"O Anticiclone 2025" surge da necessidade de marcar uma posição e afirmar o valor e a existência do trabalho dos músicos açorianos num mundo competitivo e cada vez mais labiríntico, especialmente para quem procura visibilidade através das vias digitais.
2025 foi um ano muito produtivo para os músicos açorianos e, de entre singles e videoclipes a lançamentos de álbuns e EPs nas redes sociais, a Basalto Cultural Associação de Artes idealizou este projeto, reunindo e compilando muitos destes temas num registo físico em formato CD.
Em janeiro de 2025 foi lançado o desafio e o convite a todos os músicos que tivessem interesse e se identificassem com esta ideia, para que enviassem os seus temas e fizessem parte de "O Anticiclone 2025". No início julgava-se ser um projeto com dimensão para um único CD, mas a adesão foi tanta que acabou por se tornar um CD duplo.
Esta recolha e compilação não tinha género ou estilo musical específico, por isso a diversidade é muito variada, com músicas que vão do hip-hop/rap ao rock português, do rock progressivo ao heavy metal extremo.
Esta iniciativa incide em três fatores muito importantes: a revelação dos músicos, o registo no tempo destes trabalhos, e a tentativa de os colocar num circuito regional de espetáculos do qual são sistematicamente ignorados e excluídos. É um "bater na mesa", um "abre olhos" para os organizadores e agentes culturais, quanto à indiferença e rejeição ao enorme lote de artistas regionais que não fazem parte das suas escolhas e seleções.
Neste "O Anticiclone 2025" encontram-se 2 CDs com um leque de 28 músicos e bandas regionais naturais de São Miguel e Terceira. Um registo que fixa no tempo o árduo e talentoso trabalho dos músicos emergentes açorianos que, apesar das adversidades, dificuldades e rejeições, não atiram a toalha ao chão e fazem por se impor e mostrar:
"Somos os maiores a apregoar que os Açores são ricos em mentes inteligentes, criativas e cheias de arte, que os nossos artistas são uma fonte inesgotável de originalidade e inspiração, que a nossa natureza e sensibilidade humana são uma lufada de ar fresco para quem cria cultura, seja na escrita, na pintura, nas artes cénicas ou na música.
Em qualquer parte do mundo existe um açoriano a dar cartas e a elevar o nome da nossa criação artística.
Tudo isto é bonito e inspirador de se dizer.
No entanto, na hora da verdade, quando se pretende construir algo artístico e produtivo, o que vem de fora, continua a pesar mais na balança e a merecer toda a atenção, investimento e reconhecimento.
Está na hora de provocar uma verdadeira transformação artística, de dar foco, atenção e crédito total aos nossos artistas.
Assim, é imperativo, que quem tem poder de decisão se alinhe, fazendo um sério exame de consciência, um balanço honesto sobre quanto é investido e gasto em eventos locais, privilegiando nomes de fora.
Fazem ideia de quantos artistas existem em escolas, estúdios ou até mesmo a hibernar em garagens e salas de ensaio, carecendo apenas de uma oportunidade para revelar, dar a conhecer ou mostrar ideias, rascunhos e trabalhos já concluídos? Sentimos que este é o momento de realinhar prioridades culturais e dar atenção plena aos nossos artistas.
Está, assim, na hora de corrigir o rumo da valorização artística, colocando no centro quem cria localmente.
“O Anticiclone”, surge, assim, como essa força de realinhamento, capaz de alterar a direção das correntes dominantes e dar oportunidades para artistas que ainda permanecem no anonimato, com o seu nome ignorado a nível regional e, naturalmente, nacional e internacional.
Numa iniciativa da Basalto Cultural Associação de Artes , “O Anticiclone”, trata-se de um registo musical em formato CD, onde estão compilados cerca de 30 artistas, exclusivamente açorianos, a título individual ou bandas, com temas originais, criados ou produzidos durante o ano de 2025.
Não existiu qualquer critério de seleção por género ou estilo musical.
Todas as candidaturas foram aceites, refletindo a diversidade criativa existente no arquipélago, seguindo o plano de dar espaço aqueles mais esquecidos, ignorados e considerados não lucrativos.
Este projeto tem lançamento previsto para 1 Maio, mas, esta iniciativa poderá evoluir numa fase futura, para algo ainda mais ambicioso, nomeadamente a apresentação em palco destes artistas e bandas.
Se “a ocasião faz o ladrão”, neste caso foi a necessidade que fez nascer este projeto. Não rima, mas é a mais pura das verdades. Sentimos que, acima de tudo, é preciso contrariar o sistema, numa forma de afirmação, marca de presença e existência para todos aqueles que têm sido ignorados.
Num tempo dominado pelo streaming e pela publicação fácil e muitas vezes fútil na internet, “O Anticiclone” aposta conscientemente no método tradicional: o registo físico em CD, como forma de criar memória futura, funcionando também como cartão de visita e prova de identidade artística.
Um objeto concreto que pode ser apresentado a públicos, entidades promotoras, programadores ou organizadores culturais.
Pode não ser evidente à primeira vista, mas este formato é, provavelmente, um dos meios mais eficazes para promover e dar a conhecer um grande número de artistas em simultâneo. Trata-se de um verdadeiro catálogo cultural, onde se revela um coletivo rico, diverso e representativo de vários estilos e géneros musicais.
Quem tiver acesso a este registo não passa a conhecer apenas um artista, mas três dezenas! Importa destacar que este projeto ambicioso, conta com o apoio da PDL26 Capital Portuguesa da Cultura e partilha o lema deste movimento, “O Lugar do Amanhã”, que ambiciona ser um catalisador de projetos e ideias que pavimentem um futuro onde a arte, a educação e o pensamento sejam pilares fundamentais do desenvolvimento do território. Ponta Delgada emerge, neste contexto, como um espaço de coexistência, um lar que acolhe o talento e a criação, onde a família, a educação, a esperança e a identidade se entrelaçam com o passado e o futuro.
É o lugar onde o amanhã abraça a individualidade, revelando as infinitas possibilidades que o futuro reserva.
É fundamental que cada pessoa se sinta parte integrante deste lugar, e é precisamente nessa inclusão que a Capital Portuguesa da Cultura faz a diferença, abrindo caminhos para que as gerações presentes e futuras usufruam de realidades culturais mais prósperas e diversificadas. É neste espírito que “O Anticiclone” se afirma como um projeto profundamente alinhado com a visão de “O Lugar do Amanhã”."

Sem comentários:
Enviar um comentário