um papel central.
Formados no Porto e liderados por David Félix, os Novos Românticos têm vindo a desenvolver um percurso que cruza comentário social e político com uma abordagem estética marcada pelo pós-punk. Depois dos EPs “Novos Românticos” (2023) e “Saudade Internacional” (2024), o projeto apresenta agora o seu primeiro longa-duração, consolidando uma identidade que procura espelhar “as vivências tal como elas nos chegam”.
O concerto de apresentação de “Criptopátria” realiza-se amanhã, dia 18 de abril, no RCA - Radioclube Agramonte, no Porto, pelas 21h30, marcando o início da vida ao vivo do disco.
Depois de um percurso que se foi desenhando ao longo dos singles “Mesa Posta”, “Pátria” e “Comunidade Europeia”, “Criptopátria” apresenta-se como um retrato fragmentado do presente - um disco que cruza comentário político, tensão identitária e uma dimensão íntima que atravessa toda a narrativa.
Se os primeiros avanços estabeleciam uma leitura progressiva - dos alicerces da democracia portuguesa à construção simbólica da identidade nacional, culminando numa cartografia emocional da Europa -, o álbum aprofunda esse território, deslocando o olhar para um espaço mais difuso, onde o coletivo e o individual se contaminam.
Ao longo do disco, os Novos Românticos constroem um conjunto de imagens que oscilam entre o concreto e o abstrato, entre o quotidiano e o colapso iminente. Em “Portugal 2020”, a repetição de símbolos - “bomba atómica”, “paraíso fiscal”, “manifesto sindical” - expõe uma realidade suspensa entre a ameaça e a normalização, enquanto a pergunta recorrente (“Como vai o pai, o tio, o sócio gerente?”) introduz uma dimensão quase doméstica no meio do ruído estrutural.
Esse mesmo cruzamento entre escalas atravessa “Criptopátria”, tema que dá nome ao disco, onde o culto da personalidade, o capital e a lógica viral se sobrepõem, num cenário dominado por figuras mediáticas e discursos simplificados, refletindo um tempo marcado pela saturação informativa e pela erosão do pensamento crítico.
Em “Sangue Latino” e “Sonho Ibérico”, o disco desloca-se para um território mais instintivo e emocional, onde o desejo, a violência simbólica e a exaustão convivem com uma ideia de pertença em constante tensão. Entre imagens de vampirização, colapso e desencanto, emerge um olhar sobre o espaço ibérico como lugar simultaneamente afetivo e político.
Já “Festival da Canção 2027”, single que acompanha o lançamento do álbum, introduz um gesto de recusa - quase nihilista - perante a ideia de representação e espetáculo, desmontando a lógica de validação cultural associada a formatos competitivos. A canção afirma-se também como uma crítica à transformação da música em entretenimento televisivo despolitizado, sublinhando que a ausência de posicionamento é, em si mesma, uma forma de posicionamento.
Em “Putos”, esse desencanto condensa-se numa imagem crua e direta, onde a infância e a expectativa de conflito se cruzam, sintetizando uma tensão permanente que atravessa todo o disco.
“Criptopátria” constrói-se, assim, como um organismo instável, onde diferentes camadas - política, social e emocional - se sobrepõem sem se resolverem. Mais do que oferecer respostas, o disco insiste na formulação de perguntas, propondo uma escuta que reflete um tempo marcado pela ambiguidade e pelo excesso.
Num registo pós-punk marcado pela repetição, pela tensão e pela contenção, os Novos Românticos afirmam uma linguagem própria, onde a palavra assume um papel central.
Formados no Porto e liderados por David Félix, os Novos Românticos têm vindo a desenvolver um percurso que cruza comentário social e político com uma abordagem estética marcada pelo pós-punk. Depois dos EPs “Novos Românticos” (2023) e “Saudade Internacional” (2024), o projeto apresenta agora o seu primeiro longa-duração, consolidando uma identidade que procura espelhar “as vivências tal como elas nos chegam”.
O concerto de apresentação de “Criptopátria” realiza-se amanhã, dia 18 de abril, no RCA - Radioclube Agramonte, no Porto, pelas 21h30, marcando o início da vida ao vivo do disco.

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